nãoCity

23, abril 23UTC 2007 às 11:11 am | Publicado em cotidiano | 4 Comentários

simcity.jpg

A primeira vez que conheci uma megalópole foi em 1994. E a impressão que tive de São Paulo foi extremamente lúdica. Não que eu tenha achado a cidade engraçada ou tenha ido ao Playcenter. Foi justamente o contrário.

Explico.

Nesta época no bom e velho 386 lá de casa jogava-se muito um joguinho de estratégia chamado SimCity 2000. Não, não era o jogo do gibi do Frank Miller que recentemente virou filme (este é o Sin City), mas uma simulação de prefeitura: seu objetivo era criar uma cidade a partir mínimos recursos e administrá-la para que ela se tornasse grande (leia-se enorme) e arrecadasse muitos impostos e pudesse se manter economicamente.

O jogo não era muito difícil, mas era interessante. Com um pouco de paciência, logo a sua cidade tinha incontáveis quadras com prédios, fábricas, usinas de energia e alguns parques para disfarçar. E impostos suficientes para fazer o que se quisesse com a cidade. O curioso é que quando a cidade já estava suficientemente grande (e a graça do jogo já começava a ir embora) o procedimento era chamar catástrofes naturais (como enchentes, incêndios, acidente aéreos e até monstros espaciais) e divertir-se tentando controlá-las.

Pois bem, quando vi São Paulo do alto de um edifício eu vi mesmo foi SimCity. Para o lado que eu olhasse haviam quarteirões com prédios altos a perder de vista. Até o horizonte. Era uma cidade grande a espera de uma catástrofe.

Ainda quando visito São Paulo fico com esta forte impressão. E quando leio que pela primeira vez a população urbana supera a rural no mundo percebo que estamos no caminho errado. Não há economia, mobilidade, infra-estrutura, distribuição de alimentos, qualidade de vida e níveis aceitáveis de poluição (existem níveis aceitáveis?) que co-existam adequadamente com grande cidades.

São Paulo, Laos, Tóquio, Nova Iorque, Cidade do México. Por mais diferentes que sejam entre si, as megalópoles são como o mercado de telemarketing. Ninguém gosta, mas cada vez cresce mais.

Talvez esteja na hora do mundo jogar SimFarm.

4 Comentários »

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  1. já joguei mto simcity, e simfarm também!

  2. Sim Farm… bem pensado!

    Morar em cidades em si não é um problema. O problema é que a partir de um certo tamanho a cidade se torna um problema. (sim, tenho um vocabulário riquissimo rs).

    Por outro lado morar na fazenda também pode não ser uma solução. Morei em uma cidade minuscula até os 13 anos e em outras um pouquinho maiores, mas ainda bem pequena até os 17, quando mudei para Londrina. Sabe o que isso significa? Não ter acesso a cinema, a videolocadora, a biblioteca, a bons médicos… a arte.

    Cidades grandes demais não me atraem. Mas cidades muito pequenas podem não ser o melhor investimento a longo prazo (a não ser que exista nela a infra estrutura necessária…)

    beijos, e adorei o post

  3. É Marcela, o que mais ouço de queixa das pessoas que moram nas cidades pequenas é justamente isto, o acesso à cultura.

    Ao menos a internet tem chegado a muitos cantos outrora impensáveis…

  4. ouvi um pessoal da CPT dizer que se somarmos as 27 maiores propriedades do Brasil, dá o tamanho de Paraná e São Paulo juntos (!)

    um tanto ressonante com o fato do pessoal estar nas cidades


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