o blog do narciso

19, Março 19e 2008 at 7:43 pm | In psicologia | 9 Comments

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A última edição da revista científica Psicologia: Ciência e Profissão traz um artigo muito interessante a respeito da blogosfera. Intitulada “Escritores de blogs: interagindo com leitores ou apenas ouvindo ecos?“, a pesquisa de Flavia Di Luccio e Ana Maria Nicolaci-da-Costa entrevistou (por MSN e ICQ) os autores de alguns blogues bastante populares a respeito desta modalidade internética.

O resultado é bem curioso. A totalidade dos entrevistados respondeu que o grande diferencial do blogue é a interação com o leitor. No entanto, paradoxalmente, a importância dada à caixa de comentários (a verdadeira interação) é mínima. Os comentários são valorizados apenas quando são de apoio/incentivo. Comentários contrários são ignorados. Respostas, só quando dá tempo. Ao menos esta era a realidade de 4 anos atrás.

Por mais que o modelo atual e adulto dos blogues queria se afastar do formato de “diário adolescente”, torna-se tão narcisista quanto. Vide as últimas reflexões que o catatau tem feito a respeito disto.

Curioso também é que esta suposta interação e resposta aos leitores é uma das características que os blogueiros se orgulham em possuir, ao contrário dos jornalistas, conforme consta num texto clássico da blogosfera: “Por que os blogs de jornalistas não funcionam.” E, contudo, não praticam! Como é que é mesmo? Casa de marceneiro, o espeto é de ferro…

Por hora, digo que a partir de hoje os meandros deverão responder a todos os comentários realizados. Torna-se, assim, um blogue com um grande diferencial. (Desde que ninguém realize comentários contrários, sob a pena de não ser respondido.)

a ciência da violência

28, Outubro 28e 2007 at 10:20 am | In psicologia | 5 Comments

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Charge do Adão, daqui.

Finalmente assisti o obrigatório “Tropa de Elite“. Não vou fazer uma crítica sobre o filme, afinal elas abundam por aí (o Catatau tem uma excelente, assim como uma contra-crítica com filosofia de verdade a uma crítica pseudo-filosófica). Vou limitar-me a algumas impressões e raciocínios pós-filme.

Uma vez “Pixote” foi um filme violento. Recentemente o assisti novamente (assim como ao “Quem Matou Pixote?“, que são filmes para serem vistos em dupla) e me pareceram hoje bem água-com-açúcar. Mesmo o relativamente recente “Cidade de Deus” perde seu grau de violência se comparado com a “Tropa de Elite”.

Mas não foi a violência do filme que me assustou durante a sessão (sim, assisti no cinema e recomendo: o som ficou espetacular!). O que me assustou mesmo foi o comportamento de vários adolescentes toda vez que aparecia uma cena de tortura envolvendo sacos plásticos (estas cenas aparecem pelo menos umas cinco vezes). Os adolescentes riam, gargalhavam.

Medo.

Associado a isto, a frase que abriu o filme foi emblemática e pouco comentada por aí (alguém aí tem a frase exata?). O psicólogo americano Stanley Milgram afirma que uma das maiores contribuições da psicologia social é a demonstração de que o ambiente determina o comportamento humano.

Milgram afirma isto com propriedade após seu célebre experimento dos anos 60, nomeado de “Obediência à Autoridade”. O pesquisador solicitava a voluntários que administrassem quantidades de choque gradativas a outros voluntários do experimento a cada vez que estes errassem respostas de uma memorização. Ocorre que os voluntários que recebiam os “choques” eram atores que simulavam dor reclamando, chorando e gritando. Os voluntários que administravam a suposta punição conseguiam ouvir as queixas. Quando titubeavam e ameaçavam desistir, eram lembrados: “o experimento precisa que você continue!”. Dois terços dos participantes administram choques de até 450 mV, momento em que o ator simulava a sua morte.

Isto explicaria, entre outras coisas, as práticas nazistas, as torturas e execuções presentes no filme e comportamento de agentes penitenciários. Sobre este último, há outro famoso experimento, agora da década de 70, de Philip Zimbardo, conhecido como “The Stanford Prison Experiment“. Nele estudantes universitários “normais” eram convidados a participar de um evento fictício em que representariam durante algum tempo prisioneiros e carcereiros. Os últimos eram munidos apenas uma lista de ordem severas e liberdade para agir sem infringir estas normas. Depois de poucos dias já haviam torturas reais e o experimento teve que ser cancelado.

Tais experimentos mostram a clara influência do ambiente sobre o comportamento de pessoas comuns. O que preocupa é que, principalmente após o 11 de setembro de 2001, a violência e a tortura tem sido banalizadas, amplamente apresentadas na mídia, aceitas e até mesmo em algumas situações valorizadas. O que, se não isso, explicaria as risadas dos adolescentes perante cenas de tortura?

