revistas e jornais de sacanagens
4, Dezembro 04UTC 2007 at 7:54 pm | In cotidiano, meandros | 3 CommentsNo ano passado a revista Veja publicou em suas páginas uma charge do cartunista gaúcho Santiago, que realizava uma interessante crítica à revista. O detalhe é que a Veja publicava sem a sua autorização, o que configurava mais uma de suas sacanagens. Lembram?
Pois bem, novamente o Santiago (um dos melhores profissionais do traço do país, em minha modesta opinião) é alvo de mais uma sacanagem. E das grandes. De acordo com o Blog dos Quadrinhos, o Jornal do Comércio vetou suas charges e o demitiu depois de charges como esta:
O principal argumento para a demissão é que ele não poderia fazer um desenho sobre o lucro já que o jornal não era contra o lucro. Eita, sei de coisas bem parecidas na didadura… E viva o mercado com seus lucros pornográficos!
Bastante pertinente o comentário do Orlando Pedroso, outro dos grandes, retirado do Blog dos Quadrinhos:
eu não poderia jamais defender qualquer ato de censura, especialmente dentro da imprensa. mas, tentando preservar o distanciamento que o tempo nos dá, pro bem ou pro mal, a censura da ditadura tinha, digamos, uma ideologia. ela tinha uma meta que era impedir o avanço comunista no brasil. o que me parece hoje e, especialmente agora com essa dispensa lamentável de profissionais de primeira linha, é que a maioria dos jornais está se lascando para censura ou não desde que seus tablóides lhes sirvam como balcão de negócios. a ideologia é o mercado e nada mais burro que isso. se jornais se tornam cada vez mais classificadões de construtoras, cadernos de serviços em geral, nada mais óbvio que dispensar a opinião de jornalistas e chargistas. se olharmos pela ótica do mercado, isso não é censura mas sim “adequação”. eles não servem mais, são escanteados. é uma pena. salvo as honrosas exceções, jornais não sabem mais pra que servem. trazem pela manhã notícias requentadas e deixaram os textos analíticos pra trás por falta de leitores interessados. talvez ainda forrem gaiolas. sendo assim, jornais não precisam de chargistas e, muito provavelmente, às duras penas chargistas deverão dar a volta, re-inventar a roda e descobrir que também não precisam mais deles.
Deixo agora a palavra com próprio autor por sua charge publicada no dia de hoje no A Charge Online.
Santiago, boa sorte em seus novos meandros…
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