2º desafio intermodal

29, maio 29UTC 2008 às 4:07 pm | Publicado em curitiba | 9 Comentários

Foto do Jornale

Ontem aconteceu o 2º Desafio Intermodal de Curitiba organizado pela Bicicletada-Curitiba. Como no primeiro, a bicicleta ganhou no quesito tempo ao atravessar o centro da cidade na hora de rush. Mas desta vez a vitória da bicicleta (ou das bicicletas) foi tão esmagadora que até perdeu um pouco da graça.

Ao sair da ciclofaixa, passar pela Câmara dos Veradores e chegar na prefeitura, o ciclista profissional realizou o percurso rapidamente, com cerca de 17 minutos (o mesmo tempo que a edição anterior). Curioso que, mesmo sendo o mais rápido, a média de velocidade registrada em seu velocímentro foi de 24 km/h, praticamente a mesma que registravam as carroças na época que o trânsito era verdadeiramente melhor.

Logo depois chegou a roda-fixa, com 18 mintuos.

O skate foi o próximo a chegar. Uma novidade descoberta durante o desafio é que este modal na verdade não costa no código de trânsito como possível de trafegar na via. Digamos que o skate correu por fora, literalmente.

Em seguida apareceu o ciclista master (ou velhinho, como ele próprio brincava) e a “ciclista feminina”, em uma Cecizinha com flores na cestinha. Até agora, nenhum modal motorizado.

Depois de algum tempo (mais exatamente 32 minutos depois da largada) aparece o motorista de carro. Logo em seguida o motociclista. Este foi o resultado mais curioso desta edição. Enquanto no ano passado a moto chegou em segundo lugar, logo após a bicicleta, desta vez perdeu até mesmo para o carro. Explica-se: houve um lance de sorte do motorista que encontrou uma vaga para estacionar na câmara dos vereadores bem em frente, economizando muito tempo. A moto precisou rodar mais para estacionar e evitou pegar os “corredores”, ocupando o lugar de um carro, como manda o código de trânsito. Digamos que a moto do ano passado foi mais magrinha e passou pelo trânsito mais facilmente.

Seguiu-se o pedestre, o usuário de ônibus com a bicicleta dobrável e o usuário de ônibus a pé. O usuário de táxi foi o último a chegar com 45 minutos, visto que o táxi demorou para chegar no ponto de partida (6 minutos) (15 minutos, mas antes disso o participante resolveu pegar outro que passou nas redondezas cinco minutos depois do início do desafio) e a corrida precisou ser cobrada.

A cobertura da RPC

Em geral, os modais foram mais velozes que a edição anterior. O trânsito melhorou ou a ânsia por chegar antes cresceu?

Várias equipes de reportagem, o prefeito em exercício, curiosos, cicloativistas, amigos e perdidos acompanhando a chegada e a saída. O importante foi colocar novamente em pauta a possibilidade e a eficiência da bicicleta. E que venha o terceiro desafio. E o desafio cotidiano de se deslocar na cidade de forma segura, limpa e, por que não, veloz.

o bom conselho

23, maio 23UTC 2008 às 10:36 am | Publicado em histórias verídicas que realmente aconteceram | 5 Comentários

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Já devo ter ouvido milhares de dicas, recomendações e conselhos. Um, contudo, provavelmente determinou muito do que sou hoje. Não sei por que entre tantos resolvi seguir este.

Eu deveria ter uns 12 anos de idade quando encontrei uma coleção de 3 livros de capa dura denominada “Biblioteca Prática do Executivo”. Versava principalmente sobre comunicação, oratória e psicologia barata, numa linguagem bastante simples, mas recheada de referências clássicas e ilustrações bem humoradas. Lá pelas tantas o autor contava e repassava um conselho que havia ouvido do dono do jornal em que trabalhava:

“O conselho foi o seguinte, muito simples: ‘Nunca vá dormir sem antes ler qualquer coisa, durante apenas cinco minutos. Dentre de uns cinco anos sua cultura será invejável para sua idade!’

