a psicologia da vida cotidiana

6, maio 06UTC 2007 às 10:19 pm | Publicado em psicologia | 5 Comentários

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O Almir Sater sempre costuma cantar que anda devagar porque já teve pressa. Parece que ele é minoria. O resultado de uma pesquisa muito comentada nos últimos dias mostra que os moradores de várias cidades ao redor do mundo andam 10% mais rápido do quem em 1994.

Mais do que isto, a cidade de Curitiba ocupa a 6ª posição mundial na velocidade dos pedestres, sendo a mais rápida das Américas (e, portanto, ganhando de Nova Iorque, São Paulo, Buenos Aires e Cidade do México)!

Procurei a pesquisa na íntegra na internet, mas encontrei apenas dados sobre o seu autor: o psicólogo britânico Richard Wiseman (a ilustração acima faz parte capa de seu último livro).  Ele faz o tipo psicólogo engraçadão, que pelo jeito está sempre na mídia. Não acho isto ruim (muito pelo contrário, devemos temer mesmo os mau-humorados), mas desde que sempre seja mantida a ética e o rigor científico (o que não é lá muito fácil em Psicologia, pois há uma tentação muito grande em escorregar para achismos e pseudociências). O que uma primeira análise do material do site do Richard Wiseman parece confirmar.

Sinto falta disto aqui no Brasil. Por um lado, os psicólogos da mídia tendem a ser muito fracos epistemologicamente e, via de regra, não são pesquisadores (há excessões aqui em Curitiba, como o Marcos Meier e o Gilberto Gnoato, ambos do programa de rádio 91 minutos). Por outro lado , as pesquisas acadêmicas em Psicologia tendem a ser distantes da realidade cotidiana e as pesquisas que conseguem se aproximar do cotidiano continuam distantes da comunidade não-acadêmica.

Justiça seja feita, cito agora as pesquisas realizadas por Ailton Amélio, professor da USP, que versam sobre relações interpessoais, amor, relacionamento amoroso, comunicação e sentimentos. Nada mais cotidiano que isto. Curioso é que, segundo as conversas que ouço na sala dos professores, as críticas feitas por outros pesquisadores é que ele ficou popular demais!

E cito ainda o Laboratório de Psicologia Ambiental da UNB, coordenada pelo professor Hartmut Günther. Lá são produzidas pesquisas interessantíssimas sobre ambientes habitacionais, de trabalho, de lazer, de transporte, naturais e por aí vai. Algumas pesquisas incluem, por exemplo, o comportamento de ajuda em passageiros de ônibus ou o comportamento em filas. E contam com as metodologias de pesquisa mais criativas que já vi.

Poizé, gostaria de ver mais divulgação científica realizada nas nossas terras com a boa e velha Psicologia. E quem não gostaria?

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5 Comentários »

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  1. talvez a mídia daqui considere mais fácil receber sem filtrar notícias de fora, do que tentar fuçar por aqui mesmo o que tem de bom, e de local.

    legal vc citar o Ailton, inclusive isso pode render no Meandros alguns posts sobre pesquisas de alunos dele sobre comportamento amoroso, o que acha? ;)

  2. Adorei o post!!!

    Primeiro sobre o caminhar mais rápido ou mais lentamente… acho um dado interessante mas insuficiente para se dizer que vida nas grandes cidades está mais corrida ou não. Sempre morei em cidades pequenas e sempre andei rápido. Meus amigos criados em cidades maiores, por exemplo, quase sempre sentem dificuldade em me acompanhar. Um dado a mais, mas não o único a se levar em consideração (não fui ao link olhar a pesquisa, só estou fazendo a consideração que achei pertinente relativo ao post…rs).

    Com relação a parte da pesquisa… bom: concordo, concordo, concordo.

    Ailton Amélio! Já vi palestras dele na ABPMC aqui em Londrina… faz tempo já isso… e volta e meia encontro seu nome por revistas…

    Outra psicologa de Curitiba que sempre está na midia nacional (até já saiu nas páginas amarelas da Veja) é a Lidia Weber, que desenvolve trabalhos sobre adoção na UFPR.

    Vou lá conhecer essa laboratorio de psicologia Ambiental…

    Muito bom o post, valeu.

    beijos

  3. Algo de estranho nessa pesquisa. Duvido muito que Curitiba, 6.o lugar, as pessoas andem mais rapido que em Tokyo, 11.o lugar. Talvez a minha impressão seja pq lah tem menos espaço e por isso as pessoas empurra m mais (literalmente).

  4. Ola meus queridos. Quero agradecer a referência positiva ao meu trabalho. Bom saber que estamos sendo reconhecidos, mas é ainda melhor quando somos por um veículo confiável.
    Um grande abraço,
    Marcos Meier

  5. […] 18, Dezembro 18e 2008 at 8:47 pm | In psicologia | O livro Esquisitologia: a estranha psicologia da vida cotidiana do psicólogo inglês Richard Wiseman, como o próprio título indica, versa sobre aspectos incomuns da ciência do comportamento, com temas que dificilmente seriam encontrados num livro tradicional de “Psicologia Geral” ou de “Introdução à Psicologia”. Por isso (e também em parte graças à capa recebida na edição brasileira), à primeira vista tem-se a impressão de que é um livro de auto-ajuda (ou de divulgação científica beirando a vulgaridade) ou então uma espécie de versão psicológica do best-seller sobre economia Freakonomics, de Steven Levitt. Mas a obra está longe de corresponder a ambas as alternativas. […]


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