e a vida nunca mais será a mesma 5

4, abril 04UTC 2012 às 3:43 pm | Publicado em coisas infantis de crianças, desenhos, histórias verídicas que realmente aconteceram | 5 Comentários

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A estranha sensação de perder o vir-a-ser.

E mesmo assim não volta a ser como antes.

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e a vida nunca mais será a mesma 4

27, fevereiro 27UTC 2012 às 9:51 pm | Publicado em coisas infantis de crianças, desenhos, histórias verídicas que realmente aconteceram | 6 Comentários

coisa de macho

2, maio 02UTC 2011 às 9:40 pm | Publicado em histórias verídicas que realmente aconteceram | 16 Comentários
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Roubado do blog do Lielson
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O gênero masculino anda em crise e não é de hoje. Desde que o movimento feminista resolveu lutar (com razão) por um melhor lugar feminino na sociedade, os homens passaram a não saber muito bem onde estão.
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Da minha parte, vivo cercado de mulheres. Na faculdade de psicologia, onde trabalho, o sexo feminino é maioria entre docentes e discentes. Em casa, para chegar ao empate, tenho que fazer ainda dois meninos; jogo perdido, portanto. E a área da Educação, onde faço doutorado, é dominado historicamente pelas mulheres. Como abandonei o futebol mesmo antes de me tornar um torcedor moderado e meus amigos mais próximos não costumam ver em botecos e cerveja a melhor opção de lazer, frequento pouquíssimos lugares que são passíveis de rótulo masculino. Que fique claro, não estou me queixando! Adoro as mulheres no entorno e não coloco em dúvida minha orientação sexual. Mas, até onde eu sei, desde que antropologia se entende por ciência, a relação entre os pares é fator importante o fortalecimento da identidade.
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Dito isto, deparei-me com o desafio mensal de cortar o cabelo. Onde? Não queria repetir o ritual em mais um espaço tipicamente feminino. Há algum mal em procurar um lugar de homem que não visse nesta banal atividade motivo para querer melhorar minha autoestima, me informar sobre o universo das novelas e/ou me cobrar mais de 20 pilas por um corte que não dá trabalho algum e que cultivo desde a vida toda? Pois bem, vamos às opções.
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Há as grandes redes de cabelereiras populares, com salões pintados de rosa e esquema de linha de montagem que vão da unha do pé à última técnica de alisamento. Nem pensar, embora o preço seja até amigável, homem nenhum pisa lá dentro. Existem as redes de salões chiquetosos, que contam que um equipe de cabelereiros masculinos em um espaço muitas vezes separado para este público. Mas há dois grandes problemas: o primeiro é que por mais que o cabeleireiro converse contigo sobre o atletiba, ele pára a conversa no meio para oferecer café, chá ou… champanhe! Isso é coisa de tomar na hora de cortar o cabelo? O outro problema é que o corte fica muito mais caro que os 20 reais aceitáveis. Ultimamente tem surgido redes de salões de beleza exclusivamente masculinos, cujo slogam é de que é coisa de macho. Tem cerveja no frigobar, decoração vintage e Playboy espalhada nos balcões. Convenhamos que não é o melhor lugar para ler uma Playboy e, por mais que a decoração busque uma referência masculina, foi feita por uma mulher. O preço também é alto: mais barato é cortar o cabelo por vintão e tomar uma cerveja no boteco. Há, então, os pequenos salões em que a dona corta cabelo e a filha faz a unha. Nestes o preço é bom, mas é preciso conviver com as revistas Caras e Contigo antigas, televisão ligada no Vale a Pena Ver de Novo e as conversas sobre as futilidades do mundo das celebridades. E, é claro, existem as antigas barbearias que fazem barba, cabelo e bigode por preços módicos.  Perfeito! Nas minhas andanças pelo bairro olhei mais atentamente para ver se encontrava alguma.
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Encontrei. Na placa dizia “Cabelereiro Unissex”, mas só tinha o barbeiro de branco cortando o cabelo de um senhor. Entrei e perguntei o valor do corte.
– Vinte reais.
E tinha horário para dali a pouco. