homens e livros

5, outubro 05UTC 2007 às 5:49 pm | Publicado em curitiba, literatura | 4 Comentários

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Uma aluna, várias semanas atrás, veio com uma dica:

– A Livraria Guerreiro da rua XV está vendendo tudo pela metade do preço!

O que parecia ser uma boa notícia me deixou triste e me fez perguntar: o que estará pensando o Eleotério?

Explico.

Um, estava claro que a venda com 50% de desconto e a desculpa da “renovação de estoque” era um eufemismo para o fechamento da livraria. Mais uma tradicional livraria de rua de Curitiba que ia embora. Para quem gosta de livros, como não ficar triste?

Dois, o Eleotério é um dos habitantes da cidade que mais entende de livro. Trabalhou durante muitos anos na Livraria do Chain e, em minha modesta opinião, era o seu melhor vendedor. Depois montou a própria livraria, apropriadamente chamada de Livraria do Eleotério. Ela funcionou durante um bom tempo, mas as dívidas e o estado de saúde do livreiro (ambos originados principalmente devido a um assalto) obrigaram-no a fechar as portas. Mesmo a campanha feita pelos funcionários e amigos não foi suficiente para manter a livraria funcionando. Depois o Eleotério voltou a trabalhar no ramo sendo um dos vendedores da Livraria Guerreiro. Justamente esta que acaba de morrer. Para quem conhece a sua história, como não perguntar o que estará pensando?

Qual não é a minha surpresa quando, ao passar os olhos na última edição do Jornal Rascunho, não encontro justamente um artigo do Eleotério contando como ele tem percebido esta experiência?

Recomendo muito a leitura deste texto que traz também, entre outras coisas, importantes considerações sobre o papel do livro no Brasil. Com as quais concordo inteiramente.

4 Comentários »

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  1. É uma pena. Não cheguei a conhecê-la e também não conheço o Eleotério, mas não há como não ficar triste diante de perdas assim.

    Temos que elaborar o luto, hehe!

  2. É realmente uma tristeza ver uma livraria fechar, sabendo-se que o que pode melhorar o mundo é justamente a cultura e a consciência de seu povo. Parece preciosismo, mas não: – a famosa frase sobre o livro mudar as pessoas, citada por Eleotério como sendo de Monteiro Lobato, sempre mencionei como sendo do gaucho Mario Quintana. E, agora, numa busca relâmpago no oráculo (GOOGLE), aperece também o nome de Caio Graco. Enfim, depois a gente pesquisa mais. Abraço, Edu http://www.varejototal.zip.net

  3. Tudo relacionado a livro me interessa muito, não só por estar inserido neste mundo cultural do qual sobrevivo, como esta vontade de saber que todos temos.Realmente vivenciei este nascimento do livro em Curitiba, uma trajetória de um Chain, uma esperiência de uma “Eleotério” e a morte de uma das mais tradicionais que foi a Guerreiro.O porquê deu errado ou certo eu tenho os fatos reais vividos e para explicar em detalhes daria um livro que ficaria muito extenso colocá-lo aqui, mas em resumo, são percalços que temos que passar.Cada um cumpre sua missão, seu espaço, deixa sua marca.
    Não existe um frase ou mesmo um parágrafo que vá explicar um “Chain”, uma “Guerreiro”, uma “Curitiba”, tem toda uma história de muitos capitulos e páginas.Quando se faz uma leitura disto a gente constata de que o objeto livro está conquistando um espaço, o seu devido lugar no nosso dia a dia, a duras penas, mas está, FELIZMENTE!!!
    O produto livro tem de percorrer um trajeto, é um bem necessário que nunca foi e não é tratado como tal.Existem outras nececessidades que tem prioridades que se você começar enumerar dá um livro bem volumoso.Veja como cosumimos celular, carros, revistas, cigarro, bebidas alcólicas.Estes itens no Brasil,só para exemplificar brevemente nos colocam entre os dez maiore do mundo, mas quando vai medir a cultura ou mesmo a educação vamos lá para trás da fila, depois do cem.Esta é a tristeza, essa é a dor.Temos, cada um de nós, dizer até para nosso cachorrinho ou gatinho, que temos que ler, que livro existe, não existe educação sem a ferramenta livro.O que move o mundo é o dinheiro e o poder, um trás o outro.Nós que agora até podemos votar para presidente, nós que até achamos que somos uma potência(somos!?), nós que até somos autosuficiente em petróleo(quem diria!!),nós éramos uma colônia a cento e poucos anos, temos que dar tempo ao tempo, primeiro se levantamos, passamos a mão no cabelo, sentimos gente.
    Então por isso culturalmente o brasileiro se refestela primeiro com celular,carro, casa,comida e depois quando ele senta na sala percebe que além de toda a parafernália esta faltando algo na estante, o livro.Mas isto ocorre tardiamente, é uma pena.Cabe a nós bater nesta tecla, o livro.

  4. […] trindade do bem 31, dezembro 31e 2007 at 1:02 pm | In desenhos | Depois do belíssimo comentário do Eleotério e da trindade do mal, só me resta apresentar o que existe de bom para comprar em nossa sociedade […]


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