o nível da pós-graduação no Brasil

13, abril 13UTC 2011 às 9:23 pm | Publicado em desenhos, educação | 3 Comentários
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Dedico estes quadrinhos à atual política de resultados da CAPES e do CNPq.

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Mitos e Verdades sobre a criação de gêmeos

14, julho 14UTC 2010 às 6:12 pm | Publicado em educação | 16 Comentários
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Do alto dos meus cinco meses de experiência como pai amoroso e dedicado de duas lindas menininhas, já me atrevo a comentar sobre as frases comumente ditas a respeito da educação de gêmeos pequenos.  Em que pese a experiência ser pessoal e não necessariamente generalizável para outros casos, seguem minhas considerações.

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1. Gêmeos dão trabalho em dobro.

MITO

Sim, gêmeos dão bem mais trabalho que um bebê só. Mas não chega a ser o dobro. Ou até chega ultrapassar o dobro. Mas exatamente o dobro de trabalho, os gêmeos não dão. Explico. Para levar ao pediatra, por exemplo, o dobro de trabalho seria agendar uma consulta, levar a criança, consultar a criança, trazer a criança para casa, agendar outra consulta, levar a outra criança, consultar a outra criança e trazer a outra criança para casa. Portanto, agendar duas consultas (uma junto da outra), levar as crianças juntas, consultá-las na sequencia e trazê-las juntas para casa dá menos que o dobro do trabalho. Talvez uns 130%. Por outro lado atender dois bebês chorando fortmente ao mesmo tempo dá bem mais trabalho do que acalmar um bebê chorando e depois acalmar o outro bebê chorando. Uns 260%. Mas 200% de trabalho é bem difícil de acontecer.

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2. Você vai precisar de ajuda.

VERDADE

Talvez esta seja a maior verdade sobre gêmeos. Uma mãe sozinha ou mesmo apenas o casal dificilmente passarão pela experiência de cuidar de uma duplinha (ou trio, quarteto…) sem danos físicos ou psíquicos. Felizmente estamos podendo contar com avós, cunhadas, primos e outros amigos e familiares nesta desgastante empreeitada. E, se você leitor, quiser nos ajudar, será bem-vindo!

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3. É possível amamentar dois bebês ao mesmo tempo

MITO

Embora amamentar no seio seja a única tarefa completamente exclusiva da mãe (nas outras o pai não tem desculpa, não só pode como deve fazê-las), me arrisco a dar pitaco neste item também. Amamentar é muito mais que dar o leite para o bebê. É conversar com ele, olhar nos olhos, transmitir carinho, transmitir amor e blá blá. Como fazer isso segurando dois? Não dá. Dá para dar leite para dois ao mesmo tempo, mas não Amamentar. Só de vez em quando, para tirar alguma foto.

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4. Quando um gêmeo chora, o outro chora também.

MITO

As minhas, pelo menos até agora, só fazem isto quando o choro é muito, muito intenso. É comum até que uma chore e a outra ria no mesmo ambiente. Talvez o choro simultâneo seja coisa de gêmeo monozigótico (coisa que as minhas não são), que faz com que sintam o que o outro está sentindo e tal. Não sei. Sei que a empatia fraternal ainda precisa ser melhor desenvolvida aqui em casa.

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5. Os gêmeos dão muito mais alegria.

VERDADE

E mais que o dobro! E mais que tudo! Duas crianças sorrindo juntas  iluminam o quarto, a casa, a cidade, o mundo inteiro!

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Vou até ali enxugar a baba e já volto.

a fotocópia do xerox

8, junho 08UTC 2010 às 2:03 pm | Publicado em educação, sustentabilidade sustentável | 1 Comentário
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Imagem daqui, mas para um contexto diferente.

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Na condição agora de aluno, deparei-me com um discurso que costumo proferir como professor. Digo sempre no início das aulas que, havendo condições, é melhor adquirir o livro ao invés de xerocá-lo (ou fotocopiá-lo, mas a associação da  marca com o produto é tão forte que  só encontra comparativo no gilete e no chicletes).

