a foz do meandros

6, junho 06UTC 2012 às 8:53 pm | Publicado em meandros | 3 Comentários
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Do Mario Moscatelli

Verdade seja dita, as águas do meandros já deixaram de rolar faz tempo. Faltava é coragem de admitir e oficialmente encerrar as atividades deste espaço.

Deixei muitos posts pela metade, muitas ideias de desenhos e textos que morreram na casca. Isto causava mais aflição do que a satisfação dos poucos bits publicados. Sinal de que é preciso parar.

Nestes 6 anos, este blogue gerou novos e consolidou velhos amigos. Este é seu grande mérito. Alguns posts também geraram boas discussões, alguns desenhos ilustraram camisetas, panfletos cicloativistas e até mesmo provas de filosofia. Foi uma alegria encontrar de vez em quando algumas ideias nascidas aqui citadas em palestras ou contextos muito diferentes. Embora modesto, o meandros teve um alcance maior do que o esperado.

Do Bennet.

A realidade offline neste momento da vida mostra-se imperativa. As redes sociais (na qual incluo a poderosa blogosfera) tomam o tempo não disponível e criam a (muitas vezes) falsa ilusão de produtividade.  Quero ficar na geração 1.0. Cometi orkuticídio cedo, nunca entrei no facebook e mantenho a conta no twitter só para registrar algumas sacadas e trocadilhos (na maioria autoria da minha mulher) e no skoob para organizar minhas leituras de lazer.

Do Liniers.

Quando as crianças crescerem, quando eu terminar o doutorado, quando minha carga horária diminuir, quando eu puder compor rocks rurais… talvez eu ressucite este blogue. Talvez com outro nome, outra proposta, outro formato ou, até mesmo, outro autor. Sabe-se lá para onde vai a água do rio quando encontra o mar.

Um grande obrigado para quem acompanhou até agora. Um sincero e forte abraço!

a internet está nos deixando mais burros?

6, junho 06UTC 2012 às 8:04 pm | Publicado em psicologia | Deixe um comentário

É uma pergunta recorrente esta se a internet nos faz menos inteligentes: basta dar uma googlada por aí para ouvirmos várias respostas. E aí é que mora o cerne da questão, em usar motores de busca para respondermos qualquer coisa: boa parte das respostas culpa o acesso fácil à informação na suposta queda da inteligência.

Platão dizia que a língua escrita fazia mal à memória  e a queixa de professores universitários no séc. XVI com o acesso facilitado do livro era de que a informação prontamente disponível criava alunos preguiçosos . Guardadas as proporções de tempo, veículo de infomação e velocidade da banda larga ao longo da história, parece que o poder internético de destruir cérebros está sendo maximizado, como foi a escrita e o livro impresso. Da minha parte, sou um otimista e, como o Critóvão Tezza costuma sempre afirmar, é impossível não pensar que a popularização da internet traz a palavra escrita no lugar da imagem ágrafa da televisão, o que não pode ser de todo ruim.

Mas, voltando à pergunta, primeiro precisamos definir o que é inteligência. A definição clássica da psicologia cognitiva é que inteligência é a capacidade de resolver problemas. Ótimo, mas a partir daí há classificações para todos os gostos e finalidades; inteligiências múltiplas, gerais, artificiais, natuais, fatoriais, emocionais, ecológicas… Poucos constructos psicológicos foram tão discutidos e estudados como a inteligência, não sem uma boa dose de discussão acadêmica. Um dos modelos mais parcimoniosos proposto por Cattle na década de 70 (e que faz parte de outro modelo contemporaneamente bastante aceito, o C-H-C), é o que afima duas inteligiências básicas: a fluida e a cristalizada.

A inteligência fluida é responsável por resolver problemas que não necessitem de conteúdo prévio, diretamente ligado ao raciocínio, abstração e relação dos estímulos entre si. Utiliza basicamente a parte anterior do cérebro (mais especificamente, o cortéx pré-frontal). E a inteligência cristalizada resolve problemas a partir do conhecimento prévio, utiliza justamente o conteúdo de outros problemas resolvidos ou simplesmente de informações semânticas e episódicas para chegar a uma resposta adequada. Utiliza a parte posterior do córtex (em especial o hipocampo e lobos occipital, parieta e temporal). Um jovem possui uma inteligência fluida maior que a cristalizada e à medida que a idade avança a fluida decai enquanto a cristalizada aumenta, dando superioridade à esta última em idades mais avançadas; uma compensação, por assim dizer.

