vai a curitiba? vaia, curitiba!

29, março 29UTC 2007 às 10:38 am | Publicado em curitiba | 12 Comentários

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Hoje é o aniversário de Curitiba. Aqui na aniversariante está ocorrendo o maior festival de teatro do Brasil, talvez de toda a América Latina. E um dos eventos que ocorre no Festival de Curitiba é o Risorama, um show de humor na linha do stand-up comedy.

Engraçado que o público que costuma freqüentar as centenas de peças que compõe o Festival é muito diferente dos freqüentadores do Risorama. Os primeiros usam roupas coloridas e folgadas, sandálias Havianas no calor (e cachecol no frio) e uma bolsa de couro cru a tira colo. Os segundo vestem roupas justas e escuras, salto alto e bolsas combinando com o sapato.

Bom, até aí tudo bem. A pergunta é: qual dos dois públicos é mais curitibano?

É freqüente o fato de que todo grande show ou peça de circuito nacional tenda a estrear em Curitiba. Diz-se que a razão é porque Curitiba tem um público crítico e, por isso, se o espetáculo for bem sucedido aqui, irá decolar no restante do país. Não sei, a impressão que tenho é que o público curitibano é até permissivo demais. Dificilmente alguma peça de nível mediano não é aplaudida de pé. Aplaudir sentado em Curitiba deve corresponder à vaia em outras cidades. Por isso acho mesmo que as estréias em Curitiba devem ser mesmo devidas ao medo de queimar o filme logo de cara.

Nunca vi curitibano vaiando. Até ontem. Como queria faz tempo assistir ao show de humor do Diogo Portugal sem precisar chegar quatro horas antes (como é necessário fazer para assistir ao seu show costumeiro nas terças-feiras), comprei um ingresso no Risorama. Apresentaram-se no Risorama vários comediantes, todos com piadas geralmente boas, rápidas e diretas. Puro entretenimento. A casa lotada ria mesmo das piadas conhecidas e sem tanta graça assim, talvez graças à boa quantidade de álcool que circulava entre as mesas do clube onde estava sendo realizado o show.

No entanto, quando entrou a atriz Grace Gianoukas, interpretando Cinderela (um dos sucessos do YouTube), o público começou a dispersar. Falava durante apresentação, dava as costas, levantava-se. O texto exigia um pouco mais de raciocínio e exibia uma crítica ácida, longe do humor direto e rasteiro e não foi acompanhado pela maioria. Os presentes pareciam ignorar que aquela atriz era a responsável pelo famoso espetáculo Terça Insana (sucesso em DVD e na internet) e uma das pioneiras neste tipo de humor no país. Pior foi quando ela voltou posteriormente com um outro quadro, a Santa Paciência. Neste era visível a dificuldade de concentração da humorista perante tanto barulho, a perda do timing e as tentativas de recuperar a platéia aumentando o tom de voz ou fazendo interrupções nitidamente fora do texto. Alguns assobiavam pedindo para que acabasse e se ouvia algumas vaias. Não sei se isto fazia parte do texto (já que o objetivo do personagem era realmente ser chato), mas última fala da Santa Paciência foi:

– Vou fazer o que todos vocês querem, vou embora.

Mais vaias. Me senti envergonhado. O quadro era bom. O público não entendeu, não queria pensar e não sabia comportar-se como platéia. Se o público curitibano nunca vaia, escolheu a hora errada para começar.

No que respondo minha pergunta, este não era um público de Curitiba. Era um público atípico, mais atrás de balada do que de cultura.

Ao final, todos os atores voltaram ao palco e Grace, numa demostração de grande maturidade, agradeceu a todos e parabenizou a cidade por iniciativas como o Festival de Teatro.

É. Tem curitibano que não merece Curitiba.

dois irmãos

28, março 28UTC 2007 às 1:14 pm | Publicado em literatura | 2 Comentários

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Aproveitando que ainda (tomara que sempre) a Amazônia anda em voga, indico uma formidável obra literária. Dois irmãos, de autoria do manauara Milton Hatoun, foi o vencedor do prêmio Jabuti em 2001 e faz parte da economicamente acessível coleção “Companhia de Bolso” da Companhia das Letras.

Os elementos da história: um casarão + a cidade de Manaus + o rio Amazonas, seus afluentes e meandros + uma família árabe + uma índia domesticada + uma narrador à procura de identidade + dois irmãos gêmeos.

Embora irmãos gêmeos com personalidades opostas seja um grande chavão (parece que a novela das oito está aproveitando isto de novo), neste livro este fato está longe de ser lugar-comum. Mostra, ao contrário, a influência direta de Esaú e Jacó (tanto a história bíblica como o livro de Machado de Assis).  Nota-se também como importante influência outra obra machadiama, o Dom Casmurro (de quem o narrador é filho? houve ou não incesto?).