As razões são simples: os xerox, depois de lidos, costumam parar em pilhas ou em pastas, isto se o leitor for organizado. Depois de um tempo, estes textos são guardados em lugares fechados e escuros, à espera de uma ocasião em que se queira resgatar algum deles. Se isto acontecer, provavelmente o texto não será encontrado (ou será encontrado com alguma dificuldade). A chance maior é que fiquem condenados ao ostracismo (a máxima de que “quem não é visto, não é lembrado” não vale apenas para pessoas) até que uma limpa no guarda-roupa os levem, na melhor das hipóteses, ao centro de reciclagem mais próximo. Uma espécie de purgatório  sem chance de rendenção,  tendo a condenação eterna, mais cedo ou mais tarde, como único destino.

Os livros, por outro lado, ficam bem em qualquer estante. Mesmo que nunca mais sejam abertos (o que é improvável, hora ou outra alguém resgata a obra nem que seja a título de curiosidade), servem como objetos de decoração e de espanto para as visitas (“Você já leu tudo isso?”).

Além disso, o xerox passa a falsa impressão de domínio do conhecimento. Eu já tenho o texto, dirá alguém, e é como se o texto já fosse realmente dele. Não é. Será quando for lido e lido com propriedade. Quem sabe re-lido, sublinhado e comentado nas laterais. E para isto, paradoxalmente, a posse física do texto nem é sempre necessária.

Mas para o livro não seria a mesma coisa? Não, porque um livro novo grita que não foi lido. Um livro surrado significa que passou por um leitor criterioso e agrega pontos para seu dono aos olhos externos. Enquanto que um xerox usado é visto como lixo, coisa feia, prestes a ser jogado fora.

Por isto, compre o livro ao invés de xerocá-lo, digo aos alunos. E procuro ter uma postura mais ou menos coerente com o discurso ao indicar pouca e boa bibliografia para as disciplinas que leciono. Mas como aluno, encontro uma postura diferente: para a semana, que vem os textos já estão na pasta 108; é preciso democratizar o acesso à cultura; vou emprestar estes livros de acesso difícil, devolva por favor na próxima quarta e,  para quem quiser, vai passar uma lista para que possamos socializar o livro que o colega trouxe de Cuba. Pronto, cá estou lendo a pilha de xerox enquanto ela não vai para o purgatório.

Por este prisma, nem todo livro vale a pena ser adquirido, alguns são realmente caros e a fotocópia é uma opção rápida e relativamente barata. Mas, além das clássicas e eficazes bibliotecas de bom porte, a internet felizmente pode ajudar a diminuir a prática do xerox que conta, além dos efeitos cognitivos e de organização comentados, com implicações ambientais óbvias.

Os scans e arquivos em pdf disponibilizados principalmente por revistas científicas, em época de e-readers e netbooks aproximam o leitor ao conteúdo com grande velocidade e baixo impacto. As redes sociais (como o ótimo skoob) organizam a leitura, mesmo sem a posse física  do livro. Os sebos virtuais (Estante Virtual e A Traça), assim como os sites de troca de livros (Troca de Livros e Trocando Livros) tornam o preço e o acesso das obras muito mais acessíveis.

Bom, mas no caso de ter que ir de xerox mesmo, ao menos é melhor pedir cópia frente e verso e em papel reciclado.

o Arthurzinho já sabe falar

21, abril 21UTC 2010 às 1:05 pm | Publicado em educação, histórias verídicas que realmente aconteceram | 1 Comentário

Sala de espera de uma clínica de pediatria. Uma jovem mãe segura no colo seu filho de aproximadamente dois anos e meio. Chegam carregadas duas bebês gêmeas. A mãe aponta as bebês e diz para seu filho:

Mamãe: – Olha, Arthurzinho, dois nenéns!

Arthurzinho: – Neném!

Mamãe: – Viu só que lindas? Que pequenininhas… Sabia que você também foi pequenininho assim, Arthur?

Arthurzinho: – Neném!

Mamãe:  – As nenéns ainda nem sabem falar, só sabem falar gu-gu, dá-dá.

Arthurzinho: – …

Mamãe: – O Arthurzinho já sabe falar, é muito inteligente, né?

Arthurzinho: – …

Mamãe: – O Arthurzinho já sabe falar, já sabe andar, já dorme sozinho, já vai para escolinha…

Arthurzinho (chorando):  – Não, não! Escolinha, não!

Mamãe: – Calma, calma. O Arthurzinho não vai hoje para a escola não, hoje é sábado. A escolinha é só na segunda-feira.

Arthurzinho: –  Não, não! Escolinha, não! Não!