Juntando lé com cré, parece-me difícil haver uma influência negativa da internet na inteligência fluida. Ela possibilita mais espaços de resolução de problemas abstratos, desde, é claro, que não iniba os problemas da vida real. Na inteligência cristalizada, se por um lado a facilidade de encontrar qualquer informação em poucos segundos pode desmotivar o armazenamento offline no hipocampo, por outro lado possibilita o acesso de muito mais informação do que ousaríamos supor que podem ser usadas ao nosso favor.

Se a inteligência geral da humanidade cairá na medida em que a expansão do cabo azul crescer ou a potência do wireless aumentar, só o futuro dirá. No entanto, o que se fará com esta inteligência maior ou menor, campo este agora da ética, já é outro assunto.

e a vida nunca mais será a mesma 5

4, abril 04UTC 2012 às 3:43 pm | Publicado em coisas infantis de crianças, desenhos, histórias verídicas que realmente aconteceram | 3 Comentários

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A estranha sensação de perder o vir-a-ser.

E mesmo assim não volta a ser como antes.

e a vida nunca mais será a mesma 4

27, fevereiro 27UTC 2012 às 9:51 pm | Publicado em coisas infantis de crianças, desenhos, histórias verídicas que realmente aconteceram | 4 Comentários

eu sou a lenda

18, fevereiro 18UTC 2012 às 11:06 pm | Publicado em curitiba, desenhos | 2 Comentários
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músicas infantis de criança

8, fevereiro 08UTC 2012 às 11:03 pm | Publicado em coisas infantis de crianças | 4 Comentários
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O Pato Fu agora parece de brinquedo, mas é de verdade.

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A dica era clara: quando os bebês nascerem, ouça músicas infantis, mas não deixe de continuar ouvindo as suas músicas preferidas também. Ok, isto é válido, é correto, é bonito… mas não funcionou! Devagar, as melodias e arranjos de canções para criança foram crescendo e tomando conta da casa, do aparelho auditivo e de todo sistema neurofuncional responsável pela audição e musicalidade.

A primeira fase é o estranhamento.  Você vai se acostumando com a nova sonoridade onipresente. Comenta que determinada música é boa, que outra não é. Percebe nuances diferentes, mas sabe bem que é algo passageiro e que não deve se apegar às novas músicas. Esta fase dura pouco.

Logo vem a fase da empolgação. Quando menos se espera, lá está o papai e a mamãe cantarolando sem querer algum refrão pegajoso, mesmo longe de qualquer criança. Não demora, começa-se a pirar num solo de guitarra da Galinha Pintadinha, emocionar-se profundamente com a letra da Palavra Cantada e não admitir que o Hélio Ziskind não esteja na capa da Rolling Stone deste mês.

Passada a emoção positiva, vem a etapa da rejeição. Não há como aguentar ouvir sempre as mesmas músicas. E justamente são as mesmas as preferidas das crianças, dos mesmos CDs e DVDs. A repetição torna-se tortura e métodos para a cura da impregnação melódico-cerebral tornam-se mais importantes que qualquer outro medicamento vital.

Mas felizmente chega a fase da nulidade. De repente, as mesmas músicas e nada é a mesma coisa. A tudo se acostuma e o silêncio passa a ser o equivalente ao som de sempre, como dormir a bordo do trem. Nesta fase há a ausência da luta contra a música chiclete e, paradoxalmente, é aí que se ganha a batalha.

quanto custa (mesmo) ter um carro

1, fevereiro 01UTC 2012 às 11:23 pm | Publicado em bicicleta, sustentabilidade sustentável | 4 Comentários

Odômetro do carro no dia 11/11/11 às 11:11

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Não foi apenas uma vez, muitas vezes já me passou a ideia de vender o carro. Faço a grande maioria dos meus deslocamentos individuais a pé ou de bicicleta, de modo que para mim não faria falta. Porém, para deslocamentos com a família (aí já são quatro dentro da lataria) a coisa se inverte, de modo que a decisão de se desfazer do carro precisa bem calculada.

