tecnicamente falando

26, fevereiro 26UTC 2009 às 2:01 am | Publicado em curitiba | 4 Comentários

cidadeA primeira medida do prefeito em exercício Beto Richa quando, na condição de vice,  substituiu o então dono do cargo Cássio Taniguchi foi baixar o preço da passagem de ônibus. Uma manobra tipicamente eleitoreira, ganhou as eleições que seguiram. Agora foi re-eleito. A primeira medida do re-prefeito foi aumentar  a passagem de ônibus.

Mas sua popularidade continua imbatível. Boa parte dela se deve à fama de sua equipe técnica, com as melhores soluções para a melhor cidade. Mesmo que não solucione os problemas, são as melhores soluções. É o que está presente no discurso do IPPUC e da URBS, como bem apontado pelo Catatau em seu post sobre os meandros da pracinha do Batel e afins:

As mocinhas da RPC às vezes se esforçam entrevistando o coordenador da URBS, que recorrentemente apenas sabe dizer que o transporte público de Curitiba é o “melhor do mundo” (sic!), e melhorias localizadas em terminais aumentarão globalmente a qualidade do transporte.

O principal argumento, entretanto, não é esse: trata-se do “fato” de existir horário de pico! Ora, o transporte está ruim porque existe horário de pico. Retiremos o horário de pico, que o transporte voltará a ser bom!

Talvez nossa autoridade da URBS considere que, por extensão, a população de Curitiba deveria diminuir, para que os ônibus, em horário de pico, sirvam melhor. Ou mesmo, poderia-se mudar todo o regime de trabalho da capital paranaense, criando uma reação em cadeia que afetaria milhões de pessoas, para que não se interfira nada nos ônibus. Eles estão bons, o resto é que está ruim.

Agora, o curioso disso tudo é que Jane Jacobs, em seu ótimo livro “Morte e Vida das Grande Cidades” (2007, p.6), em que faz uma  severa crítica às cidades americanas das décadas de 1950 e 1960, parece estar falando dos técnicos da URBS e do IPPUC:

Planejadores, arquitetos do desenho urbano e aqueles que os seguem em suas crenças não desprezam conscientemente a importância de conhecer o funcionamento das coisas. Ao contrário, esforçaram-se muito para aprender o que os santos e os sábios do urbanismo moderno ortodoxo disseram a respeito de como as cidades deveriam funcionar e o que deveria ser bom para o povo e os negócios dentre delas. Eles se aferram a isso com tal devoção, que, quando uma realidade contraditória se interpôe, ameaçando destruir o aprendizado adquirido a duas penas, eles colocam a realidade de lado.

Vou dar uma olhada no que significa autenticidade (por aqui está meio difícil de encontrar). E já volto.

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4 Comentários »

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  1. Falar da urbs é sempre complicado. Para eles nunca tem problema algum e todos as estatisticas que fazem são sempre fora dos horarios de pico. Por isso nunca aparece o problema. Até mulher voando fora dos onibus e morrendo temos agora =/

    No dia seguinte, ao aumento das tarifas para o R$1,90, foi feito esse grafite perto de casa:

    http://www.nivaldoarruda.com.br/2009/01/10/transporte-coletivo-curitiba-pr/

    e dois dias depois ele já estava assim:

    http://www.nivaldoarruda.com.br/2009/01/12/transporte-coletivo-curitiba-pr-parte-ii/

    Engraçado é que fica bem ao lado de uma estação tubo =), pena ter durado tão pouco tempo.

    Abraços

  2. Nivaldo, fantástico o grafite! E revoltante o que fizeram com ele…

  3. A propósito, vc viu isso?

    http://www.millarch.org/artigo/quando-os-cupins-ajudam-perda-de-nosso-patrimonio

  4. My hat is off to your astute command over this tovob-crapi!


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