Mamãe: – Tá bom, segunda-feira a gente conversa.

Arthurzinho: –  Não!

Mamãe: – Tá bom, então não precisa ir pra escola.

a caça às bruxinhas

17, junho 17UTC 2009 às 2:58 pm | Publicado em educação | 7 Comentários

Trabalhei em uma escola evangélica durante algum tempo. A escola era de porte médio, bem estruturada e com uma biblioteca cujo acervo contava com obras em boa quantidade e qualidade. (Os livros apenas eram catalogados, curiosamente, como se fossem filmes na locadora: havia aventuras, comédias, suspense, drama e… lançamentos!) Certa ocasião, a diretora resolveu eliminar da biblioteca todos os livros que fizessem referência a bruxas e fadas, afinal as narrativas pagãs estavam em desacordo com o posicionamento religioso da instituição. Tudo bem, a decisão foi coerente com a ideologia defendida, mas a procura pelos personagens proibidos executada livro a livro pela bibliotecária levou à fogueira ótimos títulos, como os da coleção da “Bruxa Onilda“.

bruxa onildaBruxa Onilda, em sua melhor forma

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Em uma escala maior e com critérios bem menos explícitos tem ocorrido um fenômenos de proibir-se livros e histórias em quadrinhos nas bibliotecas escolares brasileiras. Tudo começo no estado de São Paulo, quando o governo de José Serra proibiu a HQ “Dez na área, uma na banheira e ninguém no gol”. Alegou-se que a obra continha conteúdo pornográfico. José Serra chegou a afirmar que a obra era “de muito mal gosto”.

deznaarea

O mundo da bola segundo o “Dez na Área..”

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Depois foi a vez de “Um Contrato com Deus“, uma das obras mais famosas domaior mestre dos quadrinhos, Will Eisner, ser recolhida também em  São Paulo.

um contrato com deusA cena mais pesada de “Um Contrato com Deus”

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Seguiu-se Santa Catarina, retirando as “Aventuras Provisórias” de Cristóvão Tezza das escolas. E, quando o assunto já parecia velho, aparece agora o Paraná censurando a coletânea de contos “Amor à Brasileira”, com um texto do Dalton Trevisan e, novamente, “Um Contrato com Deus”. Isso graças a um vereador de União da Vitória que resolveu criar caso com as obras.

Muito já foi comentado sobre o assunto. [Vale muito a pena ler a “defesa” do Tezza para a sua obra, o acompanhamento que o Paulo Ramos tem feito dos casos no Blog dos Quadrinhos, a coluna do Alessandro Martins no Jornalismo FM e o excelente post do Elton.]

O que tenho a acrescentar é que os professores, orientadores, diretores, vereadores, governadores (enfim, para o bem ou para o mal, educadores) que proíbem de ler Will Eisner são os mesmos que indicam Machado de Assis para a sexta série. [Aliás, um das cenas mais eróticas que já li na vida foi o Bentinho trançar (calma sensores, eu disse “trançar” e não “transar”!) os cabelos de Capitu na infância.] E depois se queixam que os alunos não gostam de ler.

Há idade para tudo, claro. Mas este moralismo vitoriano subestima a inteligência e a (falta de) inocência de nossos alunos. E ainda são os mesmos educadores que, de consciência tranquila, talvez liguem a telvisão à noite e pensem o quanto é bom (e instrituivo e extremamente educativo) que uma novela mostre a cultura de outro país.

São pessoas que talvez, na ânsia de querer muito ensinar, esquecem de aprender. Aprender a ler um livro e uma boa história em quadrinhos, mesmo que tenha uma ou outra cena mais caliente. Na novela é o que mais há (sem a parte boa das outras obras) e ninguém reclama (ok, novela não passa na escola, mas todo mundo assiste).  E assim perdem a chance, inclusive, de discutir a sexualidade de uma forma sadia.

Vejamos os quadrinhos do “Dez na Área” citados aí em cima. Há palavrão e refeferências sexuais? Sim, mas aparecem de forma pejorativa. Há referência à pedofilia no “Um Contrato com Deus”? Sim, mas o pedófilo em questão afunda em seu desespero e se dá muito mal no desenrolar do conto.

