qwerty X dvorak

14, Abril 14e 2008 at 9:57 pm | In sem categoria melhor | 9 Comments

Depois que comecei a me locomover utilizando a bicicleta ficou muito claro que existem soluções individuais para problemas coletivos que pareciam insolúveis. Soluções estas que, mesmo sendo individuais, não prejudicam a coletividade. (Ou até ajudam, como no caso da bicicleta. Uma bicicleta a mais nas ruas significa um carro a menos e mais espaço disponível na via. Assim como uma vaga a mais no ônibus para que alguma senhora - ou algum mano - possa se sentar confortavelmente durante a viagem. E uma viagem sempre sem a parte ruim do trânsito para mim).

Meu desempenho no exercício nº 32 em uma das

últimas turmas de datilografia do SESC nos idos de 1995

.

Um problema coletivo que sempre considerei insolúvel é o do layout do teclado. O instrumento que utilizo para escrever estas linhas e que, provavelmente, você tem em sua frente é herdeiro de um problema da máquina de escrever. Nos seus primórdios, a máquina funcionava bem. Bem demais. A velocidade de datilografia em um teclado que seguia a seqüencia ABCDE fazia com que os tipos da letras se encontrassem e travassem o equipamento. Para que o instrumento ficasse mais funcional, foi pensado uma disposição das letras de modo que as letras mais utilizadas ficassem o mais distante possível. Surgiu a versão QWERTY (o nome vem das seis primeiras letras em sua disposição espacial), que segue firme até hoje. É por isso que você digita a letra “A” com o dedo mindinho e as letras que são referência para os indicadores da mão esquerda e direita são os freqüentíssimos “F” e “J”, respectivamente.

Ou seja, a disposição do teclado é a pior possível/imaginável! A migração da máquina de datilografar para o computador poderia representar uma esperança de mudança, já que não fazia mais sentido esta configuração já ultrapassada. Porém os usuários não aceitaram novas propostas pelo costume com o aprendizado motor consolidado. E assim morreu a geração que aprendeu a datilografia e a presente geração que só conhece a digitação aprendeu a partir dos problemas do passado. O que faz pensar em quantos outros equívocos a humanidade mantém apenas por tradição ou preguiça de mudança.

Antonín Dvorak, compositor tcheco que não guarda nenhuma relação

com seu parente distante que inventou um teclado funcional

.

Mas há uma solução! O teclado simplificado Dvorak permite uma digitação com um esforço vinte vezes menor, pois os dedos percorrem o teclado 42% menos comparando com o padrão QWERTY. O que, sem dúvida, cansa menos as mãos e, provavelmente (ainda não existem estudos com a versão portuguesa), previne lesões por esforço repetitivo e aumenta a velocidade de digitação. O segredo está em colocar os caracteres mais comuns na linha central e alternar as mãos ao digitar as vogais com a mão esquerda e (a maioria das consoantes) com a mão direita.

Sem desembolsar nenhum centavo, para adotar o teclado Dvorak basta trocar as teclas de lugar e instalar um driver apropriado. Aqui ou nesta ótima lista de discussão sobre o assunto. (Dica do Comitê de Exploração do Não Espaço.)

Taí. Assim que tiver um tempo (provavelmente nas férias) para treinar o novo esquema de digitação vou mudar de sistema. Treinar meu cerebelo e acrescer uma memória motora nova (as antigas não se perdem, é como andar de bicicleta, lembra?). E melhorar para mim um problema que envolve todos que utilizam o computador como ferramenta de trabalho. Não preciso que todos mudem para que eu possa mudar também. Não preciso de campanhas de marketing e do consumo de um produto novo. Basta saber o que é bom, mudar e ser feliz. Sem prejudicar ninguém.

O teclado que vou ter daqui a pouco.

atualizações

11, Abril 11e 2008 at 3:28 pm | In sem categoria melhor | 2 Comments

Atualizei a lista de blogues aí ao lado. Retirei aqueles que estão parados pegando poeira (ei, amigos, que tal umas atualizações?) e acrescentei outros que estão interagido bastante com o meandros. Destaque para o blogue do meu irmão, que está publicando bizarrices lá do Japão. Vá clicando aí ao lado e divirta-se, só tem coisa boa.

palha assada

10, Abril 10e 2008 at 12:05 am | In desenhos | 5 Comments

meandros por água abaixo

9, Abril 09e 2008 at 6:18 pm | In sem categoria melhor | 1 Comment

Sabia dessa? Corre o risco de todos os blogues do wordpress ficarem fora do ar.

