breve exercício de metalinguagem

22, Abril 22e 2008 at 10:53 pm | In sem categoria melhor | 5 Comments

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- Já notou como um texto escrito com diálogos chama muito mais a atenção do leitor?

- É verdade! Enquanto um texto corrido normalmente seria deixado para ser lido depois, um diálogo quase sempre é lido na primeira vez que se bate o olho.

- Principalmente se o diálogo for com frases curtas.

- É.

- Bem curtas.

- Sim.

- E mesmo que o diálogo fique mais longo…

- E se estenda…

- E se prolongue mesmo. A tendência do leitor é continuar a leitura até o final.

- Agora, já percebeu também como esta cada vez mais comum usar aspas ao invés do travessão?

“É verdade. É a influência da literatura americana e inglesa.”

“Já li textos escritos em português por brasileiros usando as aspas. Por que não o bom e velho travessão?”

- Ah, mas eu também prefiro o travessão.

- Eu também. Sem dúvida.

- É isso. Bom, a gente se encontra por aí.

- Abração, falou!

- Falou!

E se afastaram um do outro, pensando o quanto era inútil o último parágrafo em texto corrido que não acrescentava nada ao que já foi dito anteriormente.

qwerty X dvorak

14, Abril 14e 2008 at 9:57 pm | In sem categoria melhor | 9 Comments

Depois que comecei a me locomover utilizando a bicicleta ficou muito claro que existem soluções individuais para problemas coletivos que pareciam insolúveis. Soluções estas que, mesmo sendo individuais, não prejudicam a coletividade. (Ou até ajudam, como no caso da bicicleta. Uma bicicleta a mais nas ruas significa um carro a menos e mais espaço disponível na via. Assim como uma vaga a mais no ônibus para que alguma senhora - ou algum mano - possa se sentar confortavelmente durante a viagem. E uma viagem sempre sem a parte ruim do trânsito para mim).

Meu desempenho no exercício nº 32 em uma das

últimas turmas de datilografia do SESC nos idos de 1995

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Um problema coletivo que sempre considerei insolúvel é o do layout do teclado. O instrumento que utilizo para escrever estas linhas e que, provavelmente, você tem em sua frente é herdeiro de um problema da máquina de escrever. Nos seus primórdios, a máquina funcionava bem. Bem demais. A velocidade de datilografia em um teclado que seguia a seqüencia ABCDE fazia com que os tipos da letras se encontrassem e travassem o equipamento. Para que o instrumento ficasse mais funcional, foi pensado uma disposição das letras de modo que as letras mais utilizadas ficassem o mais distante possível. Surgiu a versão QWERTY (o nome vem das seis primeiras letras em sua disposição espacial), que segue firme até hoje. É por isso que você digita a letra “A” com o dedo mindinho e as letras que são referência para os indicadores da mão esquerda e direita são os freqüentíssimos “F” e “J”, respectivamente.

Ou seja, a disposição do teclado é a pior possível/imaginável! A migração da máquina de datilografar para o computador poderia representar uma esperança de mudança, já que não fazia mais sentido esta configuração já ultrapassada. Porém os usuários não aceitaram novas propostas pelo costume com o aprendizado motor consolidado. E assim morreu a geração que aprendeu a datilografia e a presente geração que só conhece a digitação aprendeu a partir dos problemas do passado. O que faz pensar em quantos outros equívocos a humanidade mantém apenas por tradição ou preguiça de mudança.

Antonín Dvorak, compositor tcheco que não guarda nenhuma relação

com seu parente distante que inventou um teclado funcional

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Mas há uma solução! O teclado simplificado Dvorak permite uma digitação com um esforço vinte vezes menor, pois os dedos percorrem o teclado 42% menos comparando com o padrão QWERTY. O que, sem dúvida, cansa menos as mãos e, provavelmente (ainda não existem estudos com a versão portuguesa), previne lesões por esforço repetitivo e aumenta a velocidade de digitação. O segredo está em colocar os caracteres mais comuns na linha central e alternar as mãos ao digitar as vogais com a mão esquerda e (a maioria das consoantes) com a mão direita.

Sem desembolsar nenhum centavo, para adotar o teclado Dvorak basta trocar as teclas de lugar e instalar um driver apropriado. Aqui ou nesta ótima lista de discussão sobre o assunto. (Dica do Comitê de Exploração do Não Espaço.)

Taí. Assim que tiver um tempo (provavelmente nas férias) para treinar o novo esquema de digitação vou mudar de sistema. Treinar meu cerebelo e acrescer uma memória motora nova (as antigas não se perdem, é como andar de bicicleta, lembra?). E melhorar para mim um problema que envolve todos que utilizam o computador como ferramenta de trabalho. Não preciso que todos mudem para que eu possa mudar também. Não preciso de campanhas de marketing e do consumo de um produto novo. Basta saber o que é bom, mudar e ser feliz. Sem prejudicar ninguém.

