história, tempo e espaço

21, abril 21UTC 2009 às 10:56 am | Publicado em literatura, Uncategorized | 9 Comentários
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O que é uma história? Uma sucessão de eventos narrados e dispostos em uma sequência temporal.  Se for uma história de ficção, então os eventos e a sequência devem ser criados de modo a tornar a experiência de ouví-la (e vê-la e sentí-la) mais enriquecedora possível.

Algumas artes – como o teatro, o cinema (incluindo a animação) e as histórias em quadrinhos – adicionam à dimensão temporal das histórias a dimensão espacial. Os eventos também devem ser pensados em termos de largura, altura, profundidade, esquerda, direita, em cima e embaixo (aliás, por que em cima é separado e embaixo é junto?). 

O que não deixa de ser bem natural, já que o cérebro humano processa a orientação espacial e temporal em zonas praticamente únicas (a saber, as áreas 3ªs do córtex posterior, segundo o modelo de Luria).  Mesmo antropologicamente, nunca se encontrou alguma cultura que não associasse fortemente tempo e espaço. Na sociedade juidaco-cristã, p. ex., o tempo é linear com um início (a Criação) e um fim (o Juízo Final). Assim o futuro fica na frente e o passado atrás. Tempo e Espaço anda juntos nesta longa estrada da vida.

É de se pensar se mídias e recursos proporcionados pela informática não mudariam a maneira de contar histórias. Pois – como sempre bem argumenta Scott McCloud – com o computador o artista não precisa mais se ater aos limites de uma página de papel ou a uma tela de cinema. Seus recursos espacias são potencialmente ilimitados. Obras incríveis poderiam aparecer. 

Não estão aparecendo. Mas vasculhando bem, aqui e ali encontramos coisas boas. Vejamos duas que encontrei recentemente.

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imnotanartist1

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I am not a artist é uma HQ digita lque lembra bastante a já clássica When I am King. Com desenhos intecionalmente simples e um roteiro fantástico, sobe e desce pela tela do computador circularmente (!) numa interação privilegiada entre forma e conteúdo. Dica do Universo HQ.  

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オオカミとブタ (Stop motion with wolf and pig) é uma animação japonesa que distribui milhares de fotografias de stop motion em uma casa, criando outro stop motion. Impressionante como a distribuição de fotos bidimensionais em um ambiente tridimensional cria outro ambiente tridimensional. Dica do Estrangeiro Burro.

O que estas obras tem em comum? Nenhuma fala, poucos recursos, extrema criatividade e uma intrincada relação entre tempo e espaço que só o advento da informática poderia proporcionar. Ou, em outras palavras, são boas histórias.

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aula de estilo

19, abril 19UTC 2009 às 7:00 pm | Publicado em educação | 2 Comentários

Pessoalmente, achei engraçada a reportagem do caderno Viver Bem de hoje na Gazeta do Povo.  Fala sobre o estilo das roupas dos professores universitários. Pelas fotos, dá para ver que visitaram uma sala dos professores que eu frequentava até pouco tempo atrás. E se eu tivesse continuado por lá  e tivessem me entrevistado?  Seria divertido.

Vejamos alguns depoimentos dos colegas:

“Se estou com uma roupa cheia de detalhes, doso a mão nos acessórios, mas se estou como hoje, com roupas mais lisas, preciso de algo que chame atenção – como este colar. “

e

“Gosto de usar roupas descontraídas, tenho um estilo, mas os excessos ficam todos fora da sala de aula. Camiseta e calça jeans também.”

e

“… a vestimenta funciona como um código de conduta. Se o aluno usa boné, eu não uso. A gente interage. Mas eu como professor e ele como aluno. A roupa reforça isso.”

