bicicletada

26, julho 26UTC 2010 às 6:40 pm | Publicado em bicicleta | Deixe um comentário

Para quem nunca participou, vale a pena conhecer.

Para quem já conhece, vale a pena voltar a participar.

E, no domingo, cicloturismo até Morretes com o pessoal de Sampa.

Mitos e Verdades sobre a criação de gêmeos

14, julho 14UTC 2010 às 6:12 pm | Publicado em educação | 16 Comentários
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Do alto dos meus cinco meses de experiência como pai amoroso e dedicado de duas lindas menininhas, já me atrevo a comentar sobre as frases comumente ditas a respeito da educação de gêmeos pequenos.  Em que pese a experiência ser pessoal e não necessariamente generalizável para outros casos, seguem minhas considerações.

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1. Gêmeos dão trabalho em dobro.

MITO

Sim, gêmeos dão bem mais trabalho que um bebê só. Mas não chega a ser o dobro. Ou até chega ultrapassar o dobro. Mas exatamente o dobro de trabalho, os gêmeos não dão. Explico. Para levar ao pediatra, por exemplo, o dobro de trabalho seria agendar uma consulta, levar a criança, consultar a criança, trazer a criança para casa, agendar outra consulta, levar a outra criança, consultar a outra criança e trazer a outra criança para casa. Portanto, agendar duas consultas (uma junto da outra), levar as crianças juntas, consultá-las na sequencia e trazê-las juntas para casa dá menos que o dobro do trabalho. Talvez uns 130%. Por outro lado atender dois bebês chorando fortmente ao mesmo tempo dá bem mais trabalho do que acalmar um bebê chorando e depois acalmar o outro bebê chorando. Uns 260%. Mas 200% de trabalho é bem difícil de acontecer.

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2. Você vai precisar de ajuda.

VERDADE

Talvez esta seja a maior verdade sobre gêmeos. Uma mãe sozinha ou mesmo apenas o casal dificilmente passarão pela experiência de cuidar de uma duplinha (ou trio, quarteto…) sem danos físicos ou psíquicos. Felizmente estamos podendo contar com avós, cunhadas, primos e outros amigos e familiares nesta desgastante empreeitada. E, se você leitor, quiser nos ajudar, será bem-vindo!

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3. É possível amamentar dois bebês ao mesmo tempo

MITO

Embora amamentar no seio seja a única tarefa completamente exclusiva da mãe (nas outras o pai não tem desculpa, não só pode como deve fazê-las), me arrisco a dar pitaco neste item também. Amamentar é muito mais que dar o leite para o bebê. É conversar com ele, olhar nos olhos, transmitir carinho, transmitir amor e blá blá. Como fazer isso segurando dois? Não dá. Dá para dar leite para dois ao mesmo tempo, mas não Amamentar. Só de vez em quando, para tirar alguma foto.

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4. Quando um gêmeo chora, o outro chora também.

MITO

As minhas, pelo menos até agora, só fazem isto quando o choro é muito, muito intenso. É comum até que uma chore e a outra ria no mesmo ambiente. Talvez o choro simultâneo seja coisa de gêmeo monozigótico (coisa que as minhas não são), que faz com que sintam o que o outro está sentindo e tal. Não sei. Sei que a empatia fraternal ainda precisa ser melhor desenvolvida aqui em casa.

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5. Os gêmeos dão muito mais alegria.

VERDADE

E mais que o dobro! E mais que tudo! Duas crianças sorrindo juntas  iluminam o quarto, a casa, a cidade, o mundo inteiro!

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Vou até ali enxugar a baba e já volto.

eu estava certo e não sabia

12, julho 12UTC 2010 às 9:55 pm | Publicado em cotidiano | 3 Comentários

Do blogue do José Aguiar.

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Quatro anos atrás escrevia sobre as vantagens do futebol. Experimentava as reações positivas de um neo-torcedor. Hoje vivo sensações inversas. E chego a pensar que bom mesmo era a época em que eu não dava a mínima para o esporte bretão. Seguem alguns eventos que propiciaram a reflexão.

