pouca circulação

26, fevereiro 26-03:00 2007 às 9:19 pm | Publicado em cotidiano | 1 Comentário

rotonda

Cerca de um ano atrás me envolvi em um acidente de trânsito. Com minha Caloi 10 originária nos anos 80, recém saída da oficina e completamente reformada, pedalei com uma alegria que há tempos não experimentava. Distante três quadradas da minha casa deparei-me com uma extensa ladeira. Pouca circulação. Mão única. Preferencial de quem descia.

Não deu outra: desci tranqüilamente sentindo o vento no rosto. Quando me preparava para tomar velocidade de verdade, vi um gol branco atravessando o primeiro cruzamento. Só deu tempo de me jogar sobre sobre o capô do carro e decidir onde conseguiria cair.

Rolei sobre o carro, amassando completamente seu capô e quebrando com a nuca o para brisa. Minha queda foi sobre a calçada do outro lado da rua. A bicicleta, ou que sobrou dela, ficou grudada na lataria lateral do gol. Quanto à mim, apenas um arranhão na perna e o susto.

Fui prontamente socorrido pelo motorista e pelos médicos residentes do hospital ao lado. Mas nada sério havia ocorrido. Mesmo tendo batido a cabeça, conseqüências neurológicas (aparentemente) não se manifestaram.

Aprendi nisto duas coisas:

1. Que deveria comprar e usar um capacete. Mesmo a só três quadras de casa.
2. Que nem todo motorista para em um cruzamento onde a preferencial é do outro. Principalmente se o outro for um pedestre ou um ciclista.

Cerca de um mês atrás me envolvi em um outro acidente de trânsito. Desta vez eu é dirigia um gol. Chegando perante uma rótula, parei para verificar se os outros carros que se aproximavam passariam, estando na preferencial, na minha frente. Mesmo com pouca circulação, achei uma atitude prudente, dada a experiência anterior.

Nisto um chevette a toda velocidade bate na traseira do meu carro. Liguei o pisca-alerta e desci tranqüilamente esperando ouvir pedidos de desculpas do outro lado.

Não deu outra: o motorista desceu me xingando, perguntando por que eu havia parado.

– Aqui não é lugar para parar!

– Não?!

– Claro que não! É para ir tocando devagarinho.

Mostrei-lhe o que estava escrito no chão, antes da faixa de pedestres:

– Veja, está escrito “PA-RE”. Não “TO-QUE-DE-VA-GA-RI-NHO”…

Ele não me deu razão. Nem eu a ele. Propus chamarmos o Diretran para resolvermos o caso. Ele estava com pressa e arcou com as próprias despesas. Como as conseqüências em meu carro (aparentemente) não se manifestaram, arquei com as minhas.

Aprendi nisto duas coisas:

1. Que leis não são para serem cumpridas.
2. Que nem todo motorista para um cruzamento onde a preferencial é do outro. Principalmente se o outro nunca tiver razão.

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