mire o muro II

26, outubro 26UTC 2008 às 7:17 pm | Publicado em curitiba | 5 Comentários
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E nos muros da cidade a discussão continua…

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Sobre a obrigatoriedade do cristianismo.

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Sobre o provável motivo da venda do imóvel.

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Sobre a gratidão de um gentil convite.

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mundo nerd

22, outubro 22UTC 2008 às 3:58 pm | Publicado em psicologia | 2 Comentários

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Atenção leitores de gibis, colecionadores de tazos, usuários da cueca do Batman e áreas afins… Vale a pena ler a excelente matéria “Admirável mundo nerd: os aspectos comportamentais dos fãs de quadrinhos” do jornalista Marcus Ramone do Universo HQ. Na matéria, há a humilde participação deste blogueiro que vos tecla.

Acima, a caneca citada na reportagem.

livros virtuais

20, outubro 20UTC 2008 às 8:31 pm | Publicado em histórias verídicas que realmente aconteceram | 6 Comentários
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Toca o telefone. De tarde. A essa hora podem ser três coisas. Alguma ligação de telemarketing me oferecendo um cartão de banco. Alguém perguntando se não vou aparecer num compromisso importante que esqueci. Alguém morreu (ou alguma outra notícia do gênero).

– Alô? Gostaria de falar com o sr. Leandro.

Telemarketing. Vou usar a desculpa de que possuir cartão de crédito vai contra minha religião (o que não deixa de ser verdade, embora lá na Idade Média quando a usura ainda era pecado) porque a desculpa de que estou partindo para um doutorado na Alemanha pode ser facilmente contornada com um cartão internacional.

– Quem gostaria?

– Aqui é da Corpo&Alma, revendedora de livros.

Opa, agora a coisa muda de figura. Uma vantagem em ser professor é ganhar de vez em quando livros de graça. Melhor manter a conversa.

– Pois não, sou eu.

– Sr. Leandro, nós gostaríamos de adquirir alguns exemplares de seus livros. Como poderíamos fazer?

– …

Calma. Não escrevi nenhum livro. Será que é o que estou pensando? Não pode ser.

– Livros? A que livros se refere? Pode citar o nome de algum?

– Por exemplo, tem o “Ascendendo à Luz“.

– …

Agora seguro a risada. Era o que estava pensando.  Resolvo explicar pacientemente, embora com um sorriso na cara.

– Não… na verdade eu não escrevi esses livros. Foi só uma piada. Eu criei os títulos e as capas e coloquei no meu blogue na internet. Foi só isso.

A moça, toda encabulada.

– Ah, então o senhor me desculpe…

Perguntei como ela tinha sabido dos “livros” e conseguido meu telefone, mas para evitar mais constrangimentos a ligação encerrou por ali, com uma frágil promessa de que talvez dali a algum tempo os livros poderiam existir mesmo…

Nossa, fiquei atônito! Não sabia se pensava “como é que alguém não percebe que era uma brincadeira?” ou “será que eu não deveria mesmo escrever esses livros?”.

Mas ficou claro que, além de perder meu tempo escrevendo de graça neste blogue (nem o banner ad-free me dei o trabalho de colocar, quanto mais anúncios pagos), estava perdendo dinheiro ao não escrever livros de verdade. Afinal público e demanda estava assegurado que eu já tinha…

Mas, quer saber? Só essa ligação já valeu cada linha que postei por aqui!

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P.S. 1: Alguns alunos já me falaram que viram as capas de meus “livros” em sites de venda, mas não souberam precisar a fonte. Se alguémos vir por aí, favor avisar. Sou o primeiro a querer comprá-los!

P.S. 2: A parte do doutorado na Alemanha é mentira, antes que me liguem perguntando! 😉

P.S. 3: PS 3? Não! O Nintendo Wii é mais legal! :p

a roda-fixa e a andorinha

18, outubro 18UTC 2008 às 8:21 pm | Publicado em bicicleta | 8 Comentários
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Os usuários de bicicleta são muito mais felizes do que os usuários de outros modais de transporte. Entre os usuários de bicicleta há, contudo, um grupo que parece se destacar em relação à alegria de pedalar numa magrela. São os usuários da roda-fixa.