Onde quero chegar? O que se pode ler (assistir, escutar, jogar) sem mediação? Quase nada. O que se pode ler (assistir, escutar, jogar) com mediação? Quase tudo. Vamos trabalhar, colegas educadores, e deixar de culpar as pobres bruxinhas esquecidas num canto da biblioteca pelos males do mundo.

Bom, ainda vai chegar o dia em que algum educador resolva ler a Bíblia atentamente e perceba que, principalmente lá no Antigo Testamento, sexo e violência recheiam as páginas do livro sagrado. Aí eu quero ver que livro sobra na biblioteca. Chapeuzinho que se cuide.

aproximadamente normal

26, maio 26UTC 2009 às 12:10 am | Publicado em educação, psicologia | 15 Comentários

curva normal

Uma curva normal normal

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Entre as minhas atividades pouco usuais está a de ser professor de estatística. Tive uma forte formação na área de humanas (leia-se uma fraca, ou nula, formação na área de exatas) durante minha graduação em psicologia. Mas durante meus estudos posteriores felizmente descobri que os números não precisam lutar contra as palavras e resolvi aprender estatística de verdade. 

Assim, hoje leciono uma disciplina de Introdução à Estatística para uma turma de calouros de psicologia. O que é uma tarefa ingrata (mesmo que bastante desafiadora), visto que o aluno desta área espera nunca mais ver matemática na vida e por isso metade do esforço da disciplina é tentar não criar hojeriza para si mesma (mas, paradoxalmente, se o aluno adorar a disciplina ele é aconselhado a mudar de curso, afinal não vai encontrar muitas outras coisas parecidas no currículo do curso). A outra metado do esforço é para mostrar como estatística é importante para as ciências humanas principalmente para poder escolher métodos apenas qualitativos por pura opção metodológica e não pela ignorância dos métodos quantitativos. 

Mas há pontos de extremo contato entre estatística e psicologia. O meu tema preferido é o da Curva Normal. O conceito de normalidade em psicologia tem origens e implicações históricas, filosóficas, sociológicas e  antropológicas (sobre isto pergunte ao Catatau, a maior perito que conheço no assunto, junto com seus amigos Foucalt, Deleuze, Guattari e Canguilhem). Mas bem procuradinho o conceito de normalidade talvez venha mesmo é da curva normal desenhada por Carl Gauss e aprimorada por Francis Galton (que também contribuiu muito para a psicologia lançando umas das primeiras perspectivas científicas, mesmo que deturpada,  sobre a inteligência). Ser normal é estar dentro dos dois desvios-padrões que circundam a média, é pertencer à maioria de uma distribuição. Se você cai para o canto da curva de sino, passa a ser menos normal.

norma9Uma curva normal estilosa

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Neste sentido a normalidade é o comum, o ordinário, o frequente (o mesmo vale para o conceito de moda, outra expressão cotidiana com origem em um termo estatístico).  O que foge do comum (deficiência, loucura, pobreza, homosexualidade…) é anormal. 

O problema é que, como cantava Caetano,

“De perto ninguém é normal.”

O que faz muito sentido, já que é impossível ser ordinário em tudo. Há sempre um desvio (estatístico que seja) em alguma dimensão da vida. E na medida em que nossa sociedade foi percebendo isso e trazendo um pouco de alteridade para o cotidiano, ser normal não só deixou de ser o esperado como passou a ser algo inclusive indesejado. Cantou também o maluco beleza:

“Enquanto você se esforça pra ser/

Um sujeito normal/

E fazer tudo igual/

Eu do meu lado aprendendo a ser louco…”

E o resto da música você conhece. Pois bem, ser normal ja não é (se é que um dia já foi) o objetivo último da humanidade.

E, depois de tantas voltas, chego finalmente onde queria. Dando uma olhada nos rótulos de shampoo no supermercado encontrei uma classificação bastante interessante sobre os tipos de cabelo. Há shampoo para cabelos secos e danificados, caheados e rebeldes, frágeis e quebradiços, quimicamente tratados, com pontas duplas, difíceis de alisar. E, finalmente, shampoo para todo tipo de cabelo e de cabelo normal a oleoso. Considerando que o shampoo para todo tipo de cabelo é para as crianças (também chamadas de kids e que por enquanto parecem ter só um tipo de cabelo), sobra a opção “cabelo normal” apenas para o shampoo que inclui na sua fórmula a opção “oleoso” também. Nisto me pergunto se alguém compra (ou pede que o marido traga do mercado) este shampoo porque seu cabelo é normal. O que é um cabelo normal? Que é que considera seu cabelo normal? O normal (capilarmente falando) parece não ser normal (estatisticamente falando).

pequeno principeParece uma curva normal, mas é uma jibóia.