Acho que no meu caso seria mais ou menos assim:

moda

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“Não me importo em usar pochete. Ela é bem útil e ajuda os alunos a lidarem com a diversidade e a alteridade, conceitos tão importantes no mundo de hoje.”

e

“Como acessório também tenho esta mochila surrada. O pisca-pisca preso serve como item de segurança quando volto pedalando à noite. Não troco por uma nova para não incentivar o consumismo.”

e

“As barras das calças desfiadas fazem referência aos anos 60 e 70, quando o movimento estudantil se mostrou mais pungente. Com isto espero inspirar os alunos a serem mais pró-ativos.”

Bom, não deixa de ser um estilo.

lixeira viva

15, abril 15UTC 2009 às 10:48 pm | Publicado em curitiba, sustentabilidade sustentável | 7 Comentários
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Ok! Você já separa o lixo. Já trocou o carro pela bicicleta. Já bebe água da torneira. Já diminuiu ou eliminou o consumo de carne. Já trocou as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes. Já dá preferência por alimentos orgânicos. Já não aceita sacolas plásticas facilmente. Já apagou a luz por uma hora. Será que não há mais nada na esfera individual para colaborar com a sustentabilidade do planeta?

Sim, há! O nome é Lixeira Viva!

 

lixeira-viva1

Um grande problema urbano é o lixo. Para Curitiba, especialmente. O aterro do Caximba está com os dias contados (na verdade, é uma questão de horas até que sua capacidade se exceda). E nenhuma solução à vista para a nossa, muito nossa, capital ecológica. Algumas empresas já começam a dar indícios de que podem dar conta do próprio lixo orgânico, mas isto pode ser feito também pessoalmente.

Trata-se da compostagem doméstica do lixo orgânico. 

É um processo bastante simples; ao separar o lixo orgânico, permite-se que ele se decomponha sozinho e se transforme em húmus.  Um dos grandes males da vida urbana se torna um adubo natural de excelente qualidade. Eu disse sozinho? Desculpe, o processo conta com a incrível ajuda das… minhocas!

Esses anelídeos comem o equivalente ao seu próprio peso e se reproduzem muito rápido. E processam o material orgânico de um forma invejável a qualquer aterro sanitário. Para se ter uma ideia, um dos grandes interesses do Darwin ao final da vida eram as minhocas e a solução para os lixões ingleses

Mas como criar minhocas em casa? Alguns simples e engenhosos equipamentos facilitam, para não dizer executam por si, o processo. Temos aqui em Curitiba a Lixeira Viva, uma espécie de versão da Minhocasa de Brasília. São três caixas destinadas ao lixo orgânico e ao chorume, além, claro, as minhocas. Com menos de dois meses, o que seria mais conteúdo pro lixão está com um volume bem menor e uma função social e ambiental bem mais nobre (para saber como funiona, clique nos links espalhados pelo post, inlusive neste excelente infográfico da Folha de S.Paulo).

Mas não fede? Não, cuidando direitinho o odor é mínimo. A Lixeira fica sempre fechada e tampouco junta moscas, baratas e outros bichos escrotos. (A dica é nunca deixar acumular chorume, sempre dissolvê-lo em água e regar as plantas, é a parte mais fedida se em grande quantidade.)

Acaba sendo um novo animal de estimação. É difícil de acreditar, mas quem tem uma desssas em casa acaba desenvolvendo uma certa afeição pelos invertebrados (tenho amigos que dizem até chamar as minhocas pelo nome; só não me pergutem como diferenciam uma da outra ou como nomeiam as dezenas delas que surgem constantemente…). Com algumas vantagens sobre outros pets como poder viajar sem se preocupar em deixá-las com alguém para cuidar, por exemplo (sobrevivem até três meses sem alimento novo). 

Outra grande vantagem é que a Lixeira Viva dispensa levar o lixo para fora toda terça e quinta-feira, coisa que poucos devem achar divertido (claro, o lixo reciclável continua, assim como alguns orgânicos de origem animal que não vão para as minhocas – mas quem é vegano fica tranquilo). 