Antes de começar a exploração midiática do caso do goleiro Bruno, perguntaram a um colega do doutorado, que é policial militar, o que tinha achado do último jogo do Brasil. Disse ele que não tinha visto, que não assistia futebol. Nem copa do mundo? Reafirmou que não, que o futebol não tinha como ser algo limpo. Como é um time como o Flamengo, apenas com a renda própria, conseguiria pagar os altos salários dos jogadores sem estar associado com o tráfico de drogas?

Um fotógrafo que veio fazer cobrir uma reportagem aqui em casa se queixou que também precisa aguentar a bagunça em dias de jogo, pois mora igualmente próximo de um estádio. Perguntei se ele torcia para o time da proximidade. Respondeu que depois começar a fotografar profissionalmente o futebol e conhecer a realidade por dentro, não há graça nenhuma.

Nos primórdios da blogosfera, perguntei ao Tiago Rechia para que time ele torcia. Respondeu que torcia para o Atlético, mas que não torce mais. Para nenhum. Depois de conhecer as falcatruas do mundo do futebol, deixou de ser torcedor.

Mas, principalmente, reencontrei um colega de  faculdade.  Na época, ele tinha fortemente associado à sua identidade o seu time do coração e frequemente assistia às aulas vestido com roupas licenciadas do clube. Obviamente comparecia a todos os jogos locais (e muitos em outras cidades) e era um exímio conhecedor da história atual e recente da equipe. Achei-o na praça do Japão, cuidando da filha de dois anos e pouco. Contou que a esposa estava com um ótimo trabalho e era ele quem cuidava da menina o dia todo. Perguntei sobre futebol. Deixei aquela idiotice de lado – respondeu – e hoje só fico sabendo dos resultados para ter assunto com meu sogro. E, estranhamento, começou a falar sobre o quanto era perda de tempo acompanhar futebol.

Perda de tempo e de dinheiro, agora digo eu. Seria extremamente injusto passar um pouco da minha pouca e suada renda (fruto de trabalho e muito estudo) para atletas ricos e ignorantes que quase não merecem ser chamados de atletas. (Depois de correr 90 minutos reclamam de cansaço! Um corredor, nadador ou ciclista corre, nada ou pedala  por dias inteiros com pouca verba sem reclamar. Sem contar que o boleiro poucos anos depois de se aposentar estão todos gordos.)

Este texto pode ser ressaca com o fim da copa, não sei como estarei daqui a quatro anos. Há quem diga que o Mundial no Brasil só vai trazer benefícios. Sei não. Já sinto falta do tempo em que a falta de futebol não trazia prejuízos.

o maior medo

6, julho 06UTC 2010 às 10:14 pm | Publicado em histórias verídicas que realmente aconteceram | 3 Comentários

Qual é o seu maior medo? Não me refiro a  um medo generalizado ou alguma fobia sem causa racional (aparente) para existir.  Pergunto sobre o seu Medo, com nome, sobrenome e data de origem.

O meu maior medo sempre foi ser enterrado vivo. Começou quando eu tinha uns cinco ou seis anos de idade. Na festa de ano novo pude ficar acordado até mais tarde e topei com uma cena em um filme da madrugada (talvez fosse até o Super Cine, mas para mim era madrugada). Em tons verde-escuro e cinza, uma mulher tenta sair do caixão em que está presa. E em vão.  Aquilo me angustiou muito e foi potencializado pelo desenho da cortina da sala (que lembrava muito alguém de boca aberta pedindo socorro) onde tive que dormir, pois provavelmente meu quarto estava emprestado para algum parente.

Mais ou menos uma semana depois resolvi pedir ajuda. Depois de muito pensar, perguntei:

– Mãe, se eu morrer… a mãe escuta meu coração antes de me colocar no caixão pra ver se eu não estou vivo?

