o jacaré, a pracinha e a bicicleta

24, maio 24-03:00 2007 às 3:47 pm | Publicado em curitiba | 10 Comentários

A atual administração da cidade de Curitiba está indo na contramão da história e da comunidade. Depois da decisão de retirar os populares jacarés do parque Barigüi (até agora os jacarés estão levando a melhor, escaparam a todas as armadilhas armadas para eles), resolveram dividir ao meio a tradicional pracinha do Batel para facilitar o trânsito. O trânsito de automóveis, é claro.

Vai na contramão da história porque Curitiba em 1972 foi pioneira ao criar o primeiro calçadão do Brasil, fechando para os automóveis a rua XV de novembro, a mais movimentada do centro da cidade. Hoje a rua é um exemplo para o mundo e é nela que os curitibanos puderam estabelecer a marca da cidade mais rápida das Américas quando o assunto é andar a pé. O que deu na prefeitura para agora retirar o espaço dos pedestres para dar lugar aos automóveis?

Vai na contramão da comunidade pois se priorizam carros (posse de uma minoria) em detrimento das pessoas. A praça Miguel Couto (este é seu nome oficial, confira sua localização aqui) está na memória afetiva de muitos curitibanos e a discussão de sua dissolução tem sido muito acirrada, como bem mostrou o blog do pedaleiro. Não é porque a praça se encontra em um bairro nobre (leia-se rico) que os carros devem ter preferência sobre as pessoas. Durante as obras, por exemplo, e provavelmente também depois, a tradicional feira que ocorre por lá, assim como as floriculturas, desaparecerão. O que deu na prefeitura agora para trocar frutas e flores por buzinas e fumaça?

Nunca se vendeu tanto carro. Nunca tantos morreram por acidentes de automóvel. Assim como a vida do fumante (que mata a prazo a si mesmo e quem está ao seu redor) está cada vez mais difícil, por que facilitar para o motorista (que mata a si mesmo a vista e a quem está ao seu redor)?

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Ah, mas nem tudo está perdido na capital ecológica (social, da gente, sorriso?). O SESC da Esquina, por exemplo, está desenvolvendo agora o projeto Pedal´alma. Seu espaço inteiro transpira a cultura da bicicleta, com exposições fotográficas, de bicicletas antigas, de filmes, de música tocada por ciclistas enquanto pedalam e de pinturas em quadros, escadas e paredes. Vale muito a pena dar uma conferida e valorizar o meio de transporte que não polui, exercita e deixa o usuário feliz.

Falando em bicicleta, para quem está na dúvida de migrar do carro para bicicleta, vale muito a pena esta reportagem da revista Go Outside sobre o tema (dica do apocalipse motorizado).

E quem quiser reinvindicar seu espaço de ciclista nas ruas, neste sábado tem bicicletada saindo do pátio da Reitoria às 9h30min.

Bicicleta não é (só) brinquedo. Pode ser uma boa solução para uma Curitiba que não anda não contramão.

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