E cabe em qualquer canto da casa e -principalmente- do apartamento (quem tem quintal em casa pode enterrar o lixo orgânico e cultivar minhocas livres)! A foto acima é da minha Lixeira na sacada do prédio. Tem seis meses de funcionamento, está  indo para a terceira carga de húmus e para uma vida longa…

Gostou da ideia? Pois fale com o Eduardo da Casa da Videira e encomende a sua. Dê mais um passo para um planeta sustentável enquanto a prefeitura tenta jogar mais lixo onde não há mais espaço.

feliz páscoa!

12, abril 12UTC 2009 às 9:45 am | Publicado em bicicleta, cotidiano | 2 Comentários

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Imagem roubada daqui.

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E já que não tem Jesus numa bici, vai Jesus numa moto.

mendeley

11, abril 11UTC 2009 às 12:14 pm | Publicado em educação | 1 Comentário

Imagine um programa que organiza seus artigos científicos em pdf como Picasa organiza suas fotos e compartilha seus artigos como o last.fm compartilha suas músicas. Imaginou? Este é o Mendeley, dica d´O Velho.

mendeley

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Ainda não explorei o potencial da segunda parte (que parece depender de um número maior de pesquisadores em rede), mas está muito mais fácil encontrar um artigo ou citação off-line nos meus documentos. Altamente recomendável para quem faz ou fará qualquer pesquisa acadêmica.

efeito Werther

6, abril 06UTC 2009 às 8:33 pm | Publicado em psicologia | 6 Comentários

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Cerca de uma semana atrás uma adolescente cometeu suicício em um tradicional colégio da cidade de Curitiba.  Alguns jornais e programas de televisão sensacionalistas noticiaram o caso (até que de forma comedida), outros veículos de comunicação não.  Independentemente, hoje ainda é forte a repercussão nas rodinhas de conversa de vários grupos sociais. Algumas recheadas de detalhes.

Cerca de quinze anos atrás um jovem vocalista de uma importante banda de rock cometeu suicídio. Após a forte notícia, seguiram boatos de vários adolescentes imitando seu gesto, com uma preocupado tom de ressalva, os comentários deveriam ser feitos em voz baixa para que não continuassem seu efeito.

Alguém lembrou que o lançamento do romance “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de Goethe causou uma onda de suicídios na juventude européia no século XVIII, visto que o protagonista acha uma “solução definitiva” para sua desilusão amorosa.

Assim, tem- se a ideia de que quanto mais relatos midiáticos e à boca pequena a respeito de suicídio, maior a chance deles ocorrerem. Será verdade?

Sim, é verdade.

E o nome disso é “efeito Werther”.

Um dos principais autores a pesquisar sobre o tema é o sociólogo californiano David Phillips que estuda o tema desde a década de 70.  Seus achados mostram que suicídios de celebridades chegam a aumentar, por exemplo, em torno de 10% as estatísticas anuais de um país. Por isso a famosa orientação que é dada à mídia de não darem cobertura aos suicídios e, principalmente, não descreverem os métodos utilizados para dar fim à vida.

O que me faz perguntar sobre a utilidade deste post. Não deveria eu, sob a chance de estar retroalimentando este diabólico sistema de boados e auxiliando alguém a dar cabo a sua vida, ter permanecido calado? Se for o você que anda pensando nisso, peço que desista. A vida vale a pena. Sério.

Mas talvez seja o caso de incluir os bons e velhos anúncios do Mistério da Saúde toda vez que se tocar em um assunto desse:

O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: O SUICÍDIO FAZ MAL À SAÚDE

uma breve biografia de (quase) todo mundo

5, abril 05UTC 2009 às 8:54 pm | Publicado em desenhos | 1 Comentário

assembly_line_lifeMais uma do genial Andy Singer.

sigam-me os bons!

1, abril 01UTC 2009 às 7:00 pm | Publicado em sem categoria melhor | 1 Comentário

meandros-pocket

Uma tendência atual é colocar tudo no bolso e carregar consigo.  São pocket shows, mp3 (e  música de bolso), softwares portáteis no pen drive, celulares modernosos, hot pocket e por aí vai. Indo por esta corrente este blogue também resolveu encolher e escrever mini-posts com até 140 caracteres.

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