Assim, decidi ir além das estimativas que se fazem por aí para calcular quanto se gasta com um automóvel em um ano e partir para o lápis e a caneta para cada detalhe gasto. Considerando apenas aspectos financeiros (há outros em jogo), abaixo segue um resumo do que foi o ano de 2011 em um Gol 16v 1999/2000:

  • 5531 km rodados
  • 655 litros de gasolina
  • R$ 1680,00 em gasolina
  • R$ 939,00 em oficina
  • R$ 130,00 em equipamentos
  • R$ 290,00 em IPVA
  • R$ 40,00 em lavagem
  • R$ 18,00 em pedágio
  • Total: R$ 3050,00

Foi um ano que gastei pouco, já que não precisei comprar pneus e a oficina colaborou. Basicamente fora um par de viagens Curitiba-Joinville e três ou quatro deslocamentos semanais para a casa de parentes/amigos, idas ao médico e afins. Isso deu mais ou menos R$250,00 por mês e o Gol fez em média 9km por litro.

Conclusão: Valor bem menor que as estimativas. Achei que gastava mais com o carro e as despesas não se mostraram tão grandes assim. Continuo sem vendê-lo.

Hoje não compraria um carro novo e nem trocaria o golzinho (financiamento e desvalorização motorizada não são o melhor negócio). Um investimento assim desequilibraria toda a conta que acabei de fazer.

Tento fazer o tal uso racional do automóvel. A planilha mostra que, ao que parece,  estou conseguindo. No mesmo ano passado, devo ter rodado uns 4500km pedalando  só para ir ao trabalho (não tenho ciclocomputador, este dado é bem no chutômetro), visto que são 8km de trajeto, feitos quase todos dias, duas idas e duas voltas. Ou seja, jogando mil quilômetros para baixo do tapet, fiz quase a mesma coisa pedalando do que dirigindo e, convenhamos, fazer tal distância em um carro é muito mais fácil. A minha conta malfeita é amenizada quando, lembrando, é verificado que nas viagens de carro geralmente vão quatro e na bicicleta geralmente só vai um.

Tenho amigos que vivem (e muito bem) sem o o carro e, sério, me orgulho deles. Mas por hora, talvez até a turma aqui em casa desenvolver toda a motricidade e coragem necessária para pedalar na cidade, o carro continua existindo na garagem. Até mesmo para lembrar que, perante as possibilidades disponíveis, pedalar e escolher um futuro melhor para todos é isto mesmo, uma escolha.

troféu meandros 2011

31, dezembro 31UTC 2011 às 2:11 pm | Publicado em sem categoria melhor | Deixe um comentário

No apagar das luzes de 2011, a prova de que o blogue sobrevive. Eis os melhores do ano em minha modesta e limitada opinião. Modesta, porque devo ser um dos melhores modestos do mundo. E limitada porque com a imersão offline que tenho praticado, estou por fora da indústria cultura, excetuando algumas categorias como os livros – que  consegui ler em bom número – e a novíssima categoria DVD Infantil – esta sim extremamente bem vivenciada.

Bom, vamos os vencedores!

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Livro

A Cidade Ilhada – Milton Hatoun

Este livro de contos é uma pequena pérola. O autor amazonense prova que além de dominar o romance, é mestre também no gênero do conto. Livro daqueles que te pegam pelo cabelo e te arrastam até o fundo das águas do Amazonas.

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Breves entrevistas com homens hediondos – David Foster Wallace

Fodástico. E ponto.

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Amor nos tempos do Cólera – Gabriel Garcia Marques

Gostei mais do que os Cem Anos de Solidão, e não é fácil superar algo que já era tão bom.
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Filme

127 horas

Não chega a ser nenhum Na natureza selvagem, mas a história real de um jovem aventureiro preso sozinho no meio do nada guarda suas semelhanças. Assisti sem conhecer sobre o desfecho do problema do rapaz espremido entre pedras no deserto – um previsível desfecho, mas mesmo assim estarrecedor – e isto contribuiu para valorizar melhor a experiência cinematográfica. O diretor poderia facilmente apelar para soluções sádicas, mas preferiu uma bela fotografia e uma competente trilha para contar este exemplo extremo da capacidade de tomada de decisão frente à desafios reais.