Jack Bauer, por exemplo, em apenas 24 horas consegue arrancar incontáveis confissões mediante métodos nada tradicionais. Mesmo os super-heróis, que já foram baluartes da moral e dos bons costumes, hoje não exitam em esmurrar e dar cabo dos seus inimigos sem qualquer remorso: uma das práticas mais comuns do Wolverine, por exemplo, é fatiar primeiro e perguntar depois.

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O Batman pós-Frank Miller por Aragonés

O caro leitor pode argumentar que os experimentos de Milgram e de Zimbardo estão relacionados com a autoridade e não com a a presença de cenas violentas na cultura de massa. Há estudos, entretanto, que mostram que a simples visão de comportamentos violentos desencadeia comportamentos violentos. A Paula Gomide, aqui em Curitiba, publicou um importante estudo, por exemplo, que mostra que adolescentes após assistirem um filme violento apresentam significativamente muito mais faltas e agressões durante um jogo de futebol do que adolescentes jogando bola depois de um filme não-violento.

Se os estudos estão corretos, a violência cada vez mais banalizada só tenderá a comportamentos mais violentos nos diversos contextos.

Eu, que ainda acredito que a não-violência ativa de Gandhi pode nos levar mais longe, me senti um velho deslocado ao ouvir as gargalhadas dos adolescentes descolados no cinema. Quem sabe da próxima vez, ao invés de assistir a “Tropa de Elite” eu prefira assistir a “Tropa de Artrite”.

a psicologia da vida cotidiana

6, Maio 06e 2007 at 10:19 pm | In psicologia | 4 Comments

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O Almir Sater sempre costuma cantar que anda devagar porque já teve pressa. Parece que ele é minoria. O resultado de uma pesquisa muito comentada nos últimos dias mostra que os moradores de várias cidades ao redor do mundo andam 10% mais rápido do quem em 1994.

Mais do que isto, a cidade de Curitiba ocupa a 6ª posição mundial na velocidade dos pedestres, sendo a mais rápida das Américas (e, portanto, ganhando de Nova Iorque, São Paulo, Buenos Aires e Cidade do México)!

Procurei a pesquisa na íntegra na internet, mas encontrei apenas dados sobre o seu autor: o psicólogo britânico Richard Wiseman (a ilustração acima faz parte capa de seu último livro).  Ele faz o tipo psicólogo engraçadão, que pelo jeito está sempre na mídia. Não acho isto ruim (muito pelo contrário, devemos temer mesmo os mau-humorados), mas desde que sempre seja mantida a ética e o rigor científico (o que não é lá muito fácil em Psicologia, pois há uma tentação muito grande em escorregar para achismos e pseudociências). O que uma primeira análise do material do site do Richard Wiseman parece confirmar.

Sinto falta disto aqui no Brasil. Por um lado, os psicólogos da mídia tendem a ser muito fracos epistemologicamente e, via de regra, não são pesquisadores (há excessões aqui em Curitiba, como o Marcos Meier e o Gilberto Gnoato, ambos do programa de rádio 91 minutos). Por outro lado , as pesquisas acadêmicas em Psicologia tendem a ser distantes da realidade cotidiana e as pesquisas que conseguem se aproximar do cotidiano continuam distantes da comunidade não-acadêmica.

Justiça seja feita, cito agora as pesquisas realizadas por Ailton Amélio, professor da USP, que versam sobre relações interpessoais, amor, relacionamento amoroso, comunicação e sentimentos. Nada mais cotidiano que isto. Curioso é que, segundo as conversas que ouço na sala dos professores, as críticas feitas por outros pesquisadores é que ele ficou popular demais!

E cito ainda o Laboratório de Psicologia Ambiental da UNB, coordenada pelo professor Hartmut Günther. Lá são produzidas pesquisas interessantíssimas sobre ambientes habitacionais, de trabalho, de lazer, de transporte, naturais e por aí vai. Algumas pesquisas incluem, por exemplo, o comportamento de ajuda em passageiros de ônibus ou o comportamento em filas. E contam com as metodologias de pesquisa mais criativas que já vi.

Poizé, gostaria de ver mais divulgação científica realizada nas nossas terras com a boa e velha Psicologia. E quem não gostaria?

aprendendo com o cérebro!

13, Março 13e 2007 at 2:17 am | In psicologia | No Comments

Neuroanatomia, assim como Estatística, sempre foram disciplinas que geravam medo nos alunos de Psicologia. Nenhuma das duas, no entanto, é um bicho de sete cabeças. No máximo uma cabeça, com um cérebro dentro a ser estudado, é claro.

Com este vídeo do Pinky e do Cérebro (que fiz questão de traduzir, embutir as legendas e enviar para o YouTube), é possível perceber que a neuroanátomo nunca esteve tão hilária! Afinal, nada melhor do que aprender sobre o cérebro com o próprio!

Sim, existe uma versão dublada. Mas o texto ficou tão ruim (confira aqui, tronco foi traduzido por cerebelo!) que me convenço de que o esforço de legendar valeu a pena.

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