o sono do justo 2

31, março 31UTC 2008 às 6:00 pm | Publicado em curitiba | 1 Comentário

O mesmo horário.  A mesma cidade. Outro dia. Outro sono.

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o sono do justo

27, março 27UTC 2008 às 4:40 pm | Publicado em curitiba | 5 Comentários

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a mulher que escreveu a bíblia

25, março 25UTC 2008 às 9:54 am | Publicado em literatura | 4 Comentários

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Sempre gostei da prosa do Moacyr Scliar. Ele tem um texto direto, bastante fluido, bem humorado que, para o leitor desavisado, pode até soar como superficial. É um texto fácil de ler (o trabalho diminuido do leitor para lê-lo deve estar relacionado com o trabalho aumentado do autor para escrevê-lo), mas nem por isso subestima a inteligência. Entre as linhas claras ditas, ficam infindáveis meandros não ditos…

É assim “A Mulher Que Escreveu a Bíblia“. Um romance fininho que, assim como um jogo fácil de golfe, pode ser levado a cabo em poucas tacadas (nunca joguei golfe, mas imagino que deve ser assim a coisa toda). Como nas colunas que o autor escreve às segundas na Folha de S.Paulo, o livro é uma ficção a partir de uma notícia real de jornal. Na verdade uma declaração de Harold Bloom de que a Bíblia poderia ter sido escrita por uma mulher escriba na época de Salomão. Assim, é um relato em primeira pessoa de como a Bíblia foi escrita.

Mas Scliar usa do artifício de uma suposta terapia de vidas passadas para rever todo o material bíblico e as aventuras da protagonista com uma linguagem moderna. Ao contrário de uma exegese moderna, que pretende ler o texto sagrado com os olhos da época, nesta obra a Bíblia é lida (e escrita) ao contrário, com os olhos de hoje. Justamente pela mulher mais feia do harém de Salomão que possui a compensação de ser a única letrada entre todas as mulheres (os feios sempre tem alguma compensação). Tudo sem perder o rigor histórico. É até bem possível que o escritor sagrado original não tenha sido tão… sagrado, como supõe o livro.

Entre o passado e o presente. O sagrado e o profano. A beleza e a feiúra. A linguagem chula e a formal. A linguagem oral e a escrita. O interior e a capital. O masculino e o feminino. A obra toda é uma construção e desconstrução destas dualidades. E dos meandros entre elas.

feliz páscoa!

23, março 23UTC 2008 às 9:16 am | Publicado em cotidiano | 7 Comentários

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(A partir do excelente logotipo do CEPA

 Não poderia escrever nada melhor para esta data do que já escreveu o catatau.

Feliz Páscoa!

água torneiral

22, março 22UTC 2008 às 11:59 am | Publicado em cotidiano | 24 Comentários

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Depois de quase trocar totalmente todas as viagens de carro por viagens de bicicleta, de quase me tornar um vegetariano e de quase negar todas as sacolas de plástico oferecidas, decidi tomar outra atitude ecológica quase-radical. Passei a beber somente água da torneira.

Vários amigos já tinham comentado que a água torneiral é potável, com vantagens inclusive sobre a água mineral. Notícias recentes de movimentos na Europa e nos Estados Unidos para diminuir o consumo de água engarrafada aliada com o tamanha do garrafão incopatível com o tamanho da minha cozinha e uma boa dose de pregüiça para encomendar novas entregas a cada semana foram determinantes para tomar a decisão.

Quais as vantagens? A primeira é o preço e a comodidade. Uns dois minutos a menos de banho pagam incontáveis copos d´água. E é simples como abrir a torneira. Outra vantagem é a chance menor de contaminação. Sim! Diferentemente da água mineral, a torneiral é tratada. Isto vai contra nossa cultura que afirma que tudo o que é público é ruim e que a opção privada é melhor. Mas, no caso da água, a observação diz outra coisa. Já deixou um galão de água mineral parado por um mês? Ele vai esverdeando de dentro para fora e água fica com um gosto “de velha”. Com a água torneiral isto não ocorre, por se tratar de água tratada. Ao contrário, quanto mais tempo a água ficar parada (em jarras ou pequenas garrafas), menor fica o gosto de cloro presente (este gosto aliás, que é o que justamente elimina os microorganismos indesejáveis, fica imperceptível depois de pouco tempo bebendo da fonte da torneira).

