não jurarás!
20, Março 20UTC 2007 at 5:35 pm | In curitiba | 5 CommentsAté a Idade Média, a Igreja condenava a usura. Isto quando a usura era ainda apenas sinônimo de juro e não de juro exorbitante.
Hoje dá a impressão que não só é tolerante com a usura (ou o juro, como queiram), como é uma incentivadora! Não tenho outra interpretação para o que ocorreu na parte de trás da Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz, mais conhecida como Catedral de Curitiba.
Nos fundos da Catedral funcionava uma pequena loja de produtos litúrgicos, inciativa de uma congregação religiosa que reunia o melhor da arte sacra católica. A loja fechou e em seu lugar abriu uma loja bem menor de produtos religiosos esteticamente duvidosos e também uma filial espaçosa de um banco que fornece empréstimos para servidores públicos e aposentados!
Se bem me recordo, em uma sociedade capitalista o que mantém uma empresa funcionando é o lucro. Sendo o lucro um retorno positivo para o dono da empresa, em um sistema de empréstimo este lucro deve sair do bolso de quem está emprestando, a curto ou médio prazo. Quem está emprestando (pela sua própria condição), não tem dinheiro. Quem empresta o faz porque tem (geralmente muito). Assim, os donos do capital ficam a curto e médio prazo mais ricos e os “emprestadores” do capital mais pobres. E isto ainda acontence, preferencialmente como diz a placa, para os aposentados!
Tudo bem, não sou contra bancos e financeiras (embora tenha uma grave antipatia). Em um sistema capitalista são necessários. O que me estranha é que um banco abra uma filial em uma igreja.
Rapidamente lembro-me de duas passagens do evangelho. Numa Jesus dizia que não se pode servir ao mesmo tempo a Deus e ao dinheiro, referindo-se ao deus babilônico das riquezas: Mamon (Lc 16,13). Noutra Jesus de chicote na mão expulsa os vendilhões do Templo, que na verdade eram cambistas já que em Jerusalém este espaço sagrado era muito utilizado (além do comércio) como banco oficial dos judeus (Jo 2, 13-25).
Assim, como se percebe nestas citações, parece ser um grande contra-testemunho a prática da usura nos fundos da Catedral. Se a Igreja pretende construir o Reino de Deus, creio que não deve pegar empréstimos para a obra.
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