igualmente diferente

21, julho 21-03:00 2008 às 7:18 pm | Publicado em educação | 3 Comentários

Se já estivemos outrora preocupados com moral e os bons costumes, estamos agora em uma época do politicamente correto. Ou em parecer politicamente correto. Ou ambientalmente, socialmente, espiritualmente, enfim, o importante é mostrar o quanto estamos rigorosamente em dia com o carnê do Baú.

Por isso parece que esta atividade nas empresas está mais voltada para o setor de marketing do que para os Recursos Humanos (ou melhor, Gestão de Pessoas, para ficar politicamente correto), produção ou vendas. O problema é que, como a propaganda é a alma do negócio, depois de Descartes todo mundo sabe que a alma separou-se do corpo e, por isso, o marketing não precisa ser coerente com o que o corpo da empresa faz; basta parecer coerente.

Só assim eu posso entender a campanha que vi neste outdoor:

Esse é o típico pensamento de quem quer parecer politicamente correto e, muito provavelmente, foi pensado por publicitários e não por professores da faculdade em questão. Afinal, as pessoas, sim, são diferentes! O importante é reconhecer a diferença, aceitá-la e conviver com ela. O que não é lá das coisas mais fáceis, mas está na base da alteridade. O contrário de imaginar todos iguais, que lembra muito ideologias totalitárias e eugênicas.

(Se não fosse assim, a famosa “Parada da Diversidade” seria chamada de “Parada da Igualdade”, não seria?)

Esses publicitários deveriam dar uma passada na sala dos professores…

Anúncios

alfabetização solidária?

12, março 12-03:00 2008 às 7:36 am | Publicado em educação | 6 Comentários

mafalda.jpg

A inesquecível Mafalda, do genial Quino.

Tenho lido e ouvido algumas expressões com freqüência. Os ecologistas ressaltam a importância de uma alfabetização ecológica. Cientistas destacam a necessidade de uma alfabetização científica. Economistas não entendem como até hoje não se deu o devido valor a uma alfabetização financeira. E por aí vai.

Sem entrar no mérito destas áreas, é curioso como as várias áreas do conhecimento querem resgatar seu BE-A-BÁ. Enquanto que a própria alfabetização (este é outro discurso bastante comum) não se contenta em ser apenas alfabetização. Precisa ser alfabetização e letramento.

Engraçado como vez por outra sempre aparecem projetos de lei incluindo no currículo do Ensino Fundamental disciplinas como “Introdução à Ecologia“, “Trânsito” ou “Educação Financeira”. Os vereadores/deputados podem estar muito bem intencionados, mas não conhecem nada de Educação: os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN´s) já estabelecem faz algum tempo os temas transversais, ou seja, temas de relevância social e científica que não devem estar atrelados a uma única disciplina, mas trabalhados em conjuto.

Quais sejam:

  • Ética (Respeito Mútuo, Justiça, Diálogo, Solidariedade);
  • Orientação Sexual (Corpo: Matriz da sexualidade, relações de gênero, prevenções das doenças sexualmente Transmissíveis) ;
  • Meio Ambiente (Os ciclos da natureza, sociedade e meio ambiente, manejo e conservação ambiental) ;
  • Saúde (autocuidado, vida coletiva);
  • Pluralidade Cultural (Pluralidade Cultural e a Vida das Crianças no Brasil, constituição da pluralidade cultural no Brasil, o Ser Humano como agente social e produtor de cultura, Pluralidade Cultural e Cidadania) e
  • Trabalho e Consumo (Relações de Trabalho; Trabalho, Consumo, Meio Ambiente e Saúde; Consumo, Meios de Comunicação de Massas, Publicidade e Vendas; Direitos Humanos, Cidadania).

Os PCN´s sugerem também temas locais como “Trabalho” e “Orientação para o Trânsito”. Ou seja, todos os temas citados anteriormente poderiam -e deveriam- já ser trabalhados interdisciplinarmente. Ou mesmo nas próprias disciplinas de afinidade. Matemática financeira não é matemática? Alfabetização científica não faz parte de Ciências?

Todo mundo fala que o futuro está na Educação. Pois bem, que ela seja bem feita. Sem precisar de adendos ou terminologias novas para dizer a mesma coisa.

propaganda educacional

9, março 09-03:00 2008 às 5:03 am | Publicado em educação | 2 Comentários

Eis o lugar comum do marketing da educação privada.

escola1.jpg

“Onde seu filho aprende bricando.”

escola2.jpg

“Preparando para a vida.”

escola3.jpg

“A melhor preparação para o vestibular.”

escola4.jpg

“Preparando seu lugar no mercado de trabalho.”