Literatura de ótima qualidade. Dada a dica.

questão teológica

26, março 26UTC 2007 às 2:12 pm | Publicado em marcelino pão & suco | 1 Comentário

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(Clique na imagem para ampliá-la.)

 

meandros

25, março 25UTC 2007 às 9:18 pm | Publicado em meandros | 5 Comentários

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Uma frase que anda escrita nos muros de Curitiba não me sai da cabeça:

“Apenas os peixes mortos seguem a correnteza.”

 

peixe pequeno, peixe grande

23, março 23UTC 2007 às 8:50 pm | Publicado em curitiba | 8 Comentários

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Uma das minhas fortes lembranças que tenho da infância é ir fazer compras com a família no supermercado Mercadorama. Desde que me conheço por gente a rede Mercadorama foi crescendo e se fortalecendo. Tratava-se de uma empresa paranaense, curitibana e dava um certo orgulho vê-la crescer diante dos olhos. Tratava-se. Foi vendida para a rede portuguesa Sonae e, mais recentemente, para a Wal-Mart, cujo dono é o milionário mais milionário do mundo. Hoje o Mercadorama só tem o nome do supermercado de minha infância.

São incontáveis os casos recentes de empresas grandes (de preferência multinacionais) adquirindo empresas pequenas e médias brasileiras. Cito dois casos recentíssimos: os chocolates Garoto que agora podem ser da Nestlé e a Matte-Leão que passa a ser da Coca-cola.

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Na segunda visita do Dalai-Lama ao Brasil (quando ainda não era conhecido do grande público; mais do que um autor de best-sellers ele era um líder espiritual de um povo), a sua santidade passou por Curitiba e falou para um público aberto na Pedreira Paulo Leminiski. Em defesa da libertação do Tibet e defendendo interesses locais, a organização não vendia refrigerantes da família Coca-cola e nem cerveja. Líquido só havia Matte-Leão. Porque esta bebida era local e não estava atrelada aos interesses multinacionais. Hoje não sei qual bebida acompanharia as palavras do Dalai-Lama aqui em Curitiba.

Tom Zé comentou certa vez um uma entrevista que hoje todo nós, direta ou indiretamente, sem excessão, trabalhamos para umas seis grandes empresas mundiais, não mais que isto. Parece que ele está com a razão.

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Mas, por enquanto, a História não tem ponto final. Quem sabe o que vem daqui pra frente?

Peixes pequenos do mundo, uni-vos!

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O inspirado desenho é do romeno Pavel Constantin.

feliz dia da água!

22, março 22UTC 2007 às 3:47 pm | Publicado em cotidiano | 3 Comentários

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Ilustração de Peter Kuper

Guilherme Arantes já cantou e todo mundo já sabe que a Terra deveria chamar planeta Água. Afinal, 70 a 75% de sua superfície é água. Curioso é que se trata da mesma proporção hídrica existente no organismo humano.

Se somos nosso corpo, somos água. E muita água.

Um blogue aquático como este (pois meandros nada mais são do que as curvas do rio) não poderia deixar de lembrar que hoje é o Dia da Água. E que o Brasil possui o maior rio e o Paraná a maior reserva de água potável submersa do planeta. E que racionamento só é questão (novamente) de tempo. E que no futuro guerras serão travadas não por campos petrolíferos, mas hídricos. E tudo o mais que todos nós sabemos, mas fazemos questão de esquecer durante um bom banho.

(Se quiser uma fonte confiável interessante, veja este site do pesquisador da Embapa Evaristo Eduardo de Miranda: Água na natureza, na vida e no coração dos homens.)

Preservar a água nunca foi, tanto como hoje, preservar-se.

recrutas Heroes

21, março 21UTC 2007 às 3:48 pm | Publicado em sem categoria melhor | 2 Comentários

Depois de Lost, Heroes parece ser a série americana de maior repercussão na internet brasileira.

Numa linguagem explicitamente inspirada nos quadrinhos de super-heróis (Stan Lee chegar a fazer uma ponta em um dos episódios), a série tem como temática um grupo de personagens que descobrem suas habilidades (que antigamente eram chamadas de super-poderes), como viajar no tempo, pintar o futuro, voar ou realizar regeneração espontânea.

São os mistérios de Lost + a juventude de Smallville + a formação grupal de X-Men + …o japonês do Japão ?!

Para quem já conhece, segue abaixo uma hilariante a paródia feita com a série (para quem não conhece dá um tom do que é a série com algumas boas piadas). “Zeroes” apresenta uma forma de qualquer um se tornar um herói.

As legendas em português são minhas.

E aí? Qual é a sua habilidade?

não jurarás!

