eu acredito no currículo

7, outubro 07UTC 2008 às 11:34 pm | Publicado em educação | 8 Comentários

Um currículo real daqui.

O que é um currículo escolar?

Uma pergunta aparentemente simples, mas muito difícil de ser respondida. Na literatura de pedagogia, na busca de quebrar paradigmas e buscar de maneira crítica (ou pós-crítica) superar o atual modelo neopragmático é difícil encontrar uma resposta satisfatória.

Usualmente se diz o que o currículo não é. O currículo não é a grade horária que dispõe as disciplinas de modo ordenado com seus conteúdos a serem seguidos. A palavra “grade”, aliás, deve ser evitada pois remete à idéia de prisão e engessamento da relação do aluno com a aprendizagem. A “carga horária”, então, a todo custo deve ser evitada pois a aprendizagem não pode ser confundida com um peso a ser levado nos ombros tal qual uma pesada cruz ou um carregamento a ser feito por um animal como o, vejamos, burro.

Não, o currículo deve ser muito mais do que isto, ou corre o risco de ser confundido com as lamentáveis propostas tecnicistas e positivistas. Tampouco deve se limitar às atividades curriculares e extra-curriculares do aluno na escola. É muito mais do que isto, envolve o aluno dentro e fora da escola, em tudo o que lhe é pertinente.

Por isso pensei em uma teoria.  O currículo é uma espécie de deus. Por isso é tão difícil de ser definido e envolve tanto o cotidiano escolar dentro e fora. Mais. Multi, inter, trans, retro, pós-disciplinar.

Há inclusive, uma espécie de gênio maligno desse deus-currículo para lhe fazer oposição, o currículo-oculto! E, assim, a relação ensino-aprendizagem poderá ser pensada agora em termos da luta do bem contra o mal, do escondido que não tardará em ser relevado, em oposição à tradicional luta-de-classes. Principalmente a luta da 6ª Série C contra a 7ª A.

O que não pode ser compreendido deve ser venerado.

Oremos.

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8 Comentários »

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  1. O currículo é uma espécie de deus? Tens razão, comé que eu não pensei nisso antes. hehehehehe, genial.

  2. E há outra coisa importante ainda que esqueci de comentar: os currículos são como os deuses, se você não acredita neles eles deixam de existir.

  3. Boa!

    E como todo deus, pense no número de padres-hermeneutas para retirar o ‘verdadeiro’ sentido dele, e não o deixar cair nas amarras maléficas dos opositores!

    Ou talvez não seria o currículo uma espécie de chupa-cabras? Todo mundo diz que existe esse objeto para além de todas as considerações, mas ninguém nunca viu (psiu, não conte para ninguém, imagine quantos hermeneutas pelodoovísticos-curriculares perderiam o emprego!)

  4. Um físico chamado Richard P. Feynman, ganhador de nobel e tudo, passou alguns anos no Brasil, e ele se refere ao sistema de ensino no brasil desse modo:
    “Por fim, disse que não conseguia entender como alguém podia ser educado neste sistema autopropagente, no qual as pessoas passam nas provas e ensinam os outros a passar nas provas, mas ninguém sabe nada.”
    e isso era na década de 60, não mudamos nada, ninguém sabe nada.

  5. […] professor é aquele que professa. Professa o quê? O deus-currículo, o conteúdo da apostila, as normas da ABNT, o que cai no vestibular,  como se inserir no mercado […]

  6. Ótimos comentários, obrigado!

    Inspiraram o último post.

  7. […] ele é aconselhado a mudar de curso, afinal não vai encontrar muitas outras coisas parecidas no currículo do curso). A outra metado do esforço é para mostrar como Estatística é importante para as Ciências […]

  8. De onde vem o curriculo e para onde vai ?

    Tantas disciplinas, tanta carga horária,
    A palavra Curriculo é só mais um detalhe, sendo que antes mesmo do surgimento dessa palavra, qualquer professor(a) de qualquer época ou lugar já já se envolviam com certos conceitos de curriculo, trazendo para nós um campo de estudos, pesquisas, especialização e profissionalização.Bobbit

    OBS: Perdemos tempo com matérias totalmente desnecessárias como a gramática, anos e anos para não aprender nada de gramática…
    Temos que não reformular e sim transformar um novo Curriculo.


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