É… porque se preparar não é brincadeira!

7 frases que todo professor odeia ouvir

15, outubro 15-03:00 2007 às 8:39 am | Publicado em educação | 14 Comentários

silencio.jpg

 

1. Professor, você trabalha ou só dá aula?

2. Mas isso cai na prova?

3. Vai precisar passar a limpo o diário.

4. Dá pra fazer a prova a lápis?

5. Seu saldo é insuficiente.

6. Vale nota?

7. Pavê de sobremesa? Mas é pavê ou pra comê?

Bom, a última frase não está necessariamente relacionada com a carreira docente, mas ninguém mais agüenta ouvir esta piada, inclusive os professores.

 

Parabéns a toda a classe!

vale a pena?

18, setembro 18-03:00 2007 às 3:46 pm | Publicado em desenhos, educação | 3 Comentários

vale-a-pena.jpg

 A tempo, uma reflexão menos irônica:

“Estudo vale a pena quando a aula não é pequena.”


um negócio

22, maio 22-03:00 2007 às 10:30 am | Publicado em educação | 5 Comentários

mafalda.jpg

Tira do genial Quino.

Já ouvi diversas vezes por aí que a Educação é, ao mesmo tempo, um bom negócio e um negócio bom. Não é de hoje que os fundamentos capitalistas estão intimamente inseridos no ensino formal, embora o FHC e o Paulo Renato tenha dado uma força enorme neste sentido ao proporcionarem a explosão de cursos de graduação e de pós-graduação no Brasil a partir da segunda metade dos anos 90. Se isto teve seu inegável lado positivo ao aumentar consideravelmente o número de jovens no Ensino Superior, talvez não se possa falar o mesmo, algumas vezes, da qualidade superior deste ensino.

O problema em tratar a Educação como negócio é que assim o aluno torna-se cliente. E, como todos sabem, o cliente tem sempre a razão. Ou seja, é o aluno que passa a ditar o que deve ocorrer e não o professor, subvertendo o processo clássico.

E disso passamos desde a indiferença e desrespeito dos alunos no Ensino Fundamental onde o professor é visto como funcionário do pai que paga a mensalidade até… como é mesmo aquela velha piada sobre o Ensino Superior? O aluno quer adquirir um diploma e a faculdade quer fornecê-lo: o professor é quem acaba atrapalhando tudo.

Sim, sou professor universitário e afirmo que boa parte das Instituições de Ensino Superior (IES) privadas quer realmente oferecer uma educação de qualidade e realmente oferece! A IES em que trabalho (graças! não posso reclamar) felizmente se inclui nesta categoria. O que faz a diferença é a valorização do professor. O profissional tem seu trabalho reconhecido e lhe é atribuído o merecido crédito. Uma pena é que existam IES onde é o aluno quem manda e há menos pesar na substituição de um professor com anos de casa do que na perda de um aluno no início do curso.

É claro que aluno deve ser ouvido. Mas a orientação do curso deve ser mais pautada pela coordenação pedagógica do que pelo pessoal do marketing. Afinal, assim como professor não deve ver o aluno como um amigo (isto é até desejável, mas em outro contexto), não deve vê-lo também como um cliente. Ele é cliente da IES que freqüenta, assim como o professor é funcionário da mesma IES. A relação, portanto, não é e não deve ser direta no que tange ao contrato financeiro. E, preferencialmente, deve ser direta no contrato pedagógico.

Caso contrário, uma aula fica parecendo uma venda. E numa venda o consumidor só compra o que quer e se não gostar tem todo o direito de reclamar para o PROCOM. E aí vai embora toda e qualquer exigência e disciplina que auxiliaria num verdadeiro processo de formação. E outra: o consumidor fica esperando o conhecimento chegar até ele, quem deve se esforçar é o vendedor que está fornecendo o produto e não quem está comprando, afinal, está pagando.

Usando a feliz terminologia do Paulo Freire, esta é a tão (mal) falada educação bancária. Mais tradicional que qualquer caixa de aveia. Se a Educação continuar a ser tratada como a transferência de conhecimento de uma conta para a outra, quem é que paga o CPMF?

da academia ao boteco

11, abril 11-03:00 2007 às 4:17 am | Publicado em educação | 2 Comentários

Um bom texto com autor desconhecido que percorre os meandros de um de meus ditados populares preferidos. Alguém conhece?

l_rapadura2.jpg

Doutorado

O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da ramínea Saccharus officinarum Linneu, 1758, isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente a provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera, Linneu, 1758. No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena deformidade que lhe é peculiar.