A mãe acalmou o pobre menininho por hora.  Mas cresci e o medo cresceu junto (provavelmente alimentado pelas histórias de meu avô que, já tendo trabalhado de coveiro,  encontrou muito cadáver de bruços). As estratégias de enfrentamento do perigo  felizmente cresceram também. Mas precisavam ser testadas. Nada melhor do que um primo mais velho (e, portanto, mais experiente) para avaliar a eficácia da nova técnica:

– Quando eu morrer quero ser enterrado com uma marreta…

– Ué, mas por quê?

– Porque caso eu seja enterrado vivo, eu posso destruir o caixão e os tijolos em volta e me salvar.

– Ah, mas eu quero ser enterrado com dois baldes de água!

– Hein?!

– É, porque se eu morrer e for pro inferno, eu jogo a água e não me queimo.

Cada um com seus medos.

autoajuda atrapalha

4, julho 04UTC 2010 às 10:40 pm | Publicado em psicologia | 4 Comentários
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Para não dizer que não falei da Copa do Mundo, respondo o que penso sobre o que faltou à seleção brasileira. Faltou profissionalismo. Do Dunga? Não. Dos jogadores? Não. Do psicólogo do esporte que era… quem mesmo?

A ligação entre a seleção brasileira e a Psicologia do Esporte remonta aos primórdios desta quando em 1958 João Carvalhaes, o pioneiro da área no Brasil, prestou consultoria à CBF. Começou equivocadamente (embora não possamos julgá-lo hoje assim, dado o ineditismo do seu trabalho) ao aplicar um teste de inteligência não padronizado a todos os jogadores. O Garrincha, coitado, foi apontado como deficiente mental (realmente inteligência lógica-matemática não parecia ser seu forte) e Carvalhaes sugeriu que não fosse titular. Sorte que o técnico Feola não ouvi a sugestão e o Brasil sagrou-se campeão.

Mas, de lá para cá, a Psicologia e, em especial, a Psicologia do Esporte evoluiu muito. No entanto os últimos técnicos de futebol (ex-atletas e ex-preparadores físicos, em outras palavras) continuam a não dar bola (litealmente) para ela.

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O Parreira, em 2006, não só dispensou um profissional de psicologia como ele próprio encarnou o guru da liderança. Além de escrever o famoso (por motivos errados) livro “Formando Equipes Vencedoras”, buscou motivar os atletas com a música “Epitáfio“, dos Titãs. A letra basicamente diz para levar a vida menos a sério e aproveitar o prazer de cada momento. Resultado: jogadores que passavam a noite jogando video-game na concentração e achavam que o gol surgiria naturalmente durante a partida (a real).

Já Dunga, adotou uma postura oposta: exigiu rigidez e disciplina de seus jogadores. Mas tampouco achou importante um profissional da psicologia ao seu lado. Ao contrário, ainda no Brasil, quando treinava a seleção no CT do Caju, declarou:

Não será meia hora de conversa com um psicólogo que vai mudar a cabeça de alguém. É muito mais fácil fazer isso no dia a dia, adquirindo a confiança dos jogadores e mostrando que eles chegaram por méritos próprios. Isso, sim, funciona: mostrar algo positivo.

Claro está que Dunga não sabe o que faz um psicólogo do esporte. E, em seu lugar, chamou Augusto Cury, um campeão de vendas de livros de autoajuda para ser um “semeador de ideias”, nas suas próprias palavras.

Cury, apesar de ser médico psiquiatra, dá pouca importância para a ciência (embora diga o contrário). Quem já leu qualquer um seus livros (em especial “Inteligência Multifocal”) sabe que ele abre mão do burocrático método científico para desenvolver teorias a partir de sua própria inspiração, criando conceitos que são puro senso comum adornado por poesia barata.

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Enquanto os jogadores corriam atrás de seus sonhos, sendo estrelas vivas dentro do teatro da existência, a Holanda fez um gol e todos mostraram o grande despreparo emocional que levou a seleção à derrota.

Passou da hora da seleção tratar (no melhor sentido) os aspectos psicológicos de forma realmente profissional. E psicologia… é com o psicólogo!

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