o maior medo

6, julho 06-03:00 2010 às 10:14 pm | Publicado em histórias verídicas que realmente aconteceram | 3 Comentários

Qual é o seu maior medo? Não me refiro a  um medo generalizado ou alguma fobia sem causa racional (aparente) para existir.  Pergunto sobre o seu Medo, com nome, sobrenome e data de origem.

O meu maior medo sempre foi ser enterrado vivo. Começou quando eu tinha uns cinco ou seis anos de idade. Na festa de ano novo pude ficar acordado até mais tarde e topei com uma cena em um filme da madrugada (talvez fosse até o Super Cine, mas para mim era madrugada). Em tons verde-escuro e cinza, uma mulher tenta sair do caixão em que está presa. E em vão.  Aquilo me angustiou muito e foi potencializado pelo desenho da cortina da sala (que lembrava muito alguém de boca aberta pedindo socorro) onde tive que dormir, pois provavelmente meu quarto estava emprestado para algum parente.

Mais ou menos uma semana depois resolvi pedir ajuda. Depois de muito pensar, perguntei:

– Mãe, se eu morrer… a mãe escuta meu coração antes de me colocar no caixão pra ver se eu não estou vivo?

A mãe acalmou o pobre menininho por hora.  Mas cresci e o medo cresceu junto (provavelmente alimentado pelas histórias de meu avô que, já tendo trabalhado de coveiro,  encontrou muito cadáver de bruços). As estratégias de enfrentamento do perigo  felizmente cresceram também. Mas precisavam ser testadas. Nada melhor do que um primo mais velho (e, portanto, mais experiente) para avaliar a eficácia da nova técnica:

– Quando eu morrer quero ser enterrado com uma marreta…

– Ué, mas por quê?

– Porque caso eu seja enterrado vivo, eu posso destruir o caixão e os tijolos em volta e me salvar.

– Ah, mas eu quero ser enterrado com dois baldes de água!

– Hein?!

– É, porque se eu morrer e for pro inferno, eu jogo a água e não me queimo.

Cada um com seus medos.

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