O teclado que vou ter daqui a pouco.

atualizações

11, Abril 11e 2008 at 3:28 pm | In sem categoria melhor | 2 Comments

Atualizei a lista de blogues aí ao lado. Retirei aqueles que estão parados pegando poeira (ei, amigos, que tal umas atualizações?) e acrescentei outros que estão interagido bastante com o meandros. Destaque para o blogue do meu irmão, que está publicando bizarrices lá do Japão. Vá clicando aí ao lado e divirta-se, só tem coisa boa.

meandros por água abaixo

9, Abril 09e 2008 at 6:18 pm | In sem categoria melhor | 1 Comment

Sabia dessa? Corre o risco de todos os blogues do wordpress ficarem fora do ar.

Justiça pede retirada do WordPress.com do ar“, do blog do Pedro Doria.

uma boa idéia para um blogue de odontologia

3, Abril 03e 2008 at 6:12 pm | In sem categoria melhor | 7 Comments

Gosto é gosto. E vice-versa.

Por isso nunca entendi como alguém pode gostar de Odontologia.  Ou então de Direito. Ou pior, de Odontologia Forense.  Mas tem gente que gosta e mantém até blogue sobre o tema.

Mas, repito, gosto é gosto. Eu mesmo adoro estatística, que não consta entre as maiores preferências mundiais.

Tudo isso só para dizer que achei um bom título para um blogue. Se eu fosse dentista criaria um assim:

Se você é um cirurgião dentista e gostou da minha idéia, fique à vontade para usar. Mas se não gostou… pode cuspir.

lógica

17, Março 17e 2008 at 7:56 pm | In sem categoria melhor | 4 Comments

SE

O cabelo é a moldura do rosto

E

O rosto é um cartão de visita

ENTÃO

“O cabelo é a moldura do cartão de visita”

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Ah, tá!

2 anos

24, Fevereiro 24e 2008 at 10:47 pm | In sem categoria melhor | 2 Comments

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Hoje a primeira postagem do meandros completa dois anos de idade. Ainda lá no endereço antigo, onde eu ainda colocava flores.

Este blogue me trouxe novas amizades, fortaleceu amizades antigas, promoveu breves debates, retirou textos e desenhos antigos da gaveta, escreveu e desenhou coisas novas. Mas, sobretudo, me divertiu muito.

É muito bom quando os meandros dos meu pensamentos (que muitas vezes aparecem em formas de post) encontram ressonância em algum lugar (que muitas vezes aparecem em formas de links). Quando alguma coisa que me agrada acaba também agradando alguém.

Bom, por essas e por outras só me resta dizer:

- Muito obrigado, leitor.

7 coisas sobre Buenos Aires

19, Fevereiro 19e 2008 at 3:54 pm | In sem categoria melhor | 1 Comment

Conheço o exterior bem menos do que gostaria. Por isso, antes da minha última viagem para fora do Brasil busquei o maior número de informações que pudessem me ajudar a aproveitar a cidade de Buenos Aires ao máximo.

Bom, a internet (em especial blogs, comunidades e grupos de discussão) foi a melhor fonte. Algumas coisas, no entanto, durante minha breve estadia por lá me chamaram muito a atenção. Espantei-me por haver menção nenhuma sobre elas nas buscas preliminares.

Por isso resolvi relatá-las aqui. De repente podem ser úteis para alguém que está preparando sua viagem. Vamos lá.

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1. Os portenhos adoram os Simpsons!

Estão por todo lugar. Os personagens de Matt Groening estampavam a gravata do funcionário do aeroporto, estavam pintados nos muros e estádios de futebol com as camisas dos respectivos times, ajudavam a vender posters e quadros nas banquinhas de jornais, pululavam em formas de bonecos e jogos nas lojas de brinquedos e até faziam parte da publicidade oficial na cidade. Muito mais do que se podia imaginar. Não sei o porquê, mas nuestros hermanos gostam mais dos Simpsons do que o normal.

2. Tudo fica a 8 quadras!

Essa história que está em todos os guias de que Buenos Aires é uma cidade para ser conhecida a pé é verdade. Como também é verdade o fato de que, por isso, se anda muito. Não sei se foi coincidência, mas na maioria das vezes em que perguntava a distância de um determinado local a resposta mais comum era: “otcho quadras“. Pelo sistema de numeração das ruas de lá (100 números a cada quarteirão) era fácil de calcular. E, realmente, quase tudo estava a uma distância de 8 quadras.

3. Andar pelas calçadas é perigoso!

Eu que reclamava das calçadas de Curitiba, tropecei muito em Buenos Aires. Há muitos buracos e o padrão do calçamento é bastante irregular. Sem contar com os inúmeros cocôs de cachorro. Por isso, olhar para o chão é vital.