Explicou que não importava o tipo de livro que eu lesse, mas deveria ler todo dia, por mais cansado e com sono que estivesse. Insistiu nos cinco mintos, recomendando que eu não deveria fazer maratonas de leitura, procurando ler meia hora ou uma hora. Cinco minutos! Mas… todo santo dia. Recomendou ainda que eu sempre tivesse à cabeceira um livro difícil, daqueles que são duros de entender. Mesmo que você não compreenda logo, chegará o dia em que o sentido do livro lhe vai ser desvendado, como numa revelação!”

Gostei da idéia e peguei-a para mim. Ela me marcou tanto que, ao me reencontrar com o livro, foi muito fácil reencontrar também a citação (lembrava inclusive de sua posição na página). A obra da editora Amazonas Ltda, de 1978, curiosamente não indica seu autor… Engraçado como, na página seguinte, este autor desconhecido diz que as “estórias em quadrinhos” são preguiça mental e que deveria ser evitadas. Ainda bem que este conselho não ouvi.

Pois bem, recentemente descobri que esta recomendação é mais antiga do que pensava. O naturalista romano Plínio, o velho, no primeiro século já dizia:

“Nulla die sine linea.”

Nem um dia sem uma linha. Em outras palavras, pelo menos uma linha de leitura por dia. No Brasil, país em que a média de leitura é de 1,8 livros por ano, lendo uma linha por dia (ou cinco minutos) fica muito fácil estar acima da média . Nem é preciso de cinco anos para ter uma “cultura invejável” (se é que cultura alguém inveja aqui no Brasil).

Mas a mais famosa frase deste romano antigo é a

“In vino veritas”

que me ensinou outra lição importante. Mas isso é outra história.

pra não dizer que não falei das flores

20, maio 20UTC 2008 às 3:39 pm | Publicado em sem categoria melhor | Deixe um comentário

30 anos atrás aconteceram algumas coisas na França. Tiveram alguma influência no pensamento ocidental e entre as influências está o personagem do Angeli, Meiaoito, falecido recentemente. Eis uma de suas importantes reflexões, mais atuais do que sempre.

Da Antologia Chiclete com Banana número 5.

vem aí…

14, maio 14UTC 2008 às 9:47 pm | Publicado em curitiba | 1 Comentário

Repetindo o sucesso do do Desafio Intermodal do ano passado, eis que surge o

Aguardem! (Mais informações aqui, aqui e aqui)

acredite se puder

13, maio 13UTC 2008 às 2:54 pm | Publicado em curitiba | 7 Comentários

Paladium. O nome me lembra duas coisas homônimas: a primeira é um personagem de um excelente programa infantil da década de 90 e a segunda é um shopping recém inaugurado em Curitiba.

Jaca Paladium apresentava o impagável quadro “Acredite se puder” na TV Colosso, a melhor coisa que a Globo fez nas últimas décadas em termos de programação infantil entre as incontáveis versões de programas da loira-gaúcha-com-sotaque-carioca-atriz -de-filme-pornô-com-criancinha, novelas infantis que destroem o melhor da literatura infantil nacional e comentários imbecilóides antes dos desenhos animados. Neste quadro o personagem apresentava proposições esdrúxulas (geralmente da Nova Zelândia) e forçava seus telespectadores a acreditarem nelas utilizando excelentes argumentos, como pode se observar no vídeo abaixo.

Palladium também é o nome do novo maior empreendimento de Curitiba. Um shopping gigantesco que abriu sem alvará (ou com um “alvará provisório”, como queiram) e com um documento de 5 páginas com irregularidades apontadas pelos bombeiros, segundo a CBN. Ontem a nova vistoria não encontrou irregularidades importantes e deu um prazo de oito meses para ir corrigindo os eventuais erros sem prejudicar o faturamento. A impressão que tenho é que uma mercearia nova não teria tanta chance assim.

Uma previsão famosa que acontece há várias décadas e que sempre volta aqui na cidade é que um importante shopping vai desmoronar. Todo mundo pensa que se trata do shopping Müller que, embora tenha sido construído sobre o rio Ivo, insiste em permanecer de pé. Yo no creo en las brujas, pero… vai que acertaram o fato com antecedência e erraram o shopping?! Não vou querer estar lá para estar protegido com medidas de segurança provisórias. Por isso tão cedo não piso no Palladium (ao menos até a inauguração do IMAX, que ninguém é de ferro, só o Tony Stark).

