as sacolas que enchem o saco

27, setembro 27UTC 2007 às 6:08 pm | Publicado em cotidiano | 13 Comentários
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Não é de hoje a discussão sobre o que fazer com as sacolas plásticas. Depois que os supermercados substituíram os recicláveis e biodegradáveis sacos de celulose pelas anti-ecológicas sacolinhas feitas de petróleo a natureza nunca mais foi a mesma e a solução está mais difícil do que pode parecer.

As sacolas plásticas que vão para o lixo comum não se decompõem. Ao menos não em um tempo aceitável. Se o Pedro Álvares Cabral tivesse trazido suas compras de Portugal em sacolas plásticas, só agora elas estariam se desmanchando de verdade. E o lixo, mesmo orgânico, que fica dentro delas também demora anos para apodrecer e virar adubo.

Agora existem as tais sacolas oxibiodegradáveis. Elas prometem se decompor no máximo em um ano e meio. Mas não se iludam: ela só esfarela, não se integra ao ambiente natural novamente. Ao invés de um pequeno problema, a sacola vira um milhão de minúsculos problemas que nunca mais vão conseguir ser reunidos.

Vamos dar nome aos bois. Aqui em Curitiba, todos os supermercados trabalham com a sacola tradicional e nenhum deles quis fazê-las nas várias cores diferentes para facilitar a coleta de lixo reciclável alegando um custo alto (seria tão alto assim?). Só o Condor trabalha com as oxibiodegradáveis. E o Festval tem uma loja na Cândido Hartmann com um caixa ecológico. O cliente trás de casa a caixa ou o carrinho de feira e volta com as compras sem as sacolas e sem as… embalagens! Nada mais ecológico: o lixo é destinado ao seu fim desde o supermercado.

Pessoalmente tenho feito assim: negado as sacolas toda vez que posso. Aí vale a mochila, bolsa, pochete (ainda vou escrever um post defendendo seu uso, já escrevi!), mala… O lixo orgânico tenho colocado na sacolinha oxibiodegradável (ao menos o conteúdo interno apodrece) e o reciclável nas sacolas normais.

Ainda não é o ideal, mas enquanto as sacolas não voltam a ser totalmente biodegradáveis (como já acontece na Califórnia), creio que é assim o jeito. Alguma sugestão melhor?

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13 Comentários »

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  1. Boa polêmica, esta. Por outro lado, como armazenar o lixo orgânico produzido em casa e depois deixá-lo na rua a espera do caminhão do lixo? Acho que aqui esta o cerne da questão. As sacolinhas são apenas o meio do descarte.

    Eu também recuso as sacolinhas, mas as do mercado ainda levo para casa, por motivos óbvios.

    Renato

  2. E você viu que interessante? O estado do Paraná (o nosso estado rs) discutiu no começo do ano a adoção das sacolas oxibiodegradaveis. Achei a discussão interessante não tanto pela adoção das ditas, mas porque trouxe para o grande publico a questão das sacolas: tornou mais gente consciente do problema e mais próximo de uma opção individual de diminuição de consumo.

    Eu também sempre que posso dispenso a sacola. E acho engraçado que muitos comerciantes enfiam sacolas em nós. Na padaria, por exemplo. Você compra alguns pães e eles são colocados em sacos de papel. Ok. Mas se você só comprou pão não tem necessidade de ele vir embalado também em uma sacola plástica. Se os donos destes pequenos estabelecimentos começassem a usar sacolas em casos como esses apenas quando o cliente pedisse, já seria uma economia e tanto!

    Outra coisa que acho que seria interessante era os fisioterapeutas começarem a trabalhar com prevenção de verdade, e fazerem sacolas para carregarmos compras de supermercados anatômicas. A lógica é simples: para quem faz compras a pé sabe que carregar sacolas é desconfortável. Se a outra opção fosse mais confortável e menos danosa a postura – além de ecologicamente correta – seria um bom incentivo para a troca.

    Beijos

  3. Renato, sobre a tua questão já existe uma discussão.

    A idéia é a seguinte: a pessoa ecologicamente consciente também optará por outras formas de descartar o lixo. Uma opção é usar sacos de lixo que sejam oxibiodegradaveis, por exemplo – o que ainda não é uma boa solução. Também pode-se optar por sacos maiores de lixo, gastando-se menos plástico para embalar o lixo.

    A melhor solução seria fazer compotostagem do lixo orgânico em casa. Assim, não será necessário embalar o lixo.
    Informações sobre:
    http://forum.plurall.org/archive/index.php/t-8757.html

    Um abraço 🙂

  4. Tenho certeza de que o tema é muito amplo e polêmico. Há problema no descarte do lixo orgânico, há problema com as sacolinhas. Pode-se dizer sobre o uso de sacos de papel, mas como ficam nossas arvores?
    Sobre as sacolas oxibiodegradáveis, alguém sabe sobre os metais pesados que são liberados neste processo de degradação?
    Sem comentar nos interesses das empresas de produção das metérias primas, por que não discute-se sacolas biodegradáveis, que é uma coisa bem diferente dos oxibiodegradáveis.
    Para que lê, o lixo no seu todo deve ser tratado de maneira muito séria, pois temos que dar um destino para tudo e precisamos reaproveitar ao máximo todo o lixo, sendo para proteger a natureza para várias gerações, seja economicamente, pois a geração de energia exigida na reciclagem é menor.
    Poderíamos aqui falar uma enormidade de assuntos e jsutificativas, mas a verdade é que precisamos aumentar nossa consciência ecológica, pois nas empresas é fácil o controle do “lixo”, mas nas nossas casas é muito complicado.
    Obrigado a todos que leêm esta citação.

