a negação do Neguinho

30, maio 30UTC 2007 às 12:05 pm | Publicado em cotidiano | 9 Comentários

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Provavelmente você já deve ter ouvido (lido ou visto) algo sobre o projeto que a BBC Brasil está realizando: Raízes Afro-Brasileiras. O projeto é baseado nos estudos do geneticista Sérgio Pena da UFMG e entre outras coisas, traça o perfil genético de alguns negros brasileiros famosos (entenda como a testagem acorre aqui).

Os resultados tem sido muito interessantes. A camiseta amarela aí de cima, por exemplo, serviria exatamente para o Neguinho da Beija-Flor! A maior parte dos genes do Neguinho é branquinha!

O que nos faz pensar. Técnicas como esta facilitariam (ou dificultariam) uma barbaridade o ingresso na universidade pelo sistema de cotas. Caso, é claro, abríssemos mão do sujetivo fenótipo pelo objetivo genótipo, o que deixaria muito Neguinho e negão de fora.

E como seria o perfil genético de outros famosos? Aposto que a parte européia da Glória Maria é o cabelo, com aquela horrível chapinha de sempre. E fico sentindo falta do contrário. Qual é a porcentagem negra do Alemão do BBB? E do branquelo do Tiago Lacerda?

Todos guardamos em nós mesmos a diversificada ancestralidade intercontinental do brasileiro. Além de guardarmos também muitos genes em comum com a maioria das espécies animais vivas. O que nos torna necessariamente parentes de todo mundo e de todo o mundo. E olha que São Francisco de Assis já chamava todos de irmãos bem antes do Mendel entrar para a sua congregação…

Tomara que, mais fácil do que tolerar nossas diferenças, seja agora acolher nossa igualdade.

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meandros

28, maio 28UTC 2007 às 5:30 pm | Publicado em meandros | 2 Comentários

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Foto da virginaz, indicação do catatau.

 

Sem grandes atualizações. Afinal,

Águas paradas são mais profundas.

monstro niilista X cartunistas

27, maio 27UTC 2007 às 10:16 am | Publicado em desenhos | 2 Comentários

Essa só vai entender quem lê a Gazeta do Povo e o blog do Bennet.

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macanudo

26, maio 26UTC 2007 às 4:05 pm | Publicado em desenhos | 3 Comentários

Eu era estudante de Psicologia quando conheci o Uruguai pela primeira vez (depois eu não o conheci mais, foi só uma vez). Nesta ocasião conheci também uma palavra nova em espanhol: “macanudo”. Até não hoje saberia dizer exatamente o que significa, mas sei que o povo de lá sempre abria um largo sorriso quando eu dizia no meu portunhol macarrônico:

– Los uruguayos son muy macanudos!

Anos mais tarde descobri que “macanudo” também era o nome da obra de sucesso de um quadrinista não uruguaio, mas argentino, o Liniers. Ele é muito bom e está em pé de igualdade com qualquer grande nome das histórias em quadrinhos atuais!

Como seu trabalho infelizmente ainda não saiu no Brasil, só podemos conferir seus desenhos e textos pelo seu blog e pelo seu recém-lançado (e espetacular) site.

E para relembrar os velhos tempos e provocar (no bom sentido) os alunos dos meus novos tempos, segue uma tirinha macanuda:

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o jacaré, a pracinha e a bicicleta

24, maio 24UTC 2007 às 3:47 pm | Publicado em curitiba | 10 Comentários

A atual administração da cidade de Curitiba está indo na contramão da história e da comunidade. Depois da decisão de retirar os populares jacarés do parque Barigüi (até agora os jacarés estão levando a melhor, escaparam a todas as armadilhas armadas para eles), resolveram dividir ao meio a tradicional pracinha do Batel para facilitar o trânsito. O trânsito de automóveis, é claro.

Vai na contramão da história porque Curitiba em 1972 foi pioneira ao criar o primeiro calçadão do Brasil, fechando para os automóveis a rua XV de novembro, a mais movimentada do centro da cidade. Hoje a rua é um exemplo para o mundo e é nela que os curitibanos puderam estabelecer a marca da cidade mais rápida das Américas quando o assunto é andar a pé. O que deu na prefeitura para agora retirar o espaço dos pedestres para dar lugar aos automóveis?

