3 livros sobre a África

14, março 14UTC 2010 às 11:37 pm | Publicado em literatura | Deixe um comentário
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O Brasil é o país do futuro. Precisamente, o país de 2014 e 2016, quando o mundo volta o olhar para nós por ocasião da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O país do presente é a África.
Bom, obviamente sei que a África não é um país e que muito menos se resume à África do Sul. Mas muita gente não sabe. A confusão do todo com a parte denuncia o quão pouco conhecemos sobre este continente. Eu  incluso.
É difícil escapar dos clichês savana, leão, zebra, girafa,tribos, Saara e o Egito lá em cima, quase-nem-sendo-mais-a-África. A tal da simplificação que facilita a vida, mas nada informa. Muito do cinema sobre o continente original da espécie humana vai nessa linha, com algumas felizes excessões recentes. O pouco que conheço sobre o cotidiano e a política dos nossos vizinhos do outro lado do Atlântico vem de algum livros (muito indicados!)  que se ambientam por lá.
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O primeiro é “Memórias de um Primata“, escrito pelo neurocientista americano Robert Sapolsky. O livro é sobre sua pesquisa com Babuínos, estresse, glicocorticóides e hierarquia social e mescla observações sobre seu objeto de estudo e relatos de suas experiências no Quênia e países adjacentes. Extremamente bem humorado, o autor vai bem além do formalismo acadêmico e mesmo do gênero “divulgação científica”, contando impagáveis e inesquecíveis  histórias sobre os massai e sobre suas viagens de carona em caminhões  em terras onde dificilmente um conterrâneo seu pisaria .
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O segundo é “Gostaríamos de informá-lo que amanhã seremos mortos com nossas famílias“, escrito pelo jornalista americano Philip Gourevitch. É sobre o massacre ocorrido em Ruanda em 1994. Uma tentativa de compreensão  da origem do conflito – a rivalidade tribal entre tutsis e hutus, criada pelos belgas – os eventos do confitos em si e o desdobramento posterior. O tipo de relato que mostra até onde a espécie humana pode chegar.
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E o terceiro,  “A Guerra do Futebol“,escrito pelo jornalista polaco Ryszard Kapuscinski.  Embora o título do livro refira-se a um evento bélico tipicamente latino-americano, mais de um terço do livro refere-se às andanças do autor pela África na época em que era correpondende do jornal estatal da Polônia nos anos 60 e 70. Um dos maiores nome do jornalismo literário, Kapuscinski conta sobre algumas vezes que arriscou seu pescoço estando presente no olho do furacão quando os países buscavam a independência de suas colônias européias. Seu relato é extremamente forte, marcante e bonito.  Além de informativo, de quem vivia a história dos países onde estava  modo tão intenso (ou até mais intenso) que seus próprios habitantes.

São livros sobre uma África um pouco mais real.
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