4. Vale a pena andar de ônibus!

Com o câmbio a nosso favor, é comum o comentário de que andar de táxi é muito barato em Buenos Aires. E é mesmo. Mas andar de ônibus é mais barato ainda, com a vantagem de que você não corre o risco de ser enganado. A passagem custa 80 centavos de Peso (menos de 50 centavos de Real) e as linhas costumam ir muito longe. Guias locais da cidade (como “Guia T”) trazem as rotas e podem ser usados com facilidade. Dependendo da linha e do carro, há som e luzes coloridas (em umas das viagens, por exemplo, o CD que tocou foi uma coletânea do “The Smiths” e noutra “Led Zeppelin”). E os motoristas são uma emoção à parte naquele trânsito maluco.

5. O café-da-manhã é delicioso!

Não estou falando do desjejum do hotel, falo dos pães e doces que são adquiridos nas padarias. Chegando em uma delas pede-se pelas “facturas“, que são como são conhecidos os croissants, churros, pãezinhos, folhados e outras delícias recheadas com doce de leite. Pesa-se todos os doces juntos e paga-se o mesmo preço por todos. E depois é só alegria para o paladar.

6. As apresentações do metrô são uma atração à parte!

Em qualquer vagão do metrô e a qualquer hora do dia ou da noite entra alguém vendendo, pedindo ou se apresentando. As apresentações são dignas de nota. Vi desde um senhor solitário cantando tangos antigos, passando por músicos com os mais diferentes instrumentos, bandas inteiras e teatro de bonecos. Aquilo é que era criatividade.

7. Existem coisas boas na televisão!

Embora a maior parte da programação seja dispensável (como por aqui), há alguns programas que se destacam. Como o “Algo Habran Hecho (por la Historia Argentina)“, que conta a história do país de uma maneira muito bem humorada e crítica e o impagável desenho animado “Los Peques, que passa também no circuito fechado do metrô.

É isso. A cidade é linda, vale muito conhecer. Mas as outras informações você encontra por aí.

troféu meandros:: os melhores de 2007

19, Dezembro 19e 2007 at 4:15 pm | In sem categoria melhor | 3 Comments

Chegou a hora da premiação do já tradicional “Troféu Meandros”, edição 2007!

(Para conferir os ganhadores do ano passado, clique aqui).

Concedo assim minha singela homenagem a algumas das obras e manifestações culturais que de algum modo me afetaram neste ano que se finda. Devo lembrar que os critérios são altamente subjetivos e nem mesmo o autor tem total acesso a eles. Por isto não se sinta injustiçado caso a sua produção não esteja contemplada neste espaço. O “Troféu Imprensa” já fez coisas muito piores.

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Categoria Melhor Filme

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1. Pro Dia Nascer Feliz

Pouquíssimos viram este belo documentário (que não é, diga-se de passagem, sobre a vida do Cazuza). O diretor João Jardim (o mesmo que filmou o também excelente “Janelas da Alma”) retratou de uma forma extremamente autêntica e única a educação brasileira ao colher depoimentos e situações cotidianas de alguns jovens do ensino médio espalhados pelo país. (Quem me der o DVD como presente de Natal vai me deixar muito feliz!)

2. 300

Um das poucas boas adaptações dos quadrinhos que não li o original. Aliás, não li o original pois gostei tanto do filme que ficaria decepcionado em saber que a adaptação não tinha sido boa.

3. Belarmino e Gabriela

Nada mais autêntico do que este documentário do Geraldo Pioli sobre a vida e obra dos compositores caipiras mais queridos e famosos do Paraná. Mostra o quanto o legado da dupla é muito maior do que “As Mocinhas da Cidade”. O Filme é emocionante e divertidíssimo, assim como o nhô Berlarmino e a nhá Gabriela.

Categoria Melhor História em Quadrinhos

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1. Lobo Solitário

Embora tenha ganho na mesma categoria no ano passado, merece ganhar novamente. Afinal, em 2007 foi publicado o término da saga do ronin e seu filho em busca de vingança pelo Japão feudal. E que término, que final! Vale muito apena atravessar os 28 volumes do mangá para chegar à sua conclusão.

2. Radicci

Li muitas, muitas tirinhas este ano. Humor rápido, inteligente e certeiro. Perfeito, por exemplo, para a leitura no banheiro. Destaco entre os bons livros de bolso com tiras o do gaúcho Iotti em que ele apresenta um colono italiano no interior do Rio Grande do Sul. Impossível não soltar algumas gargalhadas em cima do vaso…

3. Mas ele diz que me ama

Um relato verídico em quadrinhos de uma esposa sofrendo violência por parte do novo marido. Desenhado “em tempo real”, na medida em que a autora ia vivendo as situações. Absolutamente envolvente.