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É formidável haver tanta diversidade. Em nossa sociedade do consumo, escolhe-se o shampoo como se escolhe a religião, a educação dos filhos, o estilo musical preferido, o meio de transporte, enfim, quase tudo. Afinal as inúmeras opções estão aí para agradar o freguês. Mas curiosamente, a insatisfação parece crescente.

Longe de mim defender a tradição, família e propriedade como bastiões para um mundo sensato, mas esta neo-pós-modernidade deixa as aulas de estatística um pouco mais difíceis.

aula de estilo

19, abril 19UTC 2009 às 7:00 pm | Publicado em educação | 2 Comentários

Pessoalmente, achei engraçada a reportagem do caderno Viver Bem de hoje na Gazeta do Povo.  Fala sobre o estilo das roupas dos professores universitários. Pelas fotos, dá para ver que visitaram uma sala dos professores que eu frequentava até pouco tempo atrás. E se eu tivesse continuado por lá  e tivessem me entrevistado?  Seria divertido.

Vejamos alguns depoimentos dos colegas:

“Se estou com uma roupa cheia de detalhes, doso a mão nos acessórios, mas se estou como hoje, com roupas mais lisas, preciso de algo que chame atenção – como este colar. “

e

“Gosto de usar roupas descontraídas, tenho um estilo, mas os excessos ficam todos fora da sala de aula. Camiseta e calça jeans também.”

e

“… a vestimenta funciona como um código de conduta. Se o aluno usa boné, eu não uso. A gente interage. Mas eu como professor e ele como aluno. A roupa reforça isso.”

Acho que no meu caso seria mais ou menos assim:

moda

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“Não me importo em usar pochete. Ela é bem útil e ajuda os alunos a lidarem com a diversidade e a alteridade, conceitos tão importantes no mundo de hoje.”

e

“Como acessório também tenho esta mochila surrada. O pisca-pisca preso serve como item de segurança quando volto pedalando à noite. Não troco por uma nova para não incentivar o consumismo.”

e

“As barras das calças desfiadas fazem referência aos anos 60 e 70, quando o movimento estudantil se mostrou mais pungente. Com isto espero inspirar os alunos a serem mais pró-ativos.”

Bom, não deixa de ser um estilo.

mendeley

11, abril 11UTC 2009 às 12:14 pm | Publicado em educação | 1 Comentário

Imagine um programa que organiza seus artigos científicos em pdf como Picasa organiza suas fotos e compartilha seus artigos como o last.fm compartilha suas músicas. Imaginou? Este é o Mendeley, dica d´O Velho.

mendeley

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Ainda não explorei o potencial da segunda parte (que parece depender de um número maior de pesquisadores em rede), mas está muito mais fácil encontrar um artigo ou citação off-line nos meus documentos. Altamente recomendável para quem faz ou fará qualquer pesquisa acadêmica.

profissão de fé

14, outubro 14UTC 2008 às 5:22 pm | Publicado em educação | 7 Comentários
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Nos últimos dias andei recebendo visitas extras a este blogue procurando “frases sobre professores”. A razão parece estar nas vésperas do dia do professor; muita gente querendo homenagear seus mestres com frases bonitas e significativas. O curioso é que neste espaço acabam se deparando com as “frases que o professor odeia ouvir“.

Na verdade não há tantas frases bonitas assim sobre esta nobre profissão como deveria haver. Eu mesmo anos atrás procurei por boas citações sem encontrar uma que satisfizesse.  Será tão difícil falar bem de um professor? Ou, em outras instâncias, o que é mesmo ser professor?

Etimologicamente, professor é aquele que professa. Professa o quê? O deus-currículo, o conteúdo da apostila, as normas da ABNT, o que cai no vestibular,  como se inserir no mercado de trabalho, como consumir mais e melhor, a vida, o universo e tudo mais… Seja o que for, a profissão de professar tem suas raízes no discurso religioso da pregação e, por que não, da conversão à verdade.

