feliz 2010!

30, dezembro 30UTC 2009 às 11:14 pm | Publicado em bicicleta, desenhos | 4 Comentários

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Como o próximo ano é ano de eleições, desde já desejo os melhores votos para 2010!

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troféu meandros 2009

23, dezembro 23UTC 2009 às 7:03 pm | Publicado em sem categoria melhor | 10 Comentários

Chegou a hora do tradicional e aguardado  prêmio artístico/cultural deste blogue. Para quem não acompanhou as edições anteriores (06, 07 e 08), trata-se das minhas melhores obras que que tomei contato este ano. Critérios altamente subjetivos. Premiações também. Sem mais alarde… vamos lá!

Eis o cobiçado troféu (em estilo minimalista)

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Melhor Filme

Bom, ainda não vi Avatar e nem o do Tarantino. Ah, não vi um monte de filmes este ano, principalmente no cinema. Maldita gripe suína.

– Professor, posso fazer uma pergunta? – Já fez uma pergunta.

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1. Entre os muros da escola
O cotidiano de um professor e sua sala de aula com alunos da periferia de Paris. Atores amadores representando seus próprios papéis (o professor foi quem escreveu a autobiografia em cujo roteiro foi baseado, por exemplo). Típico filme que os professores gostam, sem soluções fáceis ou pieguismo.
2. Wall – E
A Pixar continua fazendo o que há de melhor no cinema americano. Alguém ainda duvida?
3. Guerra ao Terror
Soldados americanos responsáveis por desarmar bombas. Em interpretações incríveis e um ponto de vista bastante inusual para filmes de guerra. Não passou no cinema, procure na sua locadora de confiança.
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Melhor Show/Peça teatral

Vi pouquíssimas coisas no teatro, por isso resolvi juntar duas categorias. O que vi praticamente está aí embaixo. Maldita gripe suína.

Porque sogra é igual trator. Pro serviço é bom, mas não serve para passear.

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1. Paulinho Mixaria

Nunca ri tanto em duas horas em meia. O gaúcho é realmente muito engraçado (e ser engraçado é o que espero de um comediante em um show de humor). Os puristas podem dizer que a maioria das piadas não é de autoria dele (e é verdade), mas a interpretação é impagável (é como assitir uma banda tocando covers, eles podem ser melhores do que o original). Mas o seu texto sobre o sagú (mais de meia hora de piada própria só sobre o tema) é a melhor parte do show.

2. Zélia Duncan (Pelo Sabor do Gesto)

Não tem tanto carisma. Não tem tanta desenvoltura no palco . Mas tem um vozeirão e um ótimo repertório este ano.

3. Nervo Craniano Zero

A peça não é tão boa quanto Graphic ou Morge Sostory, mas a companhia Vigor Mortis é sempre muito além da média.

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Melhor HQ

Em compensação li muitos quadrinhos. E com qualidade crescente.

Não se iluda com o traço infantil.

1. Bone, Jeff Smith

Ótimo roteiros, ótimos desenhos (destaque para o contraste em luz e sombra em todas as páginas), ótimo ritmo; humor, suspense e ação na medida correta. O tipo de leitura que se espera que não acabe nunca.

2.  Retalhos, Craig Thomson

Antes de iniciar este catatau de quase 600 páginas, procurei um marcador de textos.  Não precisei usar: foram três horas de leitura prazerosa pela madrugada adentro, incapaz de abandonar a obra (mesmo que momentaneamente) até seu término. Uma autobiografia no melhor estilo de Maus e Persépolis: sem holocauto ou regime político totalitário, mas com a mesma intensidade emocional a partir da “simples” experiência bullying na escola ou de crescer em uma família evangélica fundamentalista sufocante em uma cidade pequena.

3. O Chinês Americano, Gene Luen Yang

Se em Bone as cores não fazem falta nenhuma, aqui é incrível como o autor consegue combinar as cores chapadas. Além do ótimo roteiro que combina três histórias paralelas sobre a alteridade. É tudo o que falam sobre.

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Melhor Livro

Há uma pilha de livros técnicos esperando a leitura. A literatura, no entanto, fluiu fácil neste ano.

Menos modéstia, menos.

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1. Uma Coisa de Nada, Mark Haddon

Mesmo que não seja tão bom quanto, o autor é o mesmo do “Estranho Caso do Cachorro Morto”. Uma família preparando-se para a festa de casamento, cada um com seu conflito: aposentadoria, adultério, homosexualidade  dentro do armário; a mesma história sob diversos pontos de vista.

