a negação do Neguinho

30, maio 30UTC 2007 às 12:05 pm | Publicado em cotidiano | 9 Comentários

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Provavelmente você já deve ter ouvido (lido ou visto) algo sobre o projeto que a BBC Brasil está realizando: Raízes Afro-Brasileiras. O projeto é baseado nos estudos do geneticista Sérgio Pena da UFMG e entre outras coisas, traça o perfil genético de alguns negros brasileiros famosos (entenda como a testagem acorre aqui).

Os resultados tem sido muito interessantes. A camiseta amarela aí de cima, por exemplo, serviria exatamente para o Neguinho da Beija-Flor! A maior parte dos genes do Neguinho é branquinha!

O que nos faz pensar. Técnicas como esta facilitariam (ou dificultariam) uma barbaridade o ingresso na universidade pelo sistema de cotas. Caso, é claro, abríssemos mão do sujetivo fenótipo pelo objetivo genótipo, o que deixaria muito Neguinho e negão de fora.

E como seria o perfil genético de outros famosos? Aposto que a parte européia da Glória Maria é o cabelo, com aquela horrível chapinha de sempre. E fico sentindo falta do contrário. Qual é a porcentagem negra do Alemão do BBB? E do branquelo do Tiago Lacerda?

Todos guardamos em nós mesmos a diversificada ancestralidade intercontinental do brasileiro. Além de guardarmos também muitos genes em comum com a maioria das espécies animais vivas. O que nos torna necessariamente parentes de todo mundo e de todo o mundo. E olha que São Francisco de Assis já chamava todos de irmãos bem antes do Mendel entrar para a sua congregação…

Tomara que, mais fácil do que tolerar nossas diferenças, seja agora acolher nossa igualdade.

9 Comentários »

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  1. e agora? como criar as ‘ações afirmativas’? Talvez isso sirva como lição para adotarem critérios sócio-econômicos, ao invés de raciais.

  2. Eu adoro isso… tem uma entrevista do Chico Buarque em que ele fala da mania brasileira em omitir a presença de negros e indios na familia. Achei muito interessante a forma como ele construiu o argumento (só não acho que sirva de justificação para a falta de preconceito, acredito que preconceito é algo que não deve existir mesmo que vc seja 100% europeu ou 100% negro ou 100% nipo ou…). Era algo mais ou menos assim: “em especial as familias “quatrocentonas” que se gabam por serem tradicionais e fomentam ainda mais preconceitos acho dificilimo achar entre estas alguma que não tenha nem negros nem indios. É só fazer as contas… são 2 pais, 4 avos, 8 bisavos e 16 tataravos. Não tinha tanto português assim no Brasil colonial para que todo esse povo fosse descendente de europeu…”

    Achei bem interessante esse argumento, pois nunca havia pensado por este angulo.

    Adorei as camisetas!!!!! Só faltou uma para Londrina com um “25% niponico” rs, já que 25% da população aqui ou é japonesa ou nipodescendente… rs

    Quanto as cotas, o Catatau disse tudo.

    beijos

  3. É verdade, Marcela. Esqueci dos japas… Mas pode deixar que já estamos encomendando seu modelo de camiseta, heehhe
    E o argumento do Chico mostra-se bastante correto a partir dos estudos do Sérgio Pena não só em relação aos famosos, mas tb com os anônimos que participaram das pesquisas…

  4. o grande problema ao meu ver é que as diferenças ainda não foram toleradas. Pelo menos não pela maioria… e muitos que relutam a aceitar essas diferenças relutarão a aceitar que são iguais a todos.

    Infelizmente.

    Um grande abraço, ótimo texto!

  5. Caramba, meu!! Boa sacada! ficou legal a charge! Eu ví seu monstro niilista – ficou bm tb. E já que estou aqui, está convidado a conhecer meu blog! Sempre tem umas charges, cartuns e tiras por lá! Valeu!

  6. E eu, sou o que será?
    Hehehe!

  7. Bah, acho engraçado que as pessoas não tem concepção desta mestiçagem no seu dia a dia… Olha o que aconteceu comigo na quinta. Estava na academia conversando com duas amigas. Uma delas gosta de pagode e a outra falou “vc tem um pezinho na senzala, hein?”. Nisso um guri negro lá da academia passou ao lado e elas ficaram sem graça, e eu não consegui entender porquê… na minha concepção todo brasileiro tem um “pezinho na senzala” (mesmo que seja filo de holandeses, afinala nossa cultura é mestiça, se não tá no “sangue” tá na fala, tá na comida, tá na ginga… somos mestiços pelos genes e pela cultura).

    O mais engraçado é que para mim isso é tão cotidiano, tão certo, e eu fiquei tão perplexa com a postura delas, que no momento não conseguia nem explicar a minha possição… fiquei totalmente boba.

    Só passei para dizer isso… e para dizer que vi uma fotinho tua em um site por ai ahahhaha

    bjo

  8. 15% negro foi ótimo! aihaihaiua!

  9. Muito bom, gostei do texto e dos argumentos…vou seguir!


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