Mestrado

A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando- se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.

Graduação

O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.

Ensino Médio

Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.

Ensino Fundamental

Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.

Sabedoria popular

A rapadura é doce, mas não é mole, não!

“nada se cria, tudo se copia”

5, abril 05-03:00 2007 às 8:11 am | Publicado em educação | 3 Comentários

Acabei  de copiar e colar um post que fez muito sucesso no ano passado sobre plágio e desonestidade acadêmica (trata-se de um auto-plágio?). Eu precisava fazer alguma coisa depois de corrigir uma monografia de especilização copiada da internet quase na íntegra.

Para quem já conhece o texto, vale dar uma conferida nos links que adicionei no final.

Para que não conhece, ei-lo:

bone.jpg

A analogia está até meio desgastada, mas é perfeita! O Google é o Oráculo contemporâneo. Ele responde qualquer coisa, qualquer coisa! Duvido que o Oráculo de Delfos (se não levarmos em conta as festas com as sacerdotisas embriagadas) era tão bom quanto este. Sabendo perguntar e sabendo um mínimo de inglês instrumental, o mecanismo de busca encontra resposta até para a questão da vida, do universo e tudo mais.

Que dirá o auxílio que ele presta para um trabalho escolar, trabalho acadêmico, uma monografia, uma dissertação e uma tese. Auxílio aqui é eufemismo pois um copiar + colar resolve o trabalho inteiro. Quem precisa escrever alguma coisa? Já está tudo lá.

Tenho sofrido e me decepcionado, como muitos colegas professores, na correção de monografias e trabalhos. É uma epidemia de plágios! Na devolução dos trabalhos e orientações de monografias, após afirmar com veemência que plágio dá cadeia, pacientemente explico aos criminosos: “A cópia de qualquer trecho é plágio. A cópia de qualquer trecho com aspas e menção da fonte é citação. Chamamos um bom número de plágios de lixo. Chamamos um bom número de citações de pesquisa. O que custa citar e comentar o trabalho alheio?”.

Mas é claro que a raízes do problema são mais profundas que a simples “preguiça mental” do aluno. Esta epidemia é herança da velha concepção conteudista de Educação que ainda afirma: “fechem os livros que vamos começar a prova”. Ou seja, decorem e depois podem esquecer.

Não há qualquer diferença entre copiar um verbete dos tomos vermelhos desbotados da Barsa e o modernoso CTRL C + CTRL V, embora hoje existam escolas que pedem trabalhos manuscritos acreditando que, ao menos assim, os alunos lerão o que estarão escrevendo.

Para todo e qualquer problema prático, teórico e profissional a resposta deve ser abrir os livros, buscar sites confiáveis, recorrer, enfim, à literatura e reler a problemática à luz desta teoria. Opa, a reflexão e a contribuição pessoal sobre o conhecimento socialmente construído permite que, numa outra desgastada porém efetiva analogia, subamos nos ombros de gigantes.

A Educação deve promover a reflexão para que assim os alunos não realizem plágios, mas queiram enxergar horizontes mais longevos. Que belíssimo!

Agora, para aqueles alunos que, apesar disto, ainda insistam em continuar encarando a Educação como uma prestação de serviço e sentindo-se no direito de comprar suas monografias ou consultar o oráculo sem citar fonte, há uma solução para facilitar a vida do professor!

Colega, você não precisa mais recorrer ao mesmo oráculo e digitar cada frase que considerar suspeita no trabalho de seus alunos. Existe um programa que faz isto automaticamente e tem me ajudado tanto que merece uma propaganda gratuita.

O Farejador de Plágios é um software desenvolvido pelo Engenheiro da Computação Maximiliano Zambonatto Pezzin que procura na internet todas as frases presentes em um arquivo de Word e dá uma boa indicação de onde estão as citações/plágios. A versão shareware pode ser baixada gratuitamente e já quebra um bom galho.

A tempo, a frase que dá título a esta postagem é do saudoso (!) Aberlado Barbosa, o Chacrinha, que, prafraseando Lavoisier, referia-se à televisão. Pena que ele não conheceu a internet.

P.S.:

  • Dicas de outros programas para detectar plágio na internet e mais comentários sobre o tema aqui.
  • O outro lado da história, no cotidiano de quem trabalha escrevendo monografias aqui (imperdível, na revista piauí deste mês).
« Página anterior

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.