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Tropa de Elite 2

Nem de longe foi tão comentado como o primeiro, mas enquanto tentativa de reflexão da violência cotidiana e seus fatores, é infinitamente melhor (embora limitado, como é de se esperar de uma obra fechada de entretenimento). Enquanto o Capitão Nascimento pôde ser adotado como um ótimo anti-herói para quem ainda vê o mundo na ótica maniqueísta, o Coronel Nascimento não goza de tanto prestígio por não permitir soluções fáceis. Precisa interagir com a mídia, a política, as ONG´s, as mílicias e a interação entre elas. Por isso – e por não deixar de ser um ótimo filme de ação – Tropa 2 não pode deixar de ser relembrado como um dos destaques do ano.

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Em um mundo melhor

Este filme dinamarquês, que ganhou outro prêmio de menor significância (o Oscar de filme estrangeiro de 2010), faz uma ótima discussão sobre a não-violência e seus meandros, sem meios termos.

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CD

Feito pra acabar – Marcelo Jeneci

O Marcelo Jeneci já está por aí faz tempo, compondo e tocando gaita com/para diversos nomes da MPB e este CD só coroa seu bom trabalho. Poesia e melodia de primeira, muito melhor que aquele seu xará, que tenta fazer isso e só sai mimimi, o Camelo.

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Sou Suspeita Estou Sujeito Não Sou Santa – Anelis

A filha do Itamar Assunção chega com um disco irresistível, de um balanço e arranjos que conseguem ser ao mesmo tempo refinados e grudentos (o que é extremamente raro por aí).

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A Banda Mais Bonita da Cidade – A Banda Mais Bonita da Cidade

O disco vai muito além do famosíssimo clipe e do amor e ódio que a banda conquistou. Vale uma ouvida bastante atenta pois há muito mais que cabe na despensa.

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Videogame

Yoshi Island DS

Como nunca tive nenhum console da Nintendo até o Wii, não conheci Yoshi Island, tido como um dos melhore jogos de plataforma de todos os tempos, na sua época, a saudosa (?) década de 90. Mas sabendo agora que havia um remake muito parecido para o DS, pude comprovar o mérito do jogo. Realmente, é diversão despretensiosa e ótima jogabilidade, tudo o que posso querer de um jogo de videogame.

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Monkey Island SE

Os jogos da série Monkey Island foram os que trouxeram maior influência em minha formação. O que sei de inglês e o cabelo comprido que usei até o início do século XXI se deve ao Guybrush Threepwood. É por isso que foi muito emocionante rever a série repaginada -com gráficos e música ao mesmo tempo melhorados e extremamente fiéis ao original – na versão que joguei para iPod.

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Metroid Pinball

Um jogo de Pinball para o Nintendo DS com elementos adicionais interessantes. Diversão despretensiosa e ótima jogabilidade, tudo o que posso querer, bom você já sabe.

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HQ

Scott Pilgrim contra o mundo – Bryan Lee O`Malley

Não é uma HQ que prime pelo conteúdo. A forma, porém, confere uma velocidade e envolve elementos culturais pop – principalmente oriundos do videogame – tão fortemente que não a deixam ser esquecida facilmente. Ao contrário, o envolvimento na leitura foi algo que não tinha sentido há algum bom tempo. A boa tradução e a boa adaptação também ajudaram muito.

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Aventuras de uma criminóloga (Julia Kendall)

Garantia de sempre um ótimo roteiro e uma condução gráfica caprichada. A melhor regularidade em gibi de todos os tempos.

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RED – Aposentados e Perigosos

Comprei em um sebo e li esperando o ônibus numa rodoviária. Me surpreendi com uma história com começo, meio e fim, bem desenhada e roteiro convincente. Ótimo e por isso me nego a ver o filme para não estragar a boa experiência.

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Blogs

Catatau

Faça chuva ou sol, caiam e ergam-se governos, quebrem-se e consertem-se os paradigmas, lá está o catatau sempre com uma perspicaz e fora do (senso-)comum análise do entorno. Agora em endereço novo, mas com constância no forte conteúdo contra a “jornal hojealização” da contemporaneidade, num blogue feito à unha, sem patrocínios e suporte de grandes mídias ou portais.

