eu estava certo e não sabia

12, julho 12-03:00 2010 às 9:55 pm | Publicado em cotidiano | 3 Comentários

Do blogue do José Aguiar.

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Quatro anos atrás escrevia sobre as vantagens do futebol. Experimentava as reações positivas de um neo-torcedor. Hoje vivo sensações inversas. E chego a pensar que bom mesmo era a época em que eu não dava a mínima para o esporte bretão. Seguem alguns eventos que propiciaram a reflexão.

Antes de começar a exploração midiática do caso do goleiro Bruno, perguntaram a um colega do doutorado, que é policial militar, o que tinha achado do último jogo do Brasil. Disse ele que não tinha visto, que não assistia futebol. Nem copa do mundo? Reafirmou que não, que o futebol não tinha como ser algo limpo. Como é um time como o Flamengo, apenas com a renda própria, conseguiria pagar os altos salários dos jogadores sem estar associado com o tráfico de drogas?

Um fotógrafo que veio fazer cobrir uma reportagem aqui em casa se queixou que também precisa aguentar a bagunça em dias de jogo, pois mora igualmente próximo de um estádio. Perguntei se ele torcia para o time da proximidade. Respondeu que depois começar a fotografar profissionalmente o futebol e conhecer a realidade por dentro, não há graça nenhuma.

Nos primórdios da blogosfera, perguntei ao Tiago Rechia para que time ele torcia. Respondeu que torcia para o Atlético, mas que não torce mais. Para nenhum. Depois de conhecer as falcatruas do mundo do futebol, deixou de ser torcedor.

Mas, principalmente, reencontrei um colega de  faculdade.  Na época, ele tinha fortemente associado à sua identidade o seu time do coração e frequemente assistia às aulas vestido com roupas licenciadas do clube. Obviamente comparecia a todos os jogos locais (e muitos em outras cidades) e era um exímio conhecedor da história atual e recente da equipe. Achei-o na praça do Japão, cuidando da filha de dois anos e pouco. Contou que a esposa estava com um ótimo trabalho e era ele quem cuidava da menina o dia todo. Perguntei sobre futebol. Deixei aquela idiotice de lado – respondeu – e hoje só fico sabendo dos resultados para ter assunto com meu sogro. E, estranhamento, começou a falar sobre o quanto era perda de tempo acompanhar futebol.

Perda de tempo e de dinheiro, agora digo eu. Seria extremamente injusto passar um pouco da minha pouca e suada renda (fruto de trabalho e muito estudo) para atletas ricos e ignorantes que quase não merecem ser chamados de atletas. (Depois de correr 90 minutos reclamam de cansaço! Um corredor, nadador ou ciclista corre, nada ou pedala  por dias inteiros com pouca verba sem reclamar. Sem contar que o boleiro poucos anos depois de se aposentar estão todos gordos.)

Este texto pode ser ressaca com o fim da copa, não sei como estarei daqui a quatro anos. Há quem diga que o Mundial no Brasil só vai trazer benefícios. Sei não. Já sinto falta do tempo em que a falta de futebol não trazia prejuízos.

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