Justiça pede retirada do WordPress.com do ar“, do blog do Pedro Doria.

pelos meandros insondáveis da genética

4, Abril 04e 2008 at 8:03 pm | In literatura | 3 Comments

Diz o velho deitado que existem coisas que se pensa, mas não se diz e existem coisas que se diz, mas não se escreve. O último livro do Cristovão Tezza, “O Filho Eterno“, é o corajoso registro escrito do pensamento. Mas do que isto, é o pensamento explícito do personagem com todos os seus defeitos e virtudes. O personagem, no entanto, é o próprio autor que conta (em terceira pessoa) o seu relacionamento com seu filho com Síndrome de Down. E aproveita para revistar a própria biografia pessoal, deixando o leitor sem saber onde acaba a realidade para começar a ficção. Muito mais sobre o pai do que sobre o filho, a obra expõe o tema da paternidade e da deficiência mental de maneira crua, impiedosa e totalmente distante de qualquer convenção. E expõe o autor de jeito que, fico pensando, se não seria até mais fácil sair nú em uma revista…

“Parece que o pai havia entrado em outro limbo do tempo, em que o tempo, passando, está sempre no mesmo lugar. Uma estabilidade tranqüila, uma das pequenas utopias que todos com um pouco de sorte vivem em algum momento de suas vidas. O poder maravilhoso da rotina, ele pensa, irônico. Transforma tudo na mesma coisa, e é exatamente isso que queremos. Mas há uma razão: o seu filho não envelhece. E além da cabeça, que é sempre a mesma, pelos meandros insondáveis da genética ele crescerá pouco, vítima de um nanismo discreto. Peter Pan, viverá cada dia exatamente como o anterior - e como o próximo. Incapaz de entrar no mundo da abstração do tempo, a idéia de passado e de futuro jamais se ramifica em sua cabeça alegre; ele vive toda manhã, sem saber, o sonho do eterno retorno. ” (p.183)

Assim como em seu livro anterior, um atrativo a mais é reconhecer as regiões de Curitiba e sentir orgulho de ter um dos maiores escritores brasileiros da atualidade morando aqui pertinho de casa. Se há coisas pensadas que corajosamente são escritas, estas merecem ser lidas.

uma boa idéia para um blogue de odontologia

3, Abril 03e 2008 at 6:12 pm | In sem categoria melhor | 7 Comments

Gosto é gosto. E vice-versa.

Por isso nunca entendi como alguém pode gostar de Odontologia.  Ou então de Direito. Ou pior, de Odontologia Forense.  Mas tem gente que gosta e mantém até blogue sobre o tema.

Mas, repito, gosto é gosto. Eu mesmo adoro estatística, que não consta entre as maiores preferências mundiais.

Tudo isso só para dizer que achei um bom título para um blogue. Se eu fosse dentista criaria um assim:

Se você é um cirurgião dentista e gostou da minha idéia, fique à vontade para usar. Mas se não gostou… pode cuspir.

orelhão

2, Abril 02e 2008 at 3:54 pm | In marcelino pão & suco | 1 Comment

Das cinzas ressurge o antigo personagem…

marcelino-orelhao.jpg

(clique na imagem para ampliá-la)

…para contar uma história verídica que realmente aconteceu. Não comigo, é claro.

o sono do justo 2

31, Março 31e 2008 at 6:00 pm | In curitiba | 1 Comment

O mesmo horário.  A mesma cidade. Outro dia. Outro sono.

sono1.jpg

o sono do justo

27, Março 27e 2008 at 4:40 pm | In curitiba | 5 Comments

a mulher que escreveu a bíblia

25, Março 25e 2008 at 9:54 am | In literatura | 4 Comments

mulher-que-escreveu-a-biblia.jpg

Sempre gostei da prosa do Moacyr Scliar. Ele tem um texto direto, bastante fluido, bem humorado que, para o leitor desavisado, pode até soar como superficial. É um texto fácil de ler (o trabalho diminuido do leitor para lê-lo deve estar relacionado com o trabalho aumentado do autor para escrevê-lo), mas nem por isso subestima a inteligência. Entre as linhas claras ditas, ficam infindáveis meandros não ditos…

É assim “A Mulher Que Escreveu a Bíblia“. Um romance fininho que, assim como um jogo fácil de golfe, pode ser levado a cabo em poucas tacadas (nunca joguei golfe, mas imagino que deve ser assim a coisa toda). Como nas colunas que o autor escreve às segundas na Folha de S.Paulo, o livro é uma ficção a partir de uma notícia real de jornal. Na verdade uma declaração de Harold Bloom de que a Bíblia poderia ter sido escrita por uma mulher escriba na época de Salomão. Assim, é um relato em primeira pessoa de como a Bíblia foi escrita.

Mas Scliar usa do artifício de uma suposta terapia de vidas passadas para rever todo o material bíblico e as aventuras da protagonista com uma linguagem moderna. Ao contrário de uma exegese moderna, que pretende ler o texto sagrado com os olhos da época, nesta obra a Bíblia é lida (e escrita) ao contrário, com os olhos de hoje. Justamente pela mulher mais feia do harém de Salomão que possui a compensação de ser a única letrada entre todas as mulheres (os feios sempre tem alguma compensação). Tudo sem perder o rigor histórico. É até bem possível que o escritor sagrado original não tenha sido tão… sagrado, como supõe o livro.

Entre o passado e o presente. O sagrado e o profano. A beleza e a feiúra. A linguagem chula e a formal. A linguagem oral e a escrita. O interior e a capital. O masculino e o feminino. A obra toda é uma construção e desconstrução destas dualidades. E dos meandros entre elas.

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