2. No país das Sombras Longas, Hans Ruesch

Tem livros que às vezes  caem na graça da gente.

3. Relato de um certo Oriente, Milton Hatoun

O relato do Milton  Hatoum é o que se verdadeiramente se pode chamar de meandro literário.

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Melhor CD

Sim, ainda ouço CD e às vezes, pasmem!, até compro. Mas troquei o aparelho de vinil pelo MP3 player por questões de espaço.

Não pise na grama.

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1. Zélia Duncan – Pelo sabor do gesto

Imagine a melhor fase do Pato Fu na voz de Zélia Duncan. É isto. A co-produção do John Ulhoa deixou as boas canções do álbum com uma cara modernosa. Esqueça as músicas pop conhecidas da cantora, assim como os sambas do “Eu me tranformo em outras”, a sofisticação canta mais alto por qui.

2. Móveis Coloniais de Acaju – C_mpl_te

É a banda do momento no Brasil. E com mérito. Obrigatório para quem ainda não ouviu. E de grátis.

3. Banda Gentileza – Banda Gentileza

Não é por ser uma banda local. As músicas são boas mesmo. E também são de grátis.

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Melhor Blogue

Ah, esta grande devoradora do tempo que é a internet…

Conheço o antigo banner de algum lugar.

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Pela milésima vez, levando o troféu para casa. Por mais que saiam outros blogues por aí, estou para ver um com a profundidade deste blogue-ideia. Deixai toda a superficialide para o tuíter.
Falando em tuíter, muitos afirmaram que ele mataria os blogues. Não sei se é verdade, embora tenha teixado seriamente enfermo este que vos escreve. O fato é que a simples indicação de links, frases espirituosas ou uma imagem legal cabe melhor lá no microblogue. Por isto é bom ver um blogue funcionando no sistema antigo, postando segundo o interesse o que tem vontade.E publicando sobre o que quiser, embora quase sempre sobre bicicleta.
Um viajante tem sempre boas histórias para contar. O blogue do Luís Nachbin conta alguma das histórias inéditas que não estão no programa de televisão e serviu para preenhcer a lacuna de episódios inéditos este ano.
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Melhor programa de TV
Sim, ainda tem alguma coisa que preste na TV aberta.
Não, não é a Marilda.
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1. Som & Fúria
Uma minisérie sobre teatro tinha tudo para não dar boa audiência por aqui. Pena, pois esta adaptação da original canadense sobre sob a batuta do Fernando Meirelles ficou memorável. Só não funcionou colocar as duas primeira temporadas como se fossem uma só. O restante funcionou tudo. Espero ansioso o DVD.
2. CQC
É mais do mesmo, já está enjoando, mas é um dos únicos programas que ainda me fazem sentar no sofá só para assistir.
3. Profissão Repórter
Ironicamente, as melhores reportagens da Globo estão sendo feitas por iniciantes. O mérito parece estar na liberdade do Caco Barcellos trabalhar.
Melhor jogo
O vídeo-game é a segunda melhor maneira de perder tempo depois da internet.
Siga aquele navio!
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1. Zack & Wiki
Este jogo de Wii mistura Monkey Island, jogos de quebra-cabeça e movimentos inovadores do wiimote.  Muito difícil, definitivamente uma criança não conseguiria resolver. Ainda bem que não sou mais uma criança.
2. Jogos de pontinhos no NDS
O Nintendo DS possui vários jogos lógicos de preencher pontos como o Pic Cross. Eles existem no papel também, publicados pela Ediouro (Coquetel) e atendem pelo nome de Logic Pix. Mas no video-game é muito mais prático. E viciante. Dá para esquecer o Sudoku.
3. Scribblenauts
Neste jogo do DS, tudo o que você escrever aparece. Tudo… e em português! Simples e funcional. Como não pensaram nisso antes?
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É isso aí! Parabéns aos vencedores. Poderão retirar seu prêmio no escritório em horário comercial até 31/12/09.
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P.S.: Duas menções honrosas no apagar das luzes de 2009:
  • Havia esquecido do ótimo filme Milk. Talvez este deveria ter levado o troféu. Embora o tema seja outro, na película dá para perceber porque a Bicicletada (Critical Mass) começou em San Francisco.
  • Descobri agora o blogue d´Os Trigêmeos. Li todo (quase) de uma só vez. Uma visão masculina sobre a educação dos três filhos (obviamente trigêmeos). Muito bem escrito e de interesse muito além de quem esteja passando por uma gestação múltipla.

