repare

12, janeiro 12UTC 2008 às 3:24 pm | Publicado em literatura | 8 Comentários
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5 anos atrás dei uma fuçada na biblioteca do hotel do camping em que eu estava. Por biblioteca do hotel, entenda como algumas dezenas de livros empilhados num quartinho esquecido. A grande maioria dos livros eram versões empoeiradas de títulos que nem os piores sebos aceitariam comprar. Havia, no entando, um exemplar novo de um autor desconhecido para mim (porém de uma boa editora) que resolvi dar crédito. Sem querer, foi a melhor coisa que fiz naquelas férias.

Em quatro ou cinco dias, solitário (mas feliz), li o livro todo. Que livro? “Reparação”, do escritor inglês Ian McEwan (se clicar no link, verá meu comentário da época no site da editora, tão empolgado que fiquei).

Que surpresa quando, procurando o que fazer nas férias atuais, encontrei a versão cinematográfica deste livro estreando. O filme se chama “Desejo e Reparação“. O que já não gostei de cara: por que não simplesmente “Reparação”, como no filme e no livro original em inglês? Talvez porque o diretor seja o mesmo de “Orgulho e Preconceito” e, como por aqui ninguém conhece o livro, talvez vá ao cinema pela semelhança do título com o filme anterior (e também com “Razão e Sensibilidade”, de outro diretor, mas do mesmo autor literário) . Fico pensando agora se o próximo filme do diretor Joe Wright for uma adaptação do romance “Melancia“? Vai se chamar como? “Banana e Melancia”?

Mas adianto que foi a única coisa que não gostei. Para ter uma idéia, antes de começar o filme percebi que finalmente estava realizando um sonho antigo: iria assistir um filme no cinema sozinho. Não sozinho sem companhia: sozinho sem mais ninguém na sala… Praticamente uma sessão particular! Eu já tinha tentado realizar este sonho antes, freqüentando filmes pouco famosos em horários alternativos nos cinemas da Fundação Cultural de Curitiba (o cine Luz e o saudoso cine Ritz), mas sempre aparecia um ou dois perdidos para estragar minha alegria. Agora que eu já tinha desistido faz tempo, realizo meu sonho sem querer ao freqüentar a primeira sessão da sexta-feira.

Com a vantagem de poder me espreguiçar sem culpa e fazer o barulho que quiser sem atrapalhar ninguém, daí em diante foi só alegria: foi um ótimo filme! Fidelíssimo ao livro, com soluções visuais e auditivas como nunca vi em uma adaptação. O leitor desavisado que comece ver “Reparação” (vou deixar o “Desejo” de lado) pode até pensar no início que é um filme arrastado e de mulherzinha, dado suas cores e diálogos iniciais. Mas, como no livro, o filme vai crescendo, muito bem amarrado por um ótimo enredo e edição, até o seu final surpreendente. Tá certo, as cenas da guerra me tiraram muito mais o fôlego no livro, mas o filme não fica muito atrás. “Reparação” merecia mais espectadores na sua estréia.

Bom, fica aí a dica de duas boas obras. Por mais que seja bom ler um bom livro sozinho ou até ver um bom filme solito, faz parte da nossa natureza querer compartilhar o que é bom. Me acompanha?

8 Comentários »

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  1. Eu já havia lido uma critica elogiosa ao filme (alias, as fotografias são muito boas)(alias 2 – orgulho e preconceito é um filme muito bem feito, e que apesar de ter um foco um pouco diferente do livro, é muito bom – a melhor comédia romântica que vi nos últimos anos), mas nunca li o livro.

    Fiquei com água na boca.

    Essa semana fui ver O amor nos tempos do coléra, o filme é bom, mas não chega nem aos pés do livro.

    Já o Vale das Sombras ,que fui ver ontem, é muito bom!

    Beijos

  2. isso me lembra aquela vez em que encontrei ! o apanhado no campo de centeio! na biblioteca do hotel internacional em Gravatal, mas não pude terminar de ler o livro porque algum hospede roubou o livro…

  3. Maga, obrigado pelas dicas. Estava na dúvida se ia assistir o “amor nos tempos…”. Agora já sei.

    Irmão, a biblioteca é a mesma e o “Apanhador” é o outro livro bom que tem lá, ou tinha, antes do roubo do hóspede. Esse eu também li por lá, hehehe

  4. Fui inusitadas três vezes ao cinema semana passada (não vejo muitos filmes… rs) e vi outro filme bom, mas em outra linha, na linha do divertido: Meu nome não é Johnny.

    É um bom filme. (cheio de irônia)

    um abraço

  5. Eu tinha escrito um comentario mas acho que nao enviou..haha caso apareçam dois..
    O filme é otimo..melhor do que eu esperava..fiquei até com vontade de ler o livro.
    E quando ao nome se “Desejo e Reparaçao” a culpa não é do diretor não(já que em ingles o titulo é apenas “Atonement” e espanhol ficou “expiacion”) ..e sim de quem faz a traduçao aqui no Brasil..não sei porque..mas na maioria da vezes os nomes de filmes sofrem mudanças como é o caso de “the notebook” que virou “diario de uma paixao”, “because I said so” virou “minha mae quer que eu case”, etc..

  6. […] 14, fevereiro 14e 2008 at 9:50 am | In literatura | Conforme eu havia postado anteriormente, o título do filme baseado no livro “Reparação” recebeu uma péssima tradução no […]

  7. Não li o livro mas adorei o filme…

  8. […] raramente a adaptação imagética sequer chega à altura da linha escrita. Uma boa exceção (como também é “Reparação”) é a história do jovem Chris McCandless, também conhecido como Alex Supertramp, contada no papel […]


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