autoajuda atrapalha

4, julho 04-03:00 2010 às 10:40 pm | Publicado em psicologia | 4 Comentários
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Para não dizer que não falei da Copa do Mundo, respondo o que penso sobre o que faltou à seleção brasileira. Faltou profissionalismo. Do Dunga? Não. Dos jogadores? Não. Do psicólogo do esporte que era… quem mesmo?

A ligação entre a seleção brasileira e a Psicologia do Esporte remonta aos primórdios desta quando em 1958 João Carvalhaes, o pioneiro da área no Brasil, prestou consultoria à CBF. Começou equivocadamente (embora não possamos julgá-lo hoje assim, dado o ineditismo do seu trabalho) ao aplicar um teste de inteligência não padronizado a todos os jogadores. O Garrincha, coitado, foi apontado como deficiente mental (realmente inteligência lógica-matemática não parecia ser seu forte) e Carvalhaes sugeriu que não fosse titular. Sorte que o técnico Feola não ouvi a sugestão e o Brasil sagrou-se campeão.

Mas, de lá para cá, a Psicologia e, em especial, a Psicologia do Esporte evoluiu muito. No entanto os últimos técnicos de futebol (ex-atletas e ex-preparadores físicos, em outras palavras) continuam a não dar bola (litealmente) para ela.

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O Parreira, em 2006, não só dispensou um profissional de psicologia como ele próprio encarnou o guru da liderança. Além de escrever o famoso (por motivos errados) livro “Formando Equipes Vencedoras”, buscou motivar os atletas com a música “Epitáfio“, dos Titãs. A letra basicamente diz para levar a vida menos a sério e aproveitar o prazer de cada momento. Resultado: jogadores que passavam a noite jogando video-game na concentração e achavam que o gol surgiria naturalmente durante a partida (a real).

Já Dunga, adotou uma postura oposta: exigiu rigidez e disciplina de seus jogadores. Mas tampouco achou importante um profissional da psicologia ao seu lado. Ao contrário, ainda no Brasil, quando treinava a seleção no CT do Caju, declarou:

Não será meia hora de conversa com um psicólogo que vai mudar a cabeça de alguém. É muito mais fácil fazer isso no dia a dia, adquirindo a confiança dos jogadores e mostrando que eles chegaram por méritos próprios. Isso, sim, funciona: mostrar algo positivo.

Claro está que Dunga não sabe o que faz um psicólogo do esporte. E, em seu lugar, chamou Augusto Cury, um campeão de vendas de livros de autoajuda para ser um “semeador de ideias”, nas suas próprias palavras.

Cury, apesar de ser médico psiquiatra, dá pouca importância para a ciência (embora diga o contrário). Quem já leu qualquer um seus livros (em especial “Inteligência Multifocal”) sabe que ele abre mão do burocrático método científico para desenvolver teorias a partir de sua própria inspiração, criando conceitos que são puro senso comum adornado por poesia barata.

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Enquanto os jogadores corriam atrás de seus sonhos, sendo estrelas vivas dentro do teatro da existência, a Holanda fez um gol e todos mostraram o grande despreparo emocional que levou a seleção à derrota.

Passou da hora da seleção tratar (no melhor sentido) os aspectos psicológicos de forma realmente profissional. E psicologia… é com o psicólogo!

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