peixe pequeno, peixe grande

23, março 23UTC 2007 às 8:50 pm | Publicado em curitiba | 8 Comentários

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Uma das minhas fortes lembranças que tenho da infância é ir fazer compras com a família no supermercado Mercadorama. Desde que me conheço por gente a rede Mercadorama foi crescendo e se fortalecendo. Tratava-se de uma empresa paranaense, curitibana e dava um certo orgulho vê-la crescer diante dos olhos. Tratava-se. Foi vendida para a rede portuguesa Sonae e, mais recentemente, para a Wal-Mart, cujo dono é o milionário mais milionário do mundo. Hoje o Mercadorama só tem o nome do supermercado de minha infância.

São incontáveis os casos recentes de empresas grandes (de preferência multinacionais) adquirindo empresas pequenas e médias brasileiras. Cito dois casos recentíssimos: os chocolates Garoto que agora podem ser da Nestlé e a Matte-Leão que passa a ser da Coca-cola.

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Na segunda visita do Dalai-Lama ao Brasil (quando ainda não era conhecido do grande público; mais do que um autor de best-sellers ele era um líder espiritual de um povo), a sua santidade passou por Curitiba e falou para um público aberto na Pedreira Paulo Leminiski. Em defesa da libertação do Tibet e defendendo interesses locais, a organização não vendia refrigerantes da família Coca-cola e nem cerveja. Líquido só havia Matte-Leão. Porque esta bebida era local e não estava atrelada aos interesses multinacionais. Hoje não sei qual bebida acompanharia as palavras do Dalai-Lama aqui em Curitiba.

Tom Zé comentou certa vez um uma entrevista que hoje todo nós, direta ou indiretamente, sem excessão, trabalhamos para umas seis grandes empresas mundiais, não mais que isto. Parece que ele está com a razão.

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Mas, por enquanto, a História não tem ponto final. Quem sabe o que vem daqui pra frente?

Peixes pequenos do mundo, uni-vos!

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O inspirado desenho é do romeno Pavel Constantin.

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8 Comentários »

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  1. Olá.
    Obrigado pela visita e pelo link.
    Trago também comigo a lembrança do Mercadorama, da Garoto na Kennedy, da Refrigeração Prodócimo, e tantas outras. Mas, os tempos são outros e as fusões e aquisições são um movimento natural da economia mundial.
    Infelizmente o Brasil abandonou o sistema federativo e centralizou enormemente o poder, agigantando o intervencionismo e o tamanho do Estado, que necessita cada vez mais de recursos para se manter andando. E é isso que empobrece a população e as empresas, que não suportam sustentar esse imenso elefante branco encastelado em Brasília.
    Deve ter sido um alívio para essa família se livrar da empresa, já que passaram cem anos trabalhando para sustentar governos incapazes, lutando contra leis trabalhistas inconseqüêntes e carga tributária escorchante.
    Com esse cenário retrógrado baseado em ‘distribuição de renda’ ao invés de incentivar a ‘geração de renda’ via produção e geração de empregos, o que automaticamente aumentaria o consumo e o tamanho das empresas, continuaremos a ver nossas empresas sendo compradas pelos estrangeiros, e nunca o contrário.
    E assim vamos levando.
    Obrigado de novo.
    Abs
    JG

  2. Zerois? Eu acho que consigo alguma desabilidade para entrar nessa – nada – seleta categoria. Coisas como uma capacidade incrivel de ser prolixa, ou de colocar o cotovelo direito no ombro esquerdo.(não tente isso em casa, seu ortopedista não vai gostar rs).

    É existe algumas coisas em torno da água que ainda me espantam. Des-salinização da água, por ex, ainda é cara mas com algum investimento nossos cientistas podem fazer muito bem. Tenho certeza.

    Acho que o problema é que quem tem dinheiro não tem muita inteligencia para outra coisa que não seja ganhar dinheiro e fazer guerra…

    beijos

  3. É a lei do mais forte?!

  4. João Germano, certo que você entende mais de economia do que eu. Mas essa história de crescer o bolo para poder dividí-lo melhor sempre me pareceu uma maneira de cada um pegar pedaços maiores. Não sei, o atual modelo neoliberal é necessariamente excludente, alguém sempre fica só com migalhas (e olhe lá).

    Marcela, dinheiro e inteligência não vêm necessariamente juntos, você tem razão. O velho Ser e Ter.

    Ângelo, dá para ler quase como “Darwinismo Social”.

  5. Belo post. De fato, creio que os economistas esquecem de algo quando comparam o Brasil com outros países como se o cenário fosse igual a todos. Não há igualdade nem aqui, nem na China, para que se diga que o problema está com alhos ou bugalhos.

    Ora, economias de bem estar vão muito bem, na Europa. E os EUA, que encabeçam o neoliberalismo no mundo, são o país com MAIOR NÚMERO de funcionários públicos. Em outras palavras, para haver um liberalismo forte, deve haver regulação forte, e essa regulação, nos EUA, não provém apenas e simplesmente da mão livre do mercado… há algo que a suporta, a mantém.

  6. Concordo com você nas suas duas afirmações.
    E concordo também com o Catatau. Regulação forte eu entendo como Judiciário atuante, ágil e independente. E em um sistema centralizado isso não é possível.
    Não entendo quase nada de economia, mas sou um observador e gosto muito de História do Brasil, e para entendê-la melhor acabei por estudar História de outros países.
    E assim, observo que todos os países do mundo que mantiveram-se como Estados Federais, ou seja, mantiveram o governo descentralizado concedendo autonomia administrativa, judiciária e tributária aos seus estados e municípios, são os que se tornaram as maiores economias do planeta e com os melhores índices de qualidade de vida (IDH).
    Claro que problemas existem. É inerente ao ser humano e à sociedade.
    Infelizmente esse assunto geralmente vira praça de guerra e não quero fazer isso aqui no seu espaço, que é tão agradável, mas eu poderia perguntar aos que são contra as comparações e ‘americanófobos’: Será que Austrália, Áustria, Alemanha, Canadá, Espanha, Japão, Suíça, EUA e outros, foram todos agraciados com o toque de uma varinha de condão de alguma boa fada-madrinha, ou será que sua riqueza é resultado da enorme coincidência de que todos são federalistas, ou seja, são Federativos?
    Só o Brasil (que é Federativo só no nome!)está certo, e todos os outros errados?
    Isso vai virar confusão e, desde já, peço desculpas.
    Abs
    JG

  7. Essa discussão daria pano pra manda e poderia levar a uma boa confusão, realmente.

    Talvez o espaço do blogue não comporte a dimensão deste problema.

    Mas vê-se que é um problema e, frente a ele, fundamentalmente não podemos ficar de espectadores.Por isso o apelo final do post aos peixes pequenos…

  8. Isso mesmo.
    Desejo a você e aos seus uma super Páscoa.
    Se você ou alguém tiver interesse em continuar esse assunto, eu tenho no meu blog uma página sobre Federalismo. Ela ainda é pequena, mas se quiserem conhecer é só clicar em:
    http://germanocwb.wordpress.com/federalismo/
    Obrigado
    Abs
    JG


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