na natureza selvagem

1, junho 01-03:00 2008 às 11:14 pm | Publicado em literatura | 12 Comentários

Chris em seu famoso auto-retrato. Mais fotos reais aqui.

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Quando há uma versão cinematográfica de algum livro (quer seja literatura ou não-ficção) raramente a adaptação imagética sequer chega à altura da linha escrita. Uma boa exceção (como também é “Reparação”) é a história do jovem Chris McCandless, também conhecido como Alex Supertramp, contada no papel e na telona.

No início da década de 90, com seus vinte e poucos anos, o rapaz trocou uma confortável vida de classe média americana e um futuro promissor pela aventura na estrada pedindo carona e ambientes inóspitos, como o Alasca, onde resolve viver isolado com o mínimo de recursos por meses.

Conheci essa história no filme “Na natureza Selvagem” dirigido por Sean Penn (quem puder ainda asssitir no cinema vale a pena, mas já está saindo também em DVD). A força da narrativa foi grande suficiente para que em seguida eu lesse o livro em poucas tacadas. O livro revelou-se um excelente complemento explicando muitas passagens mais rápidas da narrativa e apresentando o destino posterior (ignorado no filme) de boa parte dos personagens. E, em uma via contrária, foi possível perceber o quanto a película conseguiu dar uma cara cinematográfica fidelíssima a informações objetivas e relativamente frias impressas no livro.

O livro homônimo de Jon Krakauer tenta entender o comportamento e o entorno do jovem com documentos, fotografias, relatos de personagens envolvidos e pessoas próximas, descrições de outros aventureiros famosos com desempenho similar e as experiências pessoais do próprio autor em suas próprias aventuras. Nas palavras de Krakauer (2008, p.10):

“Ao tentar compreender McCandless, cheguei inevitavelmente a refletir sobre outros temas mais amplos: a atração que as regiões selvagens exercem sobre a imaginação americana, o fascínio que homens jovens com um certo tipo de mentalidade sentem por atividades de alto risco, os laços altamente tensos que existem entre pais e filhos. O resultado dessa investigação cheia de meandros é este livro.”

Enquanto isso o filme consegue organizar todas essas informações com um excelente fotografia (o diretor de fotografia é o mesmo dos “Diários de Motocicleta” e consegue captar a essência de um road-movie), trilha sonora de primeira composta e intrepretada por Eddie Vedder e um desempenho surpreendente do ator Emile Hirsch.

Assista o filme. Leia o livro. Ouça a trilha sonora. Não porque um é melhor do que o outro, mas porque nas suas diferenças são naturalmente complementares.

Mas, por favor, não troque nenhuma dessas experiências por uma aventura real. Há muitas histórias que merecem ser contadas (e estas obras mostras o quanto é bom quando elas são bem contadas). Mas o pior é não ter nenhuma história para contar.

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