A roda-fixa, ou bicicleta de pista, tem apenas uma marcha e seus pedais giram conforme a roda traseira também gira. Não deve ser confundida com as barra-fortes (e similares) que não tem freio no guidão (basta pedalar para trás) pois nestas é perfeitamente possível descer uma ladeira “na banguela”, descansando os pés; coisa impossível numa fixa.

Pois bem, tão forte a empolgação dos usuários da fixa que resolvi tirar 9 marchas da minha Caloi 10 e experimentar a brincadeira. Uma visita na oficina e um quilo e meio a menos de peças, incluindo o freio traseiro. Algumas semanas de treinamento e uma maneira nova de pedalar na cidade, incluindo a sensação novíssima de reaprender a andar de bicicleta. Três meses de prática e a dúvida de como isso não aconteceu antes, incluindo o questionamento do excesso de componentes de outras bicicletas.

Mas como descrever a experiência? Uma metáfora me parece bastante adequada: uma roda-fixa é como uma andorinha. Por quê?

  1. As andorinhas nascem nas alturas e sempre vivem nas alturas. Nunca põem os pés no chão, nunca tocam o solo. Seu pouso acontece apenas em lugares altos. Pois bem, os ciclistas que pedalam em uma fixa estão em constante movimento e evitam, a todo custo, colocar os pés no chão. Não é difícil pois a cadência flexível e o controle (e equilíbrio) maior sobre o veículo a mantém sempre em movimento. E conta-se também com o auxílio de um firma-pé, pedaleira ou pedal clipless que, se não deixam a atividade de se apoiar no chão mais difícill, ao menos não a estimulam.
  2. As andorinhas costumam voar em círculos. Pedalando em círculo também é como fica o ciclista que, sem querer colocar os pés no chão, precisa esperar um sinal abrir, por exemplo. Não é o mais freqüente (afinal, já se prevê desde longe o tempo do semáforo e se regula a velocidade para se chegar no momento certo), mas acontece.
  3. Andorinhas são silenciosas. E pedalar numa fixa é extremamente silencioso. Nem o barulhinho da corrente rodando ou do trec-trec das trocas de marcham existem. A impressão é de se estar voando. Como uma andorinha.
  4. Uma andorinha só não faz verão. Cada vez mais andorinhas, digo, fixas tem aparecido pelas ruas, seguindo uma tendência principalmente européia. Depois do Gabba ter trazido a idéia da Inglaterra e da Alemanha e lançado aqui em Curitiba, até em São Paulo estas bicicletas tem se reproduzido.

Pode até ser uma idéia fixa. Mas pelo menos não ficará guardada na gaiola do lado escuro da garagem.

profissão de fé

14, outubro 14UTC 2008 às 5:22 pm | Publicado em educação | 7 Comentários
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Nos últimos dias andei recebendo visitas extras a este blogue procurando “frases sobre professores”. A razão parece estar nas vésperas do dia do professor; muita gente querendo homenagear seus mestres com frases bonitas e significativas. O curioso é que neste espaço acabam se deparando com as “frases que o professor odeia ouvir“.

Na verdade não há tantas frases bonitas assim sobre esta nobre profissão como deveria haver. Eu mesmo anos atrás procurei por boas citações sem encontrar uma que satisfizesse.  Será tão difícil falar bem de um professor? Ou, em outras instâncias, o que é mesmo ser professor?

Etimologicamente, professor é aquele que professa. Professa o quê? O deus-currículo, o conteúdo da apostila, as normas da ABNT, o que cai no vestibular,  como se inserir no mercado de trabalho, como consumir mais e melhor, a vida, o universo e tudo mais… Seja o que for, a profissão de professar tem suas raízes no discurso religioso da pregação e, por que não, da conversão à verdade.

Daí vem a necessidade do aluno ser disciplinado. Quem tem disciplina é o discípulo. Embora o aluno não seja o ser “sem luz” que muitos apregoam, etimologicamente é o ser que deve ser nutrido e o educador, etimologicamente também, aquele que realiza o contra-papel de nutrir. Alimentar com a verdade.