Em ambos os “Paladiuns” há uma argumentação pra lá de forçada. Mas nestes tempos paradoxais que vivemos, nada melhor que do medidas urbanas para facilitar a presença daquele que é o templo perfeito da festa capetalista do aumento de consumo sem o aumento da renda.

Ah, que saudades do Paulo Paulada.

campeão de novo

4, maio 04UTC 2008 às 9:46 pm | Publicado em cotidiano | 6 Comentários

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Meus posts sobre futebol são os menos lidos. Mas não tem problema.

Não vou perder a oportunidade de exaltar o Coritiba, o atual campeão paranaense e, praticamente em tempo real, postar sua gloriosa chegada no Alto da Glória!

bebê a bordo

4, maio 04UTC 2008 às 8:44 pm | Publicado em curitiba | 5 Comentários

caos e ordem

2, maio 02UTC 2008 às 6:13 pm | Publicado em cotidiano | 2 Comentários

Um dos meus cartuns preferidos do Quino.

Estou precisando de uma diarista destas…

cabeça tubarão

1, maio 01UTC 2008 às 11:24 am | Publicado em literatura | 4 Comentários

É fácil fazer citações e referências. O difícil é costurá-las e deixar a colcha de retalhos coerente, coesa e natural. O livro de estréia de Steven Hall, “Cabeça Tubarão” consegue fazer isto muito bem e deixá-lo modernoso com muito bom gosto.

O livro tem referências diretas e indiretas a outras obras de literatura como as de Jorge Luis Borges, Jonathan Safran Foer, Lewis Carroll; filmes como Amnésia, Matrix, Tubarão, Casablanca e incontáveis citações de outras mídias como música e seriados de TV, numa miríade bem interessante de cultura pop. Mas, como convém na neo-pós-modernidade, a leitura do livro em si não basta. Parte da graça está (como para quem assiste ao seriado Lost) em discutir o livro na internet, ver seus vídeos no YouTube, participar de blogues específicos e encontrar capítulos “perdidos”. E funciona!

Eric Sanderson, o protagonista, é um amnésico que acorda sem identidade e começa a receber cartas de si mesmo no passado. E se vê num dilema entre acreditar que o que causou sua perda de memória foi um tubarão conceitual (!) que se alimenta das experiências humanas (hipótese lançada por si mesmo no passado) ou a amnésia dissociativa originada por um grande trauma causado pela morte de sua namorada (hipótese lançada pela médica que foi indicada por si mesmo no passado). E o dilema continua entre continuar lendo as cartas que chegam periodicamente e embarcar no que parece ser uma loucura muito bem construída ou levar uma vida normal dividindo as tardes chatas apenas com seu gato.

Esta primeira parte do livro é, sem dúvida, a melhor. É como escutar os discos do Tim Maia em sua fase “Racional”. A forma é excelente, é a melhor fase do Tim Maia em sua musicalidade. Pode-se descartar as letras que a melodia já é suficientemente boa! No entanto fica a dúvida: e se livro “Universo em Desencanto” que o Tim insiste para que seja lido esteja certo mesmo? E se a “Imunização Racional” é exatamente o que estou precisando? A dúvida, como diria Descartes, é sempre salutar.

Pois bem, nas partes seguintes do livro uma posição é claramente tomada, fazendo com que a narrativa perca um pouco sua força. Mas fica outra dúvida interessante até o seu enigmático final: o que é realidade e o que é ficção. Como o “Labirinto do Fauno“, há argumentos para que qualquer lado possa se armar e render uma boa discussão.

Não demora o próprio livro estará em outras mídias: sua adaptação cinematográfica logo estará sendo produzida. E ganchos para continuações estarão presentes. Não duvido que uma série e que bonequinhos articulados logo sejam produzidos. Nada mais pop. Mas é um pop dos melhores.

Ah, destaque para tradução da Vanessa Bárbara, uma blogueira de mão cheia. Outra pessoa não poderia ter feito melhor.

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