E outra, na troca de galão é sempre necessário fazer uma assepsia completa pois ele passou por vários caminhões e várias mãos até chegar o seu destino. A água da torneira já chega limpinha (claro que a manutenção da caixa d´água é muito recomendada). Quem garante isto, no caso de Curitiba e região, é a Sanepar, que realiza análises periódicas e sempre disponibiliza os relatórios.

Outra vantagem ainda é a questão ecológica envolvida. Beber a água pública é não fomentar o transporte (às vezes de centenas de quilômetros) que traria mais poluição e mesmo o desgaste de nossas estradas. Por que pedir algo de longe que já está ao nosso alcance? (E tem ainda as garrafinhas de plástico, que na maior parte das vezes vão parar no lixão comum, o que é pior ainda.)

Ah, sim, o filtro. Ele não parece necessário já que sua principal ação, a bactericida, é inócua visto que a água que passa por ele já não tem bactérias. E, além disso, segundo o Inmetro a qualidade dos filtros existentes é preocupante principalmente pela grande variabilidade de propostas e por não existirem normas nacionais que regulamente os filtros domésticos. Mais um gasto a menos.

Ainda outro ponto a considerar. Recentemente a Rede Globo exibiu algumas reportagens afirmando que, nos Estados Unidos, foram detectados a presença de substâncias químicas provenientes de remédios eliminados pela urina, como anti-depressivos e hormônios. Isto me pareceu bastante apropriado neste momento em que as campanhas por lá pedem maior consumo de água torneiral. Um lobby das empresas de garrafinhas? De qualquer modo, as próprias reportagens alertam que a quantidade é muito pequena e se desconhecem os efeitos (mesmo a longo prazo) nos seres humanos.

Estou bebendo água da torneira há pouco mais de um mês. Não morri, não fiquei doente (nem uma diarréia sequer), não começaram a nascer mais pelos e, muito menos, a brotar pequenos peitinhos. Ao contrário, passei a beber mais água, o que é muito mais saudável!

Taí, neste dia da água é esta a reflexão que quero trazer. Um dos milagres da vida moderna é possuir água potável tão ao alcance que precisamos ensinar às crianças que isto não é tão fácil assim. Quem sabe não é hora de valorizarmos isto e beber mais água da torneira? É o que tenho feito quando posso. Ou quase.

os meandros do rio iguaçu

20, março 20UTC 2008 às 11:45 pm | Publicado em meandros | 5 Comentários

Abaixo segue uma parte do painel “Rio Iguaçu” de Rogério Dias que fica no Centro Cívico de Curitiba, pertinho da rótula. Da nascente à foz, a obra retrata elementos que só um bom paranaense poderia reconhecer.

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Quem quiser conhecê-lo sem esta rotação de 90º que vá na fonte, que é muito melhor que esta torpe reprodução.

o blog do narciso

19, março 19UTC 2008 às 7:43 pm | Publicado em psicologia | 9 Comentários

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A última edição da revista científica Psicologia: Ciência e Profissão traz um artigo muito interessante a respeito da blogosfera. Intitulada “Escritores de blogs: interagindo com leitores ou apenas ouvindo ecos?“, a pesquisa de Flavia Di Luccio e Ana Maria Nicolaci-da-Costa entrevistou (por MSN e ICQ) os autores de alguns blogues bastante populares a respeito desta modalidade internética.

O resultado é bem curioso. A totalidade dos entrevistados respondeu que o grande diferencial do blogue é a interação com o leitor. No entanto, paradoxalmente, a importância dada à caixa de comentários (a verdadeira interação) é mínima. Os comentários são valorizados apenas quando são de apoio/incentivo. Comentários contrários são ignorados. Respostas, só quando dá tempo. Ao menos esta era a realidade de 4 anos atrás.