Abre parênteses. (

E, já que entramos no universo da origem das palavras, particularmente gosto mais da origem do nome do pedagogo. É aquele que conduz a criança. O aprendiz, na grécia antiga, aprendia mais na ida e na volta com o escravo que o levava do que com o seu mestre propriamente dito que falava incompreensíveis sentenças de cima de seu pedestal. Ou seja, quem realmente ensina é aquele que não se coloca acima, mas está ao lado do aprendiz. Embora, se formos levar a risca a etimologia do termo, o verdadeiro pedagogo hoje seja o motorista do transporte escolar, afinal é ele que realmente leva-e-trás as crianças.

) Fecha parênteses.

Mas o problema desta aura religiosa em torno do professorado é a descrição desta atividade como uma vocação e não como uma profissão propriamente dita. Vocação é chamado (ou chamamento). Mas quem chama? Deus? O diabo? Ou a direção da escola? Alguém ouve por aí que ser pedreiro é vocação? Ou ser administrador? Ou ser engenheiro de telecomunicações? Por que, então, o professor é vocacionado?

Talvez porque tenha algo inato, já nasce com o dom de ensinar. Se for assim, ninguém pode se tornar professor ou, pior, melhorar seu desempenho profissional. Afinal, assim já se nasce e não se deve interferir nos desígnios divinos. E desta forma as aulas dadas na década de 80 continuam sendo as mesmas de hoje.

Aliado a isso, quem faz algo por vocação não precisa de (muita) remuneração. Afinal, faz por prazer ou, em último caso, por designação divina. Talvez por isso os administradores, engenheiros de telecomunicações e pedreiros ganhem mais que os professores. Talvez até a maioria dos sacerdotes que professam religiões oficiais ganhem mais que a média dos professores. Não sei.

Sei que talvez frases bonitas sobre a docência falem sobre a sua missão transcendental. Mas é na imanência (onde o professor precisa ter dinheiro para poder comprar novos livros, ir ao cinema e não precisar se matar trabalhando em três empregos) que alguém ensina e, de repente, também aprende.

filosofia para crianças

8, outubro 08UTC 2008 às 11:15 pm | Publicado em desenhos | 3 Comentários
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Não entendeu? Clique aqui e aqui. Ou na sua biblioteca mais próxima.

eu acredito no currículo

7, outubro 07UTC 2008 às 11:34 pm | Publicado em educação | 8 Comentários

Um currículo real daqui.

O que é um currículo escolar?

Uma pergunta aparentemente simples, mas muito difícil de ser respondida. Na literatura de pedagogia, na busca de quebrar paradigmas e buscar de maneira crítica (ou pós-crítica) superar o atual modelo neopragmático é difícil encontrar uma resposta satisfatória.

Usualmente se diz o que o currículo não é. O currículo não é a grade horária que dispõe as disciplinas de modo ordenado com seus conteúdos a serem seguidos. A palavra “grade”, aliás, deve ser evitada pois remete à idéia de prisão e engessamento da relação do aluno com a aprendizagem. A “carga horária”, então, a todo custo deve ser evitada pois a aprendizagem não pode ser confundida com um peso a ser levado nos ombros tal qual uma pesada cruz ou um carregamento a ser feito por um animal como o, vejamos, burro.

Não, o currículo deve ser muito mais do que isto, ou corre o risco de ser confundido com as lamentáveis propostas tecnicistas e positivistas. Tampouco deve se limitar às atividades curriculares e extra-curriculares do aluno na escola. É muito mais do que isto, envolve o aluno dentro e fora da escola, em tudo o que lhe é pertinente.

Por isso pensei em uma teoria.  O currículo é uma espécie de deus. Por isso é tão difícil de ser definido e envolve tanto o cotidiano escolar dentro e fora. Mais. Multi, inter, trans, retro, pós-disciplinar.

