aí vem o Chavez

6, junho 06UTC 2007 às 10:34 am | Publicado em cotidiano | 5 Comentários

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Ok. Vamos lá.

Depois do presidente venezuelano Hugo Chavez não renovar a concessão da RCTV e de uma semana de muita polêmica, acusações e papagaiadas, não tomei uma posição clara sobre este assunto.

Conheço a Venezuela (e a RCTV) apenas de ouvir falar. Ou seja, não conheço. Qualquer opinião pessoal seria, no mínimo, sem fundamento suficiente. E se por um lado a atitude do governo pode ser entendida como um cerceamento à liberdade de imprensa ao calar uma voz oposicionista, por outro lado concessões de TV são públicas e o Estado está no direito de renovar (ou não) se entender que a emissora realmente presta serviço (ou não) à população.

Dizem que a RCTV representava a opinião de uma elite venezuelana (que vive em Miami) e que apoiou, por exemplo, o mal sucedido Golpe de Estado que tentou derrubar o presidente em 2002. Mas, retirando o lado político, não ouvi ninguém dizer da qualidade da programação…

Olhemos para este argumento e para o que bem conhecemos. Já pensou se o Lula não renovasse a concessão da Globo? Que sonho!

Retirando o lado político (se você ainda não viu o famoso documentário da BBC “Além do Cidadão Kane“, sobre o lado negro da Globo, veja!), a Globo não mereceria ficar no ar pelo seu padrão de qualidade. Imaginemos (sonhemos!) alguém sentiria falta dos comentários da Mírian Leitão ou do Arnaldo Jabor? Das confusões da Sessão da Tarde? Das novas velhas receitas da Ana Maria Braga? Das previsíveis entrevistas do Jô? Da auto-referência do Vídeo-Show? Do jornalismo Homer Simpson do William Bonner? Das novelas?

Bom, das novelas, sim. Muita gente sentiria falta. Mas isto até se desintoxicarem.

E nem digo que as pessoas precisariam ler um livro ou mudar para um canal pago. Poderiam, por exemplo, conversar (que tal?!) ou mesmo dar uma zapeada pelos canais da tv aberta.

Tem um, por exemplo, que tem programas com uma qualidade incrível, o Futura. Mas, peraí, o Futura não é produzido pela Globo? É. Sinal de que não querem colocar programas de qualidade de propósito, pois sabem fazê-los. A Rede Globo e o Canal Futura são uma espécie de “bate e assopra” das organizações do Roberto Marinho (que só faltou ser canonizado quando morreu e é o principal responsável pela imbecilidade no Brasil).

O argumento de sempre é o da audiência. O povo quer porcaria. Dá-se porcaria. O povo aprende a consumir porcaria. O povo continua querendo porcaria. Um velho círculo vicioso. O que se faz com um círculo vicioso? Quebra-se!

Que tal, Lula?

Repito, não custa sonhar. Um outro mundo é possível.

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