Vai na contramão da comunidade pois se priorizam carros (posse de uma minoria) em detrimento das pessoas. A praça Miguel Couto (este é seu nome oficial, confira sua localização aqui) está na memória afetiva de muitos curitibanos e a discussão de sua dissolução tem sido muito acirrada, como bem mostrou o blog do pedaleiro. Não é porque a praça se encontra em um bairro nobre (leia-se rico) que os carros devem ter preferência sobre as pessoas. Durante as obras, por exemplo, e provavelmente também depois, a tradicional feira que ocorre por lá, assim como as floriculturas, desaparecerão. O que deu na prefeitura agora para trocar frutas e flores por buzinas e fumaça?

Nunca se vendeu tanto carro. Nunca tantos morreram por acidentes de automóvel. Assim como a vida do fumante (que mata a prazo a si mesmo e quem está ao seu redor) está cada vez mais difícil, por que facilitar para o motorista (que mata a si mesmo a vista e a quem está ao seu redor)?

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Ah, mas nem tudo está perdido na capital ecológica (social, da gente, sorriso?). O SESC da Esquina, por exemplo, está desenvolvendo agora o projeto Pedal´alma. Seu espaço inteiro transpira a cultura da bicicleta, com exposições fotográficas, de bicicletas antigas, de filmes, de música tocada por ciclistas enquanto pedalam e de pinturas em quadros, escadas e paredes. Vale muito a pena dar uma conferida e valorizar o meio de transporte que não polui, exercita e deixa o usuário feliz.

Falando em bicicleta, para quem está na dúvida de migrar do carro para bicicleta, vale muito a pena esta reportagem da revista Go Outside sobre o tema (dica do apocalipse motorizado).

E quem quiser reinvindicar seu espaço de ciclista nas ruas, neste sábado tem bicicletada saindo do pátio da Reitoria às 9h30min.

Bicicleta não é (só) brinquedo. Pode ser uma boa solução para uma Curitiba que não anda não contramão.

na compania do lobo solitário

23, maio 23UTC 2007 às 11:10 am | Publicado em literatura | 3 Comentários

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Poucas coisas são tão poderosas nessa vida como uma boa história bem contada. E o mangá do Lobo Solitário (como já comentei aqui) é uma das melhores histórias que já li.

Encerradada a leitura dos 28 volumes (que com prazer exibo em minha estante), mais de 9 mil páginas e dois anos e meio de espera pela sua conclusão, fica a impressão que pouquíssimos quadrinhos (no oriente e no ocidente) chegaram ou chegarão ao pé do que foi a saga do Lobo Solitário. Tenho lido outros mangás do mesmo roteirista Kazuo Koike (como Yuki e Crying Freeman) mas, embora saiam da mesma fonte, passam longe da qualidade de sua obra-prima.

Há uma versão futurista americana (o Lobo Solitário 2100) que foi publicada sem o consentimento dos criadores e que deve ser muito ruim, querendo apenas embarcar no sucesso do original. E está saindo no Japão a continuação oficial da trama do Lobo com o mesmo roteirista, mas um desenhista diferente (já que o Goseki Kojima, o primeiro desenhista faleceu em 2000): confira sobre esta nova versão aqui e um veja um preview aqui, que continua exatamente onde a história parou. Mas, repito, duvido que chegue aos pés da série original.

Quem leu a obra toda pode se sentir um privilegiado. Se você não é um desses, está dada a dica. Procure a obra nas gibitecas e gibiterias. Ou, bem conversadinho, quem sabe até mesmo eu não empresto?

um negócio

22, maio 22UTC 2007 às 10:30 am | Publicado em educação | 5 Comentários

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Tira do genial Quino.

Já ouvi diversas vezes por aí que a Educação é, ao mesmo tempo, um bom negócio e um negócio bom. Não é de hoje que os fundamentos capitalistas estão intimamente inseridos no ensino formal, embora o FHC e o Paulo Renato tenha dado uma força enorme neste sentido ao proporcionarem a explosão de cursos de graduação e de pós-graduação no Brasil a partir da segunda metade dos anos 90. Se isto teve seu inegável lado positivo ao aumentar consideravelmente o número de jovens no Ensino Superior, talvez não se possa falar o mesmo, algumas vezes, da qualidade superior deste ensino.