Há inclusive, uma espécie de gênio maligno desse deus-currículo para lhe fazer oposição, o currículo-oculto! E, assim, a relação ensino-aprendizagem poderá ser pensada agora em termos da luta do bem contra o mal, do escondido que não tardará em ser relevado, em oposição à tradicional luta-de-classes. Principalmente a luta da 6ª Série C contra a 7ª A.

O que não pode ser compreendido deve ser venerado.

Oremos.

ainda fumegando

6, outubro 06UTC 2008 às 9:12 pm | Publicado em curitiba | Deixe um comentário

Charge do Marco Jacobsen

começaram as eleições municipais

5, outubro 05UTC 2008 às 9:01 pm | Publicado em curitiba | 3 Comentários

Cartum do Andy Singer

As eleições municipais deste ano já haviam terminado há tempos. Mas as eleições municipais de 2012 acabaram de começar.

O que será Curitiba daqui a 4 anos? Ou, em um exercício de imaginação mais largo, daqui a 20 anos?

A prioridade dada ao transporte individual motorizado, aos interesses dos grandes empresários e à maquiagem da realidade continuará e tornará a cidade pior. Daqui a 4, 8 ou 20 anos a discussão nas eleições continuará pautada no trânsito.  E a bicicleta e modais sustentáveis, o interesse da maioria da população e a transformação verdadeira da realidade continuarão a serem colocados de lado.

A bicicletada tem sido um movimento vigoroso e intenso na crítica da realidade da cidade que (proporcionalmente) tem mais carros no país. Mas está perdendo. E continuará perdendo.

Afinal, a forte indústria automobilística e seu poderoso marketing (atrelado às facilidades de crédito) é intensamente mais poderosa que algumas centenas de pobres ciclistas que pedalam reinvindicando o óbvio nos últimos sábados do mês.

Curitiba continuará deixando o planejamento a médio e longo-prazo de lado em troca de pseudo-soluções urbanísticas como cortar praças ao meio e transformar ruas tranqüilas em perigosos binários.

Perdemos. E continuaremos perdendo.

Mas não quero escrever isto com um tom pessimista e muito menos alarmista. Pergunto, ao contrário, qual é o problema em estar perdendo?

Os holandeses do Provo, que começaram toda essa história de bicicleta pelo planeta, se orgulhavam da idéia de que perderiam a batalha. E se divertiam com isso.

Celebramos em boa parte das datas cívicas de nosso país as heróicas batalhas perdidas da Inconfidência Mineira, Revolução Farroupilha ou mesmo da Guerra de Canudos. Enquanto vitórias poderosas como a Guerra do Paraguai geralmente nos são motivo de vergonha.

Tais derrotas parecem trazer na cultura e consciência popular mais prestígio do que vitórias formais e arranjadas. Qual é o problema em continuar perdendo?

Mesmo que o atual cristianismo de resultados pregue a necessidade de ser “mais que vencedor” (ou “prosperidade financeira” e que se ferre o seu próximo), mesmo que se declare o fim da História e o quanto mais nada há de ser feito, mesmo que a esquerda se mantenha calada enquanto o capitalismo se destrói por dentro… não vejo problema em perder com a consciência tranqüila. É preferivel a sincera derrota do que a vitória indo com todos para o mesmo buraco (em outras palavras, votar no líder das pesquisas “para não perder o voto”).

Se as eleições deste ano nos apontam para um futuro questionável, porque não sonhar com um resultado diferente para o futuro, mesmo que este esteja sempre depois da próxima curva?

Afinal, como dizia o poeta sobre as utopias,

Se as coisas são inatingíveis… ora!

Não é motivo para não querê-las…

Que tristes os caminhos se não fora

A mágica presença das estrelas!

vai, beto!

3, outubro 03UTC 2008 às 5:24 pm | Publicado em curitiba | 2 Comentários

O slogan do candidato à reeleição como prefeito em Curitiba é o

Beto, Fica!

Embora dificilmente a situação seja diferente do que a frase afirme (confome já cantei aqui anteriormente), há bons motivos para não votar no Beto Richa conforme a maioria. É melhor tocá-lo da prefeitura.

Por isso eu digo:

E se for, já vai tarde.

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