acabou minha fase rock´n´roll

24, outubro 24UTC 2009 às 7:08 pm | Publicado em sem categoria melhor | 11 Comentários
Tive um professor de neuroanatomia durante a graduação que não ensinava neuroanatomia. Ele começava explicando a medula e, em um monólogo digressivo, passava por todos os outros assuntos do mundo. Os assuntos eram muito interessantes e curiosos (de como pilotar a um avião a como fazer uma viagem pela Europa sem dinheiro algum), principalmente para um calouro como eu. Mas nunca saímos da medula e o que sei sobre anatomia aprendi com outros professores e, principalmente, sozinho.
Porém algo que nunca esqueço foi a seguinte fala deste professor, mais ou menos assim:
O desenvolvimento humano passa por fases. Fases musicais. A criança ouve as músicas infantis e as  familiares. Mas, chegada a adolescência, poda neural e reestruturação sináptica, começa a ouvir rock. E rock pesado, heavy metal ou punk rock. Depois vem um rock mais leve, com mais melodia e letra, na medida em que a cognição também avança. Mais tarde vem a MPB, que dá lugar à Bossa Nova, ao Jazz até que, ao fim da existência, é a música clássica que está de encontro ao ritmo, à melodia e à harmonia da alma humana.
Em que pese a falta de estudos empíricos destes estágios mais rígidos do que qualquer fase piagetiana, há algo a declarar. Acabou minha fase Rock´n´Roll. E já tem algum tempo.
Descobri o rock progressivo na adolescência e conhecia cada nota dos álbuns “Dark Side of The Moon” e do “We Wish You Here” do Pink Floyd. Mas se Syd Barret ressuscitasse, o David Gilmour fizesse as pazes com o Roger Waters e todos resolvessem fazer um show na Pedreira com a formação original… bom, eu só iria se o ingresso não ao fosse muito caro.
Tenho me empolgado mais com os lançamentos da MPB do que com bom e velho outro gênero musical. O último disco do Pearl Jam, por exemplo, tão aclamado pela crítica. Não consigo ouvir as músicas mais rápidas e pesadas e, se ouço, não me empolgo. No entanto ouço com atenção várias vezes as baladinhas quase voz e violão do Eddie Vedder que lembram seu trabalho solo na trilha do filme “Na natureza selvagem”.
Ah, envelheci. Meu ritmo interno diminuiu. E, não acreditaria anos atrás, isso é muito bom.
Mas é claro que nenhuma música marca mais uma pessoa do que aquela que ouviu na adolescência. Coloque um disco do Pink Floyd para tocar. Minha espinha arrepiada vai ser mais lembrada do que qualquer aula de neuroanatomia.

pink_floyd_001

(Eu queria mesmo é ver essas moças darem um mergulho)

.

Tive um professor de neuroanatomia durante a graduação que não ensinava neuroanatomia. Ele começava explicando a medula e, em um monólogo digressivo, passava por todos os outros assuntos do mundo. Os assuntos eram muito interessantes e curiosos (de como pilotar a um avião a como fazer uma viagem pela Europa sem dinheiro algum), principalmente para um calouro como eu. Mas nunca saímos da medula e o que sei sobre anatomia aprendi com outros professores e, principalmente, sozinho.

Porém algo que nunca esqueço foi a seguinte fala deste professor, mais ou menos assim:

O desenvolvimento humano passa por fases. Fases musicais. A criança ouve as músicas infantis e as  familiares. Mas, chegada a adolescência, poda neural e reestruturação sináptica, começa a ouvir rock. E rock pesado, heavy metal ou punk rock. Depois vem um rock mais leve, com mais melodia e letra, na medida em que a cognição também avança. Mais tarde vem a MPB, que dá lugar à Bossa Nova, ao Jazz até que, ao fim da existência, é a música clássica que está de encontro ao ritmo, à melodia e à harmonia da alma humana.

Em que pese a falta de estudos empíricos destes estágios mais rígidos do que qualquer fase piagetiana, há algo a declarar. Acabou minha fase Rock´n´Roll. E já tem algum tempo.

Descobri o rock progressivo na adolescência e conhecia cada nota dos álbuns “Dark Side of The Moon” e do “We Wish You Here” do Pink Floyd. Mas se Syd Barret ressuscitasse, o David Gilmour fizesse as pazes com o Roger Waters e todos resolvessem fazer um show na Pedreira com a formação original… bom, eu só iria se o ingresso não fosse muito caro.