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Ir e vir de bike

Já sob o guarda-chuva da Gazeta do Povo, Alexandre Costa Nascimento fez bonito em 2011 no que, já se pode dizer, é o mais importante blogue de bicicletas de Curitiba. Além de abordagens jornalísticas e furos que só seriam permitidos com o apoio oficial de um veículo de comunicação de porte, o Ir e Vir de Bike chegou a trazer mais informações sobre eventos cicloativísticos (antes e depois) do que os veículos oficiais (como o próprio blogue da bicicletada).

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Vá de bike

O Willian Cruz tem feito também um ótimo trabalho em Sampaulo com o cicloativismo, mas seus post alcançam o Brasil todo, chegando até a citar situações aqui de Curitiba. A repaginada do visual do blogue ajudou muito, fazendo jus À sua qualidade.

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DVD Infantil

O Livro das Brincadeiras Musicais da Palavra Cantada

Depois de quase 20 anos de estrada, o Palavra Cantada já reúne um bom (e bota bom nisso) repertório. O que esta coleção de 5 DVDs (+ 5 CDs + 5 livrinhos) fez foi transformar as músicas em brincadeiras, principalmente para instrumentar professoras de arte com habilitação em música em levar atividades relacionadas às escolas. Mesmo crianças pequenas (como as minhas, hehe) se encantam com o material e aprendem movimentos, conceitos e melodias naturalmente. E o melhor, as músicas são tão boas que não há incômodo em que elas fiquem alojadas em sua cabeça o dia todo.

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Minuscule

Esta série francesa que mistura animação com documentários sobre a vida dos insetos  sem usar palavras é fantástica. É jargão dos jargões, mas seus episódios de 5 minutos agradam crianças de todas das idades, principalmente as adultas. Pena que não saiu oficialmente no Brasil, restando apenas o acesso pela internet.

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Cocoricó

Esta produção brasileira não deixa nada a dever para qualquer bom programa infantil do mundo todo. Destaque para os DVDs de clipes musicais com composições do Hélio Ziskind.

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Parabéns aos vencedores! Relembre os vencedores dos anos anteriores aqui:

2006

2007

2008

2009

2010

E um ótimo 2012! Até!

não é o fim

2, outubro 02UTC 2011 às 1:06 am | Publicado em meandros | 3 Comentários

Não é o fim do blogue. Mas estava devendo uma explicação ao eventual leitor que pode aparecer por aqui. Trata-se de um hiato indeterminado que já em acontecendo há algum tempo.

Estou em exílio voluntário nos serviços não-vitais das internet (entenda-se redes sociais e entretenimento). Isto tem me feito um bem danado, sobretudo no manejo do tempo. Enquanto tiver um doutorado para tocar e crianças pequenas para cuidar provavelmente será assim. Mas, de repente, pode surgir um novo post a qualquer momento, porém sem compromisso.

Sinto falta do blogue, é verdade. Principalmente do contato com os amigos que aqui fiz ou aperfeiçoei a amizade. Mas isto há de voltar, cada coisa a seu tempo.

Por hora, deixemos os duendes do Liniers de castigo observando as rasas funduras destes meandros parados.

Ardil-22

20, julho 20UTC 2011 às 11:00 pm | Publicado em literatura | Deixe um comentário


Tudo bem que o livro é sobre a força aérea americana em uma campanha na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Mas tive que me assegurar que o autor não era inglês assim que comecei sua leitura. Não era. Joseph Heller é americano, mas o non-sense, a sutil ironia e o debochante escárnio convivendo juntos em harmonia no Ardil-22 é típico do humor inglês.

O livro é um libelo contra a estupidez humana (em especial, a estupidez humana na sua forma mais pura e poderosa, a guerra) e um clássico do pensamento divergente e da desobediência civil (ou desobediência militar, neste caso). Yossarian, o personagem principal, só quer sair da guerra vivo. Mas a burocracia kafkiana (principalmente na forma do tal Ardil-22) e a miríade de personagens impagáveis que o cercm fazem com que tal desejo pareça insanidade, enquanto a razão fica de posse da tradição burra e autoritária.

Heller consegue, com sua narrativa não-linear e sua lógica pouco ortodoxa, expor as feridas humanas com a força de que só humor em sua melhor forma conseguiria.

Como diziam os manifestantes contra a Guerra do Vietnan:

Yossarian lives!

E continua cada vez mais vivo.

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