a conquista do nada

8, dezembro 08UTC 2009 às 9:33 pm | Publicado em literatura | 2 Comentários
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2009 é/foi um ano de comemorações de centenários. 100 anos da descrição da doença de Chagas, do Sport Club Internacional, do Coritiba Foot Ball Club, da letra do Hino Nacional, além do bicentenário de nascimento de Charles Darwin, só para ficar entre os mais citados. Cada um foi mais ou menos relembrado, de acordo com seu nicho e com sua importância relativa.  Um centenário, entretanto, foi muito pouco mencionado: o da conquista do Pólo Norte.

Ainda bem.

Em primeiro lugar porque provavelmente trata-se de uma fraude. Depois, porque foi não o homem branco – Robert Peary, o que levou a fama – o principal responsável pela façanha. Não fossem os esquimós e um importante membro negro da equipe – Matthen Henson – toda a equipe estaria até hoje sepultada no grande bloco de gelo branco que é o ártico.

Esquimós, aliás, não. Inuits.  O termo esquimó originalmente era utilizado por outros grupos étnicos e significava “aqueles que comem carne crua”, sendo obviamente pejorativo. Embora hoje não carregue mais este tom negativo, a etnia mais ao norte preferia (e prefere) se auto-referenciar como Inuit, ou seja, os Homens. Os verdadeiros Homens, únicos que conseguem sobreviver no e do gelo.

Há dois ótimos romances sobre este povo: “No país das Sombras Longas” e “A Volta ao país das Sombras Longas”, publicados por aqui na década de 80, já esgotados, mas encontráveis em sebos. De prosa direta e aparentemente simples, o autor Hans Ruesch (que nunca pisou no Alasca ou em outra parte do círculo polar ártico, mas que parece ter estudado aprofundadamente a cultura inuit) apresenta o cotidiano de uma família caçadora.

Se o que está lá é verdade, há informações muito curiosas além dos beijos com o nariz e do empréstimo da esposa. Os inuits, por exemplo, não possuem a palavra “roubar” em seu vocabulário, utilizam uma dieta exclusivamente carnívora, hibernam no inverno, não realizam despedidas, entregam à morte crianças pequenas e idosos sem culpa e  e são o único grupo humano conhecido a não se envolver em guerra alguma.

Vejamos o relato da conquista do Pólo Norte sobre a ótica inuit presente no segundo volume da série:

– Meu pai conhecei vários homnes que tinham viajado na expedição de Pohol, a mais famosa entre os homens brancos. Durante anos, os homens brancos tentaram chegar tão perto do norte de tal modo que vissem o sul em todas as direções para que se voltassem. Ninguém sabe quantos morreram tentando e quantos comeram os outros para sobreviver, para não falar dos navios esmagados quando o mar se congelou. Eles insistiam em viajar como em suas próprias terras, carregando desde a partida todo o alimento e o carvão de que precisariam. Assim, todos se davam mal, a não ser que voltassem a tempo, como o bom e velho Pohol e seus companheiros fizeram antes. Até que os Homens decidiram mostrar-lhe como viajar no gelo, lamentando que ele fosse velho. Parece que durante um ano inteiro todas as tribos de homens brancos abaixo da linha das árvores não falaram em outra coisa: o velho Pohol vai conseguir chegar ao norte exato? Eles pronunciavam seu nome de modo diferente. A viagem não era fácil, mesmo para os Homens que o acompanhavam, porque Pohol e seus companheiros não eram fortes e não se sentiam aquecidos na maior parte do tempo, e os Homens tinham de levar todas as cargas desnecessárias dos homens brancos. Bem, todos trilharam para o norte até que o instrumento mágico dos homens brancos lhes disse que finalmente haviam alcançado o norte exato. E o que vocês pensam que encontraram lá?

– O quê?

– Nada! – Os olhos de Papik se encheram de água com o regozijo. – Absolutamente nada!

Este ano Claude Levi-Strauss, com 100 anos, morreu. Uma ideia central de sua obra é a de que não há cultura superior ou inferior, apenas diferente. E olhar para a cultura alheia possibilita um olhar melhor para a sua própria cultura. Até onde um olhar centenário alcança.

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