breves entrevistas com homens hediondos

20, abril 20-03:00 2011 às 8:33 am | Publicado em literatura | 1 Comentário

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“Este é um ótimo livro sobre relacionamentos e a incapacidade real de comunicação entre os seres humanos.”

É o tipo da frase que me faria evitar a todo custo a obra mencionada, dado o número de livros de autoajuda, romance e poesia baratas que trataram de banalizar os temas. Ainda bem que “Breves Entrevistas com Homens Hediondos”, de David Foster Wallace, não me foi apresentado assim (embora seja até uma boa descrição da coletânea de contos).

A primeira coisa do Wallace que tive contato  foi o trecho do discurso que ele proferiu como paraninfo em uma cerimônia de formatura, publicado na revista piauí  por ocasião do seu suicídio, em 2008. Esqueça o discurso do Steve Jobs como exemplo de oratória em formaturas; esta pequena peça, sim, é realmente impressionante. Busquei então o que  havia do autor em português e encontrei o “Breves Entrevistas”, que entrou para a fila  das minhas leituras. Só agora consegui terminá-lo.

Não é uma leitura que permita velocidade, é preciso tempo para digeri-lá. Mas nem tanto pela estrutura (Wallace apresenta uma literatura quase experimental, com recursos como listas de respostas sem as perguntas, fórmulas maemáticas e notas de rodapé mais abundantes e importantes que o próprio texto, só para citar algumas estratégias mais simples de descrição). É muito mais pelo conteúdo. É um chute no saco, um pé no peito, unha na carne, um dedo na ferida mesmo, como quiser. As ideias são tratadas com uma crueza e despudoramento de quem não tem nada a perder.

E falando em perder, não dá para deixar de notar algumas temáticas depressivas/suicidas já presentes no decorrer dos contos: o diálogo egocêntrico e monótono do depressivo, o (mal) efeito das medicações, a psicoterapia que não anda e o próprio suicídio de maneira velada ou clara.

Mas, mais do que pelos contos, Wallace recebe elogios unânimes da crítica internacional principalmente pelos seus romances, que não me atrevo a ler em inglês. Agora mesmo está sendo lançada uma obra incompleta póstuma. É de se lamentar o fim de um escritor genial da maneira como aconteceu.

Poucas vezes vi relacionamentos humanos e a comunicação tão bem representadas como nos contos deste livro. Coisa que só a boa arte consegue fazer.

o nível da pós-graduação no Brasil

13, abril 13-03:00 2011 às 9:23 pm | Publicado em desenhos, educação | 3 Comentários
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Dedico estes quadrinhos à atual política de resultados da CAPES e do CNPq.

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sobre o tempo

11, abril 11-03:00 2011 às 10:31 pm | Publicado em cotidiano, paternagem | 10 Comentários

Ultimamente tenho pensando muito em  três coisas.  Tempo, trabalho e dinheiro.

“Ter tempo é uma questão de dar prioridade” e “o tempo é igual para todos: desperdiçá-lo ou ocupá-lo bem é escolha pessoal” são duas afirmações bastante desgastadas, mas que não deixam de ser verdadeiras. Em outras palavras, que escolhas devem ser feitas e que prioridades devem ser dadas para um melhor uso do tempo?

Caso a opção seja gastar o tempo prioritariamente trabalhando – e este trabalho seja remunerado – a consequência direta é o dinheiro. Caso a opção seja gastar o tempo em trabalho não remurado, a consequencia é a ausência dele.

Pois bem, desde que as meninas nasceram optei por priorizar o labor não remunerado de cuidar delas, abandonando várias horas de trabalho remunerado. Gastar mais tempo com elas é esforçar-se mais do que sem elas, mas é a tal da escolha e da prioridade necessária. Nisso é curioso como pais experientes fazem seus comentário a respeito do trabalho quando vêm duas crianças bem pequenas. A maior parte tece  considerações que vão nesta linha:

“Filho é igual jogo de vídeo-game. A cada fase fica mais difícil.”

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“Filhos pequenos, problemas pequenos.  Filhos grandes, problemas grandes.”

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“Ah, que saudade quando os meus tinham essa idade. Agora é que não vivo mais tranquila…”

 

E por aí vai. Mas é claro que tem aqueles que afirmam que a coisa fica cada vez fácil na medida que crescem. Minha percepção vai mais neste sentido. Parece que a coisa toda fica mais fácil a cada mês. E guardo uma secreta convicção de que quanto mais trabalho dedicado nas idades iniciais, menos trabalho necessário nas idades futuras.

Dito isto, fica claro que sobra menos tempo para outras atividades. Por isto, tenho priorizado a vida off-line, na linha do “quero fica na geração 1.0“.   Meu twitter tem problemas de conexão no computador de casa (o que é uma certa dádiva, ao evitar exageros) e reluto em criar meu perfil no Facebook. Mas senti falta de atualizar este blogue (aliás, blogue já está ficando uma coisa ultrapassada: além de me orgulhar de ter feito curso de datilografia e ter usado o DOS, daqui a pouco será motivo de orgulho retrô ter blogue). Mas, mesmo com pouco tempo (que vai aumentando) e quase sem dinheiro (que vai diminuindo), volto ao prazeiroso trabalho não remunerado de deixar as águas dos meandros rolarem. E que venham as próximas fases!

 

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