20, março 20UTC 2007 às 5:35 pm | Publicado em curitiba | 5 Comentários

Até a Idade Média, a Igreja condenava a usura. Isto quando a usura era ainda apenas sinônimo de juro e não de juro exorbitante.

Hoje dá a impressão que não só é tolerante com a usura (ou o juro, como queiram), como é uma incentivadora! Não tenho outra interpretação para o que ocorreu na parte de trás da Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz, mais conhecida como Catedral de Curitiba.

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Nos fundos da Catedral funcionava uma pequena loja de produtos litúrgicos, inciativa de uma congregação religiosa que reunia o melhor da arte sacra católica. A loja fechou e em seu lugar abriu uma loja bem menor de produtos religiosos esteticamente duvidosos e também uma filial espaçosa de um banco que fornece empréstimos para servidores públicos e aposentados!

Se bem me recordo, em uma sociedade capitalista o que mantém uma empresa funcionando é o lucro. Sendo o lucro um retorno positivo para o dono da empresa, em um sistema de empréstimo este lucro deve sair do bolso de quem está emprestando, a curto ou médio prazo. Quem está emprestando (pela sua própria condição), não tem dinheiro. Quem empresta o faz porque tem (geralmente muito). Assim, os donos do capital ficam a curto e médio prazo mais ricos e os “emprestadores” do capital mais pobres. E isto ainda acontence, preferencialmente como diz a placa, para os aposentados!

Tudo bem, não sou contra bancos e financeiras (embora tenha uma grave antipatia). Em um sistema capitalista são necessários. O que me estranha é que um banco abra uma filial em uma igreja.

Rapidamente lembro-me de duas passagens do evangelho. Numa Jesus dizia que não se pode servir ao mesmo tempo a Deus e ao dinheiro, referindo-se ao deus babilônico das riquezas: Mamon (Lc 16,13). Noutra Jesus de chicote na mão expulsa os vendilhões do Templo, que na verdade eram cambistas já que em Jerusalém este espaço sagrado era muito utilizado (além do comércio) como banco oficial dos judeus (Jo 2, 13-25).

Assim, como se percebe nestas citações, parece ser um grande contra-testemunho a prática da usura nos fundos da Catedral. Se a Igreja pretende construir o Reino de Deus, creio que não deve pegar empréstimos para a obra.

procura-se adversário de xadrez

18, março 18UTC 2007 às 10:14 am | Publicado em cotidiano | 7 Comentários

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– Opa, um tabuleiro de xadrez!

– Você joga?

– Claro, sei mexer todas as peças! O cavalo é em “L”, não é?! Vamos jogar?

– Ahn…

Quem joga mesmo xadrez sabe que este jogo é muito mais do que o simples movimentar das peças. É estratégia, surpresa, criatividade, constância.

Na vida às vezes nos falta um bom adversário de xadrez.

Tal qual a embarcação que se encontra na calmaria. Para quem não quer chegar em lugar nenhum, qualquer lugar basta. A calmaria é o paraíso. Mas para quem tem um rumo, o vento (e o vento forte), que poderia incomodar, é o que toca o barco. Tal qual um bom adversário.

De passagem pelos salões de beleza encontram-se adversários imaginários. Claramente se percebe que o que ocupa boa parte das preocupações de boa parte das freqüentadoras dos salões são a última fofoca do artista (?!) famoso, quem está no paredão do Big Brother, a crueldade do vilão da novela mais recente e assuntos afins. São adversários artificiais, criados para apenas entreter e distrair. Apenas sabem mover as peças.

De passagem pelos hospitais encontram-se adversários poderosos. Claramente se percebe que o que ocupa boa parte das preocupações de boa parte dos freqüentadores dos hospitais são as doenças e as adversidades por vezes intransponíveis, impossíveis de serem totalmente superadas. São adversários superiores, joga-se sabendo que é apenas uma questão de tempo para a vitória alheia. Chega-se à vezes a pensar em abandonar a partida.

De passagem pelas igrejas encontram-se adversários trapaceiros. Claramente se percebe que o que ocupa boa parte das preocupações de boa parte dos freqüentadores das igrejas estão presentes em orações sussuradas ou aos berros que pedem que magicamente o desemprego, o vício, a doença e o conflito desapareça. São adversários que, por não seguirem regras justas, dão o direito de soluções rápidas e fáceis para eliminá-los. Só importa a vitória, não a partida.

Procura-se um adversário que seja real, eqüânime e justo. Que represente um desafio e não um obstáculo. Que use estratégia, surpresa, criatividade, constância. Enfim, que faça a partida valer a pena. Mesmo que se perca no final.

Alguém se habilita?

mala-man

14, março 14UTC 2007 às 1:29 pm | Publicado em marcelino pão & suco | 1 Comentário

Mais uma do Marcelino. Esta é uma velha piada de sacristia.

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(Clique na imagem para ampliá-la)

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