Daí vem a necessidade do aluno ser disciplinado. Quem tem disciplina é o discípulo. Embora o aluno não seja o ser “sem luz” que muitos apregoam, etimologicamente é o ser que deve ser nutrido e o educador, etimologicamente também, aquele que realiza o contra-papel de nutrir. Alimentar com a verdade.

Abre parênteses. (

E, já que entramos no universo da origem das palavras, particularmente gosto mais da origem do nome do pedagogo. É aquele que conduz a criança. O aprendiz, na grécia antiga, aprendia mais na ida e na volta com o escravo que o levava do que com o seu mestre propriamente dito que falava incompreensíveis sentenças de cima de seu pedestal. Ou seja, quem realmente ensina é aquele que não se coloca acima, mas está ao lado do aprendiz. Embora, se formos levar a risca a etimologia do termo, o verdadeiro pedagogo hoje seja o motorista do transporte escolar, afinal é ele que realmente leva-e-trás as crianças.

) Fecha parênteses.

Mas o problema desta aura religiosa em torno do professorado é a descrição desta atividade como uma vocação e não como uma profissão propriamente dita. Vocação é chamado (ou chamamento). Mas quem chama? Deus? O diabo? Ou a direção da escola? Alguém ouve por aí que ser pedreiro é vocação? Ou ser administrador? Ou ser engenheiro de telecomunicações? Por que, então, o professor é vocacionado?

Talvez porque tenha algo inato, já nasce com o dom de ensinar. Se for assim, ninguém pode se tornar professor ou, pior, melhorar seu desempenho profissional. Afinal, assim já se nasce e não se deve interferir nos desígnios divinos. E desta forma as aulas dadas na década de 80 continuam sendo as mesmas de hoje.

Aliado a isso, quem faz algo por vocação não precisa de (muita) remuneração. Afinal, faz por prazer ou, em último caso, por designação divina. Talvez por isso os administradores, engenheiros de telecomunicações e pedreiros ganhem mais que os professores. Talvez até a maioria dos sacerdotes que professam religiões oficiais ganhem mais que a média dos professores. Não sei.

Sei que talvez frases bonitas sobre a docência falem sobre a sua missão transcendental. Mas é na imanência (onde o professor precisa ter dinheiro para poder comprar novos livros, ir ao cinema e não precisar se matar trabalhando em três empregos) que alguém ensina e, de repente, também aprende.

eu acredito no currículo

7, outubro 07UTC 2008 às 11:34 pm | Publicado em educação | 8 Comentários

Um currículo real daqui.

O que é um currículo escolar?

Uma pergunta aparentemente simples, mas muito difícil de ser respondida. Na literatura de pedagogia, na busca de quebrar paradigmas e buscar de maneira crítica (ou pós-crítica) superar o atual modelo neopragmático é difícil encontrar uma resposta satisfatória.

Usualmente se diz o que o currículo não é. O currículo não é a grade horária que dispõe as disciplinas de modo ordenado com seus conteúdos a serem seguidos. A palavra “grade”, aliás, deve ser evitada pois remete à idéia de prisão e engessamento da relação do aluno com a aprendizagem. A “carga horária”, então, a todo custo deve ser evitada pois a aprendizagem não pode ser confundida com um peso a ser levado nos ombros tal qual uma pesada cruz ou um carregamento a ser feito por um animal como o, vejamos, burro.

Não, o currículo deve ser muito mais do que isto, ou corre o risco de ser confundido com as lamentáveis propostas tecnicistas e positivistas. Tampouco deve se limitar às atividades curriculares e extra-curriculares do aluno na escola. É muito mais do que isto, envolve o aluno dentro e fora da escola, em tudo o que lhe é pertinente.

Por isso pensei em uma teoria.  O currículo é uma espécie de deus. Por isso é tão difícil de ser definido e envolve tanto o cotidiano escolar dentro e fora. Mais. Multi, inter, trans, retro, pós-disciplinar.

Há inclusive, uma espécie de gênio maligno desse deus-currículo para lhe fazer oposição, o currículo-oculto! E, assim, a relação ensino-aprendizagem poderá ser pensada agora em termos da luta do bem contra o mal, do escondido que não tardará em ser relevado, em oposição à tradicional luta-de-classes. Principalmente a luta da 6ª Série C contra a 7ª A.

O que não pode ser compreendido deve ser venerado.

Oremos.

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