O problema em tratar a Educação como negócio é que assim o aluno torna-se cliente. E, como todos sabem, o cliente tem sempre a razão. Ou seja, é o aluno que passa a ditar o que deve ocorrer e não o professor, subvertendo o processo clássico.

E disso passamos desde a indiferença e desrespeito dos alunos no Ensino Fundamental onde o professor é visto como funcionário do pai que paga a mensalidade até… como é mesmo aquela velha piada sobre o Ensino Superior? O aluno quer adquirir um diploma e a faculdade quer fornecê-lo: o professor é quem acaba atrapalhando tudo.

Sim, sou professor universitário e afirmo que boa parte das Instituições de Ensino Superior (IES) privadas quer realmente oferecer uma educação de qualidade e realmente oferece! A IES em que trabalho (graças! não posso reclamar) felizmente se inclui nesta categoria. O que faz a diferença é a valorização do professor. O profissional tem seu trabalho reconhecido e lhe é atribuído o merecido crédito. Uma pena é que existam IES onde é o aluno quem manda e há menos pesar na substituição de um professor com anos de casa do que na perda de um aluno no início do curso.

É claro que aluno deve ser ouvido. Mas a orientação do curso deve ser mais pautada pela coordenação pedagógica do que pelo pessoal do marketing. Afinal, assim como professor não deve ver o aluno como um amigo (isto é até desejável, mas em outro contexto), não deve vê-lo também como um cliente. Ele é cliente da IES que freqüenta, assim como o professor é funcionário da mesma IES. A relação, portanto, não é e não deve ser direta no que tange ao contrato financeiro. E, preferencialmente, deve ser direta no contrato pedagógico.

Caso contrário, uma aula fica parecendo uma venda. E numa venda o consumidor só compra o que quer e se não gostar tem todo o direito de reclamar para o PROCOM. E aí vai embora toda e qualquer exigência e disciplina que auxiliaria num verdadeiro processo de formação. E outra: o consumidor fica esperando o conhecimento chegar até ele, quem deve se esforçar é o vendedor que está fornecendo o produto e não quem está comprando, afinal, está pagando.

Usando a feliz terminologia do Paulo Freire, esta é a tão (mal) falada educação bancária. Mais tradicional que qualquer caixa de aveia. Se a Educação continuar a ser tratada como a transferência de conhecimento de uma conta para a outra, quem é que paga o CPMF?

alerta: este blogue é saudável!

17, maio 17UTC 2007 às 8:17 am | Publicado em desenhos | 2 Comentários

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qwert

16, maio 16UTC 2007 às 2:18 pm | Publicado em marcelino pão & suco | 4 Comentários

Baseado em fatos reais.

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(Clique na imagem para visualizá-la melhor.)

o papa não é pop

14, maio 14UTC 2007 às 10:56 pm | Publicado em cotidiano | 4 Comentários

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Agora que o papa já foi embora, podemos fazer um breve balanço de sua visita e do que isto contribuiu para o Brasil e para a Igreja Católica no Brasil.

Penso que pouco. O que mudou foi que o frei Galvão agora pode ser venerado nas celebrações (o rapaz na placa deveria dizer “roga por eu, Galvão”, mas preferi não perder a piada) e que a a Conferência Geral do Episcopado da América Latina (que ele apenas fez o favor de abrir) pode dar novos rumos ao trabalho pastoral.

No mais, nenhuma novidade. Irritava ver a imprensa a toda hora dizer que o papa condenava o aborto e a camisinha. Quando ele falava ou quando deixava de falar disso era essa sempre a mesma manchete. O que esperavam? Que o maior representante da Igreja resolvesse mudar de opinião justamente quando estava viajando? E pior são os comentários: “se a Igreja fosse mais aberta (entenda-se aceitar o aborto e a camisinha) haveriam mais fiéis”. Ué, a religião que mais cresce no mundo (a muçulmana) não é exatamente um exemplo de abertura…

Se o Brasil não mudou muito com o papa, tenho a impressão que o papa talvez tenha mudado um pouco com o Brasil. Não é todo dia que se vê um alemão doutor em teologia carrancudo que trabalhava na Congregação para Doutrina da Fé soltar risos soltos.

Alguém duvida que Deus é brasileiro?

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