o som do silêncio

18, julho 18-03:00 2007 às 4:41 pm | Publicado em sem categoria melhor | 11 Comentários

“Stat crux, dum volvitur orbis”

Enquanto o mundo dá voltas, a cruz permanece. É o que diz o lema dos cartuxos, a mais severa congregação religiosa da Igreja Católica.

Na vida monástica, quase eremítica, os cartuxos raramente trocam palavras entre si. O trabalho e a oração são individuais, com excessão da celebração comunitária que ocorre pela manhã (muito depois de terem se levantado pela madrugada para rezar). A refeição comunitária só ocorre aos domingos. E em silêncio. Não comem carne e, duas vezes por semana, só pão e água. As notícias do mundo exterior são apenas aquelas selecionadas pelo abade. A visita (breve) da família ocorre apenas duas vezes por ano.

Muito severo? Pode ser. Mas o documentário alemão “No silêncio divino” (Die Grosse Stille – Em inglês: Into Great Silence) mostra como uma primeira impressão sobre um outro modo de vida pode ser muito equivocada. O diretor (sem equipe e sem iluminação artificial) registrou durante meses o cotidiano dos habitantes do mosteiro francês Grande Chartreuse, mergulhado no seu trabalho e sua espiritualidade.

Não se trata de um filme religioso. Mas as quase três horas de quase total silêncio falam mais de Deus do que qualquer sermão ou homilia aos berros que costumam freqüentar a televisão. O crepitar da chama do aquecedor, a martelada solitária, o ranger da tábua ao ser pisada, o ruído do cortador de cabelo. Cada som reveste-se de uma novidade impressionante.

Lamentavelmente este filme ainda não foi lançado no Brasil (seu lançamento europeu foi em 2005). E talvez nem seja. A única maneira de assistí-lo por aqui parece ser por um download no emule, que vai exigir uma paciência monástica (no mínimo uns 3 dias). Ou uma importação. Ou, bem conversadinho, posso emprestar minha cópia.

Agora, quem quiser acompanhar ao vivo a vida dos monges cartuxos vai ficar querendo. Existe um mosteiro em Ivorá, no Rio Grande do Sul, mas eles não admitem visita. Então, das duas uma: ou entra como vocacionado, ou tente uma ordem monástica menos rígida (mais light?) como os beneditinos ou os trapistas.

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