Por mais que o modelo atual e adulto dos blogues queria se afastar do formato de “diário adolescente”, torna-se tão narcisista quanto. Vide as últimas reflexões que o catatau tem feito a respeito disto.

Curioso também é que esta suposta interação e resposta aos leitores é uma das características que os blogueiros se orgulham em possuir, ao contrário dos jornalistas, conforme consta num texto clássico da blogosfera: “Por que os blogs de jornalistas não funcionam.” E, contudo, não praticam! Como é que é mesmo? Casa de marceneiro, o espeto é de ferro…

Por hora, digo que a partir de hoje os meandros deverão responder a todos os comentários realizados. Torna-se, assim, um blogue com um grande diferencial. (Desde que ninguém realize comentários contrários, sob a pena de não ser respondido.)

lógica

17, março 17UTC 2008 às 7:56 pm | Publicado em sem categoria melhor | 4 Comentários

SE

O cabelo é a moldura do rosto

E

O rosto é um cartão de visita

ENTÃO

“O cabelo é a moldura do cartão de visita”

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Ah, tá!

alfabetização solidária?

12, março 12UTC 2008 às 7:36 am | Publicado em educação | 6 Comentários

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A inesquecível Mafalda, do genial Quino.

Tenho lido e ouvido algumas expressões com freqüência. Os ecologistas ressaltam a importância de uma alfabetização ecológica. Cientistas destacam a necessidade de uma alfabetização científica. Economistas não entendem como até hoje não se deu o devido valor a uma alfabetização financeira. E por aí vai.

Sem entrar no mérito destas áreas, é curioso como as várias áreas do conhecimento querem resgatar seu BE-A-BÁ. Enquanto que a própria alfabetização (este é outro discurso bastante comum) não se contenta em ser apenas alfabetização. Precisa ser alfabetização e letramento.

Engraçado como vez por outra sempre aparecem projetos de lei incluindo no currículo do Ensino Fundamental disciplinas como “Introdução à Ecologia“, “Trânsito” ou “Educação Financeira”. Os vereadores/deputados podem estar muito bem intencionados, mas não conhecem nada de Educação: os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN´s) já estabelecem faz algum tempo os temas transversais, ou seja, temas de relevância social e científica que não devem estar atrelados a uma única disciplina, mas trabalhados em conjuto.

Quais sejam:

  • Ética (Respeito Mútuo, Justiça, Diálogo, Solidariedade);
  • Orientação Sexual (Corpo: Matriz da sexualidade, relações de gênero, prevenções das doenças sexualmente Transmissíveis) ;
  • Meio Ambiente (Os ciclos da natureza, sociedade e meio ambiente, manejo e conservação ambiental) ;
  • Saúde (autocuidado, vida coletiva);
  • Pluralidade Cultural (Pluralidade Cultural e a Vida das Crianças no Brasil, constituição da pluralidade cultural no Brasil, o Ser Humano como agente social e produtor de cultura, Pluralidade Cultural e Cidadania) e
  • Trabalho e Consumo (Relações de Trabalho; Trabalho, Consumo, Meio Ambiente e Saúde; Consumo, Meios de Comunicação de Massas, Publicidade e Vendas; Direitos Humanos, Cidadania).

Os PCN´s sugerem também temas locais como “Trabalho” e “Orientação para o Trânsito”. Ou seja, todos os temas citados anteriormente poderiam -e deveriam- já ser trabalhados interdisciplinarmente. Ou mesmo nas próprias disciplinas de afinidade. Matemática financeira não é matemática? Alfabetização científica não faz parte de Ciências?

Todo mundo fala que o futuro está na Educação. Pois bem, que ela seja bem feita. Sem precisar de adendos ou terminologias novas para dizer a mesma coisa.

e a poesia pelos meandros

11, março 11UTC 2008 às 8:04 am | Publicado em meandros | 2 Comentários
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antes, quando a poesia me invadia
era aquela eufórica alegria

agora me largo quieto
sentado à beira do rio

transcorre em silêncio a água
e a poesia pelos meandros

Carlos Dala Stella

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