Tenho me empolgado mais com os lançamentos da MPB do que com bom e velho outro gênero musical. O último disco do Pearl Jam, por exemplo, tão aclamado pela crítica. Não consigo ouvir as músicas mais rápidas e pesadas e, se ouço, não me empolgo. No entanto ouço com atenção várias vezes as baladinhas quase voz e violão do Eddie Vedder que lembram seu trabalho solo na trilha do filme “Na natureza selvagem”.

Ah, envelheci. Meu ritmo interno diminuiu. E, não acreditaria anos atrás, isso é muito bom.

Mas é claro que nenhuma música marca mais uma pessoa do que aquela que ouviu na adolescência. Coloque um disco do Pink Floyd para tocar. Minha espinha arrepiada vai ser mais lembrada do que em qualquer aula de neuroanatomia.

11 Comentários »

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  1. Tem muito de verdade nisso. Há 7 anos, ouvia tão-só punk rock e hardcore. Há 4, só indie-rock. Há 1, ainda indie-rock, mas em sua expressão mais soft e algo de MPB. Dia desses me peguei comprando um DVD dos Carpenters e botei Cartola numa reunião em casa. Acho que estou no ritmo errado, pois nesse passo aos 40 só ouvirei cantos de pássaros.

    (E esse arrepio na espinha, ah, como é real.)

  2. Já ouvi tanta coisa que hoje não suportaria… Mas de fato, sempre tem aquelas canções que arrepiam. Só vou em show se não for muito caro, ou muito longe. Há umas semanas atrás lá estava eu reclamando da barulheira da festa no andar de baixo, queria dormir… aos 26. Os ossos podem não estar tão velhos, mas os olhos e ouvidos estao meio cansados…

  3. Legal, faz sentido. Mas acho que em alguns casos esses estágios não são aplicáveis, como você disse, “falta de estudos empíricos”… por exemplo meu avô, nasceu, cresceu e vai morrer ouvindo Tião Carreiro e Pardinho, hehe. Abraço.

  4. Herege!!!!!

    Engraçado que entrei na adolescência ouvindo rock ‘n’ roll, aprendi a ouvir mpb, fiquei com nojo de caetanos, me apaixonei por músicas de raíz, aprendi a ouvir música erudita. O rock sempre esteve lá e agora, depois de tudo isso, quando preciso de um tempo só pra mim, a trilha é Led Zeppelin, Pink Floyd, Deep Purple, Police…

  5. Too old to rock, too young to die!!

  6. Sempre desconfiei que eu fosse estranha…

    Sempre gostei de rock, desde pequena. Hoje, ainda me pego cantando cantigas antigas de uma infancia cada vez mais distante. Adoro MPB e Bossa-Nova. Gosto demais de Jazz e de música clássica, tanto que a minha música favorita é um movimento das Bachianas nº 5 do Villa-Lobos.

    Sempre desconfiei que esse sorriso insistente na face só poderia ser expressão de alguma disfunção cerebral… hehehehehehe

    O teu professor fez uma observação muito perspicaz, fizeste bem em tê-la guardado e compartilhado conosco.

    Um abraço

    • É uma situação complicada, esse de que com o tempo vamos mudando nosso estilo de música. Acredito que vamos ganhando bagagem com a vida e isso reflete no que ouvimos, cresci numa década entupida de música sertaneja e pagode, encontrar pequenas pérolas em fitas k7 era como atingir um novo mundo e sair de tudo que dominava em rádios, a internet só veio me ajudar com músicas alguns anos depois, acho que com o tempo vamos ganhando experiência e ouvindo com mais atenção música clássica, jazz, mpb. Chega um ponto u=que toda rebeldia vira faxada.

  7. Se olharmos para as evidências, a maior parte da população ouve sertanejo (uma pesquisa significativa aqui de Curitiba mostrou isto: 64%). As rádios mais ouvidas aqui tocam sertanejo. E parece que nesta área a coisa não evolui muito…

  8. Acho que sou o oposto do conteúdo do seu bom texto. Comecei na adolescencia escutando Pink Floy, Queen e Led. Depois passei para a eletrônica do Kraftwerk. Em seguida veio minha fase punk. Hoje, tenho 47 anos e tô no mundo do Metal.Metallica, Megadeth, Filter, Rush, Iron Maiden são as que, atualmente, me satisfazem.

  9. tadinho…
    😉

  10. que texto incrível! xD


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