Categoria Melhor Livro

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1. Apocalipse Motorizado

No início do ano eu escrevia aqui que o bom livro não era o que prendia o leitor até a última página, mas sim aquele que o libertava. Poucos livros no passado recente ilustram tão bem este efeito em mim. Depois das suas linhas nunca mais consegui dirigir um carro do mesma maneira. E ganhei a cidade, com todas as suas cores, cheiros, sons e temperaturas, que só podem ser sentidos a pé ou de bicicleta.

2. Dois Irmãos

O Milton Hatoun proporcionou uma literatura de verdade, que faz pensar e sentir. Conforme já comentei anteriormente.

3. Musashi

Talvez não seja o melhor da literatura erudita. Mas empolgado pelo clima do Lobo Solitário, comecei a ler este “pequeno” romance sobre a vida do maior samurai de todos os tempos. A leitura é deliciosa em muitos trechos, mas às vezes a história se arrasta durante suas quase duas mil páginas. Nada contra os livros grossos (”O Senhor dos Anéis” valeu muito a pena), mas terminar este aqui exigiu paciência zen e mesmo assim foi uma batalha. Ano que vem aposto que vou me dedicar muito mais aos contos.

Melhor CD

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1. Rhythms del Mundo: Cuba

Os velhinhos do Buena Vista Social Club mandaram muito bem ao criarem arranjos novos para clássicos do pop/rock atual como U2, Jack Johnson, Coldplay… Melhoraram o que era bom e até salvaram algumas músicas ruinzinhas.

2. Daqui pro futuro

O Pato Fu está conseguindo produzir um bom disco por no, no quintal de casa. Sem as frescuras das grandes gravadoras. E com download legal pela internet.

3. Satolep Sambatown

Misture a lírica de um poeta gaúcho com o ritmo de um percussionista carioca. Taí o resultado do trabalho de Vítor Ramil e Marcos Suzano.

Melhor Show

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1. Chico César

Este ano perdi oportunidades de ver muitos shows que prometiam. No entanto, finalmente pude conferir ao vivo um músico que ouço desde o primeiro CD. O paraibano baixinho encheu e transbordou o palco contando apenas consigo e com seu violão.

2. Vítor Ramil + Marcos Suzano

A experiência de ouvir o CD intensificada: era o primeiro show da dupla com as canções novas (e as velhas).

3. Viola Quebrada

Um show no teatro Paiol com músicas do Belarmino e Gabriela, na esteira do filme. Os arranjos sofisticados do grupo sobre a melodia e a letra forte das músicas trouxeram a tona o orgulho das raízes locais.

Melhor Blogue

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1. Catatau!

Outro que merece ser premiado novamente. Análises profundas e bem fundamentadas, difíceis de encontrar neste meio da internet. Se ele se proclama como um “blog-idéia”, eu diria que é um “blog-boa-idéia”.

2. Bennet-o-matic

Ele apavora! Atualizações (praticamente) diárias com ácidas e hilariantes tiras, charges e textos de um dos maiores cartunistas em atividade no país. Leia rápido, antes que ele evapore.

3. Jarosinki do Brasil

Um jornalista brasileiro polaco escrevendo direto da Cracóvia. Costumes locais, receitas de pierogi, influências na cultura brasileira e curitibana.

Parabéns a todos os vencedores!

telemarketing e chimarrão

3, Dezembro 03e 2007 at 8:20 pm | In sem categoria melhor | 2 Comments

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Tira do macanudo Liniers. (Diariamente, aqui.)

Não gosto de trotes. Acho muito grosseiro e ofensivo. Mas toda regra tem sua excessão (inclusive esta). Por isso tenho me divertido muito ultimamente ouvindo os trotes do Willmutt.

A idéia é muito simples e genial! O Cleiton Giovanni Kurtz, um morador de Marechal Cândido Rondon, interpreta um colono alemão humilde e ingênuo que liga para algumas grandes empresas e outras não tão grandes (ou recebe ligações delas) e interage com os operadores de telemarketing.

A graça está na autenticidade do personagem (seu sotaque, suas falas, sua espontaneidade) contrastando com o rigor do, via de regra, roteiro rígido dos atendentes. Interessante também como desmascara a intenção das empresas que querem vender linhas de crédito, premiações forjadas ou simplesmente lucrar (mantendo a ligação que desligariam há tempos só porque o cliente sinalizou que tem dinheiro).

Mas eu gosto especialmente do momento que o personagem, para agradecer o atendimento, convida o operador para aparecer em sua casa e comer um caldo de galo-do-pescoço-pelado, umas bolachas pintadas, tomar um chimarrão à sombra do pé de abacate…

Em que pese o estresse que os atendentes de telemarketing sofrem e a maneira artificial (e, por vezes, inumana) que muitas empresas tratam seus clientes, talvez esteja na hora mesmo de tomarem um chimarrão com o Willmutt.

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