nos meandros do rio Amazonas
1, Março 01UTC 2007 at 10:12 pm | In meandros | 2 CommentsA terra mais líquida do planeta nunca esteve tão em voga. A Amazônia é tema da atual Campanha da Fraternidade da CNBB, título de uma minissérie da mais influente rede de televisão brasileira e motivo para encher a caixa postal de muita gente com e-mails de uma campanha de artistas pela sua preservação.
Entre discursos que beiram a inocência, procuram resgatar a sacralidade da natureza ou tentam dar um panorama histórico que sirva para um romance folhetinesco, vale a pena escutar a voz de um importante pesquisador brasileiro.
Evaristo Eduardo de Miranda é o responsável da Embrapa pelo monitoramento via satélite de boa parte do território brasileiro, bem antes de qualquer Google Earth. Segundo ele, o Brasil possuía há 8 mil anos atrás 9,8% das florestas mundiais. Hoje detemos 28,3%! 75% de todas as florestas mundiais já sumiram do mapa. Por exemplos, a famigerada Europa (excluindo-se a Rússia), antiga dona de 7% das florestas do planeta, hoje conta com míseros 0,1% de mata verde original.
Ou seja, boa parte do mundo propõe “Amazônia Patrimônio da Humanidade” porque não soube cuidar do seu próprio patrimônio e fica de olho no dos outros. Claro que há sérios problemas nesta região, mas as soluções estão longe de serem simples. Como não é simples a maior biodiverdade do universo conhecido.
Nas palavras de Miranda em seu excelente livro “Quando o Amazonas Corria para o Pacífico” (2007, p.103):
“A história social e ambiental da Amazônia desconhece a ordem e o progresso. (…) A origem histórica das paisagens amazônicas é ora um edifício, ora uma aldeia em movimento, sem planta, nem lógica evidente, seu tempo não é linear, nem segue a trajetória de flechas ou balas. Seu espaço diversificado é recheado de escadarias, caravelas, peabirus, porões, cerâmicas, esqueletos, subterrâneos, terras pretas, meandros e mistérios.”
Blog no WordPress.com. | Theme: Pool by Borja Fernandez.
Entries and comments feeds.
