lições que a vida me ensinou

18, maio 18-03:00 2009 às 9:39 pm | Publicado em cotidiano | 8 Comentários

cotovelo.

Creio que devo satisfações devido a quase um mês sem atualizações neste espaço.  Sendo destro, quebrei o braço direito (na verdade o cotovelo) em um acidente bobo de bicicleta (onde o agressor, a vítima e o socorrista eram a mesma pessoa). Se isto não me impediu de levar a vida normalmente (se levar a vida normalmente significa não fazer nenhuma atividade física de impacto moderado, não desenhar, não tocar violão e/ou jogar Nintendo Wii), ao menos tornou mais lenta algumas atividades (as que envolviam digitação, por exemplo), deixando uma pilha de atividades por fazer que estou tentando atualizar agora.

Esclarecido, seguem abaixo precisas lições de vida que não são generalizáveis para ninguém. 

 

1. O braço esquerdo é capaz de coisas que o direito nem imagina.

 

Um pouco de treino e o lado sinistro acaba se revelando. Me orgulhei muito de conseguir ser legível escrevendo no quadro e de passar desodorante sozinho em ambos os sovacos.

 

2. As pessoas (não-motoristas) são prestativas no ônibus

 

Uma tipóia e gesso visíveis conseguem facilmente lugar para sentar. O segredo é o contato visual com as pessoas sentadas nos assentos preferenciais.

 

3. Os motoristas (não-pessoas) não são prestativos no ônibus

 

O aviso sonoro de “porta fechando” nos biarticulados era um alerta para tomar uma decisão rápida entre desistir de entrar/sair no ponto certo ou arriscar perder o que sobrou do braço em recuperação. Mais ou menos como um Dante chegando no inferno: “Deixai toda esperança nas portas 2 e 4.”

 

4. Cansa repetir a mesma história 1.542 vezes

 

Compreendia e agradecia a empatia de todo mundo ao me ver engessado, mas confesso que chegava às vezes ser irritante contar a mesma história sempre.  Por isso criava várias versões e até inventava algumas bem diferentes. Mas na maioria das vezes contei a mesma coisa. Pensei seriamente em colocar como aconteceu o acidente todo em detalhes em algum site (com fotos, simulações em 3D e depoimentos) e entregar o endereço para quem preguntasse. Seria menos trabalhoso. Mas bem menos empático da minha parte.

 

5. O capacete é importante

Eu já sabia, mas a hipótese só foi corroborada. Se não fosse por ele, era a cabeça que estaria engessada.

 

6.  Todos tem uma história sobre acidente de moto

Ouvi algumas vezes o comentário (idiota): “é por isso que não ando de bicicleta”. Mas ouvi muito mais sobre fraturas e sérias consequências de acidentes com motocicletas. Caindo da bicicleta, fraturei o cotovelo, mas não precisei de cirurgia, bastou esperar que o corpo cuidasse de si. De moto talvez nem o capacete desse conta e nem haveria cotovelo inteiro para contar a história.

Pronto. Agora que cotovelos estão inteiros e na impossibilidade que eles tem de se expressar, falarei, enfim, pelos cotovelos.

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