  5. Represento um dos fabricantes mundiais da tecnologia oxibiodegradável no Brasil. Quanto à pergunta sobre os metais pesados, a tecnologia contém sais de transição, que são os prodegradantes que atuam no processo. Esses sais, dentre eles o cobalto (que não é um metal pesado e nem é cancerígeno)é usado, como outros, como micronutriente do solo. Temos laudo do TECPAR que atesta que não ocorre migração de nenhum componente do aditivo para embalagens plásticas produzidas com o aditivo. Convido a todos para visitarem o nosso blog http://www.gmcj.multiply.com.
    abs
    Michael Ktisti

  6. Hum… Michael, sinceramente não confio muito no blog que hospeda um vídeo intitulado “a farsa do aquecimento global”…

  7. O Fernando Bonoto dise que uso de sacos de papel acaba com arvores ,mal sabe que para a fabricação de celulose existem reflorestamento, que ajuda a combater o efeito estufa, a enriquecer o solo para a agricultura, absorver a água dentre outros inumeros beneficios.

  8. olá Meandros,

    RESPEITO A SUA OPINIÃO SOBRE O MEU BLOG.
    Queria lhe fazer uma pergunta. Vc se sente preparado para abraçar a teoria do aquecimento global de forma incondicional, mesmo sabendo que existem cientistas renomados que questionam a paranóica e tendenciosa unanimidade sobre o assunto? eu não me sinto. Prefiro olhar os dois lados e divulgar todas as tendências, desde que suportadas de forma consistente. Minhas cordiais saudações

  9. Michael,
    Não quero ser grosseiro. Mas às vezes temos que tomar partido. Evidente que é importante estudarmos bem os dois lados de uma questão para nos posicionarmos e emitirmos uma opinião sobre o assunto. Mas não dá para fazer isto com tudo. Hoje é humanamente impossível ser especialista em mais do que um assunto.

    Não sou um geneticista e nem um botânico para falar sobre transgênicos. Não sou jurista ou filósofo para falar sobre a pena de morte. Tampouco sou cientista político ou historiador para falar sobre a libertação do Tibet. Mas isto não me impede de ter uma opinião sobre tais assuntos.

    Posso estar profudamente equivocado em minhas opiniões, mas é um risco que corro.

    A dúvida é muito interessante, mas não podemos viver só de dúvidas. Há que se adotar um lado de vez em quando.

    Não sei se uma pessoa em coma consegue ouvir. Há fortes argumentos de ambos os lados. Mas, na dúvida vou conversar com ela.

    Talvez o aquecimento global não seja causado pelo homem. Mas, na dúvida, prefiro deixar o carro em casa do que ficar buscando argumentos contrários.

  10. Meandros
    Vc não foi grosseiro e peço desculpas a vc se aparentei ser em meu comentário. Vc foi coerente em sua resposta e não tenho nada a acrescentar. Com certeza tb acho que temos que cuidar do clima com ações pessoais dentro de nossas possibilidades. Eu penso apenas que aspectos políticos e pessoais, o que, na minha opinião existem nessa questão, precisam sofrer a resistência de idéias fundamentadas para que o resultado final se concentre na ciência pura.
    Saudações democráticas

  11. Ola,
    as sacolas oxibiodegradaveis, quando processadas de forma correta, pode ter o seu tempo de degradacao reduzido, isso nao significa dizer que elas vao se deteriorar completamente por 18 meses, quem disse isso deve estar superestimando esse dado importante. Por outro lado, esta mesma sacola pode ser reutilizada ou reprocessada em outras situacoes reduzindo assim o impacto ambiental.
    Existem diversos estudos sobre isso. So que as noticias nao sao muito bem divulgadas e por isso existem todo esse problema em torno das sacolas.

    Edilson Ferreira
    Professor de Quimica

  12. Michael,

    por favor me esclareça um detalhe acerca dos OXIBIODEGRADAVEIS… você mencionou que o aditivo não tem potencial carcinogênicico (o que duvido), mas e o plástico, o qual continua sendo fabricado a partir do petróleo???? Ele será degradado (é fotodregadar nesse caso?) e entrará em contato com lençol freático e solo, isso não causa risco à saúde???? Bem, espero que você tenha uma resposta bastante convincente para isso!

  13. […] as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes. Já dá preferência por alimentos orgânicos. Já não aceita sacolas plásticas facilmente. Já apagou a luz por uma hora. Será que não há mais nada na esfera individual para colaborar […]


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