persépolis

4, fevereiro 04UTC 2008 às 11:08 am | Publicado em literatura | 2 Comentários
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Acabei de ler Persépolis, da iraniana Marjane Satrapi. Uma HQ marcante, lida de uma vez só durante uma insônia e uma leve dor de cabeça. Mas não foi a insônia e tampouco meu mal estar que fizeram atravessar as 350 páginas (esta informação está no site, o livro não tem numeração de página!) com um fôlego só. Desnecessário dizer que foi a qualidade da obra.

Lembrou muito outras obras de quadrinhos que estão na minha lista das cinco melhores. Principalmente Maus, de Art Spiegelman e Gen de Keiji Nakazawa. Se o primeiro conta os horrores do holocausto e suas conseqüências e o segundo a experiência da bomba de Hiroshima na vida de uma criança, Persépolis conta a conseqüência das revoluções e guerras no Oriente Médio na perspectiva de uma criança e suas conseqüências posteriores. O toque feminino de autobiografia se assemelha muito também ao “Mas ele diz que me ama” de Rosalind B. Penfield.

Mas sobretudo é um livro que fala sobre identidade, solidão e pertença. A idéia de ser estrangeiro na própria terra passa longe do clichê: apesar dos traços propositadamente simples, a profundidade do tema fica presente durante toda a obra.

No ano passado os quadrinhos da iraniana se transformaram em um filme de animação, que ganhou diversos prêmios internacionais e está indicado ao Oscar nesta categoria. Espero ansiosamente pela sua projeção na telona aqui no Brasil (e luto contra a tentação de baixá-lo antes disto), pois promete ser uma boa adaptação, confome é possível conferir no trailer abaixo.

Quando isto acontecer, espero que a imprensa trate do filme com a seriedade merece, não como um desenho animado que “promete não decepcionar os pais que levarão as crianças ao cinema”. Como bem apontou a resenha do Universo HQ sobre o livro, é estranho que a Companhia das Letras tenha colocado o título abaixo da marca “Cia. das Letras”, que é a divisão da editora para adolescentes. Se guerras, revoluções culturais, identidade cultural, melancolia, suicídio e tortura não são temas adultos (mesmo que em uma HQ ou em uma animação), não sei mais o que é… Só sexo?

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2 Comentários »

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  1. Persepolis realmente é genial. Ainda não li o último mas estou ansioso.

    Apesar do gênero Guerra não ser muito a minha praia. Obras como Persepolis, Gen, Maus, os romances gráficos do jornalista Joe Sacco e o Grito do Povo são verdadeiras aulas de história, brutais e contadas com muita originalidade

  2. […] que gosto da internet! Graças ao MovieMobz vou poder assistir no cinema Persépolis que, embora eu estivesse louvo para assistir,  ficou só uma semana em cartaz e, perdendo a chance, já estava conformado. É a primeira […]


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