livros amarelos

22, agosto 22UTC 2008 às 6:05 pm | Publicado em literatura | 1 Comentário

Por coincidência providência do destino (se foi do destino então não pode ter sido coincidência) acabei por ler na seqüência dois livros amarelos. E muito bons, com leitura altamente recomendada, diga-se de passagem.

De passagem (e passagens) é justamente sobre o que se fala em um deles. “O Livro Amarelo do Terminal“, de Vanessa Bárbara, conta histórias sobre o maior terminal de ônibus da América Latina, o terminal do Tietê. A Vanessa, que escreve sempre na revista piauí e tem um site no mínimo interessante, escreveu o texto todo como seu trabalho de conclusão de curso quando se formou como jornalista. São histórias deliciosas sobre pessoas que viajam, trabalham, se escondem na grande rodoviária e sobre ela própria como personagem (a rodoviária, não a Vanessa). O projeto gráfico do livro é bem modernoso, com finas folhas amarelas (que dão o nome ao livro) que podem ser visualizadas na frente e no verso (criando desenhos nunca dante vistos na literatura nacional). O que faz pensar em como se chamava o livro antes de se tornar livro. “O TCC branco do terminal”?

Pelo orkut a autora me respondeu que o título do seu trabalho foi “Histórias de Partida”, se não me engano. Mas agora o livro é amarelo mesmo e me parece que o título ficou melhor, mais de acordo com seu conteúdo (leia um trecho aqui e outro aqui). Pelo orkut também, alguns membros da comunidade da revista piauí tem dito que a autora imita o estilo do jornalista americano Gay Talese. Bom, como eu nunca li nada dele, para mim as linhas amarelas são bastante originais. E feitas sob medida para ler enquanto se espera o ônibus ou então dentro dele.

O outro livro amarelo que li quase concomitantemente é “O Médico Doente“, do Drauzio Varella. Embora o autor tente fazer um suspense nas páginas iniciais sobre qual doença o acometeu (antes de descrever brilhantemente toda a sua experiência subjetiva do outro lado do hospital) a capa amarela e o mosquito Aedes aegypti como meio de transporte na logo da Companhia das Letras já entregavam a cor da febre que quase lhe levaria à morte.

Quem conhece o Drauzio apenas de suas reportagens no Fantástico precisa ler suas linhas. Na televisão ele é simplão de propósito, quer alcançar seu público alvo. Nos livros o médico mostra erudição sem arrogância e desenvolve uma escrita fluida e cativante sem ser piegas. Suas digressões nos meandros dos causos que conta valem cada esforço envolvido na leitura. Embora não seja o seu melhor livro (“Estação Carandiru” e “Por um fio” ganham o ouro e a prata), “O Médico Doente” não me deixou em paz até que conseguisse terminá-lo. Só não li numa única madrugada porque seus relatos de como a doença o faziam sonolento e desacordado não me permitiram me manter em vigília. Mas na manhâ seguinte estava liquidado. O livro. Eu estava cheio de energia.

Como só a cor amarela sabe fazer.

Anúncios

rimas eleitorais parte I

21, agosto 21UTC 2008 às 5:51 pm | Publicado em curitiba | 10 Comentários

Ah, como eu gosto da propaganda eleitoral gratuíta! E não estou sendo irônico, eu gosto mesmo. Quando a tela da tv é invadida pela cor azul e aparecem gigantes as letras TRE, meu coração bate mais forte!

Da mesma forma que acompanho os discursos dos programas evangélicos sem que com isto esteja buscando prosperidade financeira, me divirto também analisando o discurso emoldurado pelo clima de gincana que acompanha os programas de rádio e televisão.

Charge do Orlandeli. Dica do Blog dos Quadrinhos.

E parte da diversão está na criatividade (ou na falta dela) de cada marketeiro e/ou candidato. Há quem prometa mundos e fundos (longe das funções de legislador e fiscalizador de um vereador), há quem faça propaganda do candidato a prefeito e não de si mesmo e há quem gaste seus preciosos segundos no ar afirmando, numa redundância vergonhosa, que é candidato a vereador em Curitiba. Mas sempre sobra muito espaço para as rimas, que pululam. Sem mais comentários, eis o melhor da verve poética de nossos candidatos registradas com muito carinho:

Marcos Costa /

Esta é a resposta!

Pense com carinho /

Vote Jairinho

Com garra e determinação /

Vote Gerson Negão

Vamos mudar esta situação /

Para vereadora Jeni Galvão

Para vereador não se engane /

Vote Ernani

Para vereadora Yara /

a mulher que não pára

E o campeão até agora:

Oi, tudo bem? /

Você vota no Beto? /

Eu também /

Na minha campanha /

Nem santinho tem /

Vote Atalaia /

25100

Em breve mais pérolas.

como baixar um filme na tela do cinema

18, agosto 18UTC 2008 às 10:41 pm | Publicado em curitiba | 2 Comentários

A internet tem me saído melhor que encomenda (na verdade se tivesse que encomendar algo com a internet, não conseguiria imaginar nada além dos e-mais e de jogos online). A última coisa maravilhosa que está aparecendo (e que parece ter um futuro promissor) chama-se MovieMobz. Tem sido chamado de orkut do cinema, mas é muito mais do que isso.

O site une seus membros em torno de filmes digitais de interesse comum. Assim que há quorum suficiente para fechar uma sala de cinema, fecha-se a sala de cinema e o filme é exibido no mundo real. Quanto mais gente participa, mais barata fica a sessão agendada. (A explicação detalhada de como a coisa funciona está muito bem aqui.)

Em tempos de DVD pirata e downloads velozes, uma saída interessante para salvar a telona da queda generalizada de bilheteria trazendo um dos maiores vilões (a internet, que consegue muitas vezes ser mais rápida que as cópias em estréia) como aliado.

E, de quebra, permite o encontro pessoal físico na nossa realidade cada vez mais virtual e a volta em cartaz de algum filme que, no máximo, poderiam ser visto em uma tela plana ou em uma amostra de cinema alternativa.

E é por isso que gosto da internet! Graças ao MovieMobz vou poder assistir no cinema Persépolis que, embora eu estivesse louvo para assistir,  ficou só uma semana em cartaz e, perdendo a chance, já estava conformado. É a primeira sessão do site em Curitiba, a acontecer amanhã no Unibanco Arteplex.

Alguém duvida que isto é melhor que download?

o debate do the batman

4, agosto 04UTC 2008 às 7:09 pm | Publicado em cotidiano | 2 Comentários

Assisti agora ao último filme do Batman. É tudo o que falam. Mas, por hora, só vou fazer coro ao que dizem sobre um aspecto do filme.

O Coriga é terrorista.

O Batman é torturador.

Imagem do “Cavaleiro das Trevas” original de Frank Miller.

.

De onde veio essa idéia? Qual pode ser o efeito disso?

Respostas:

aqui

aqui,

aqui,

aqui

e aqui.

E já não se fazem heróis como antigamente.

meandros macarrônicos

3, agosto 03UTC 2008 às 10:39 am | Publicado em meandros | 1 Comentário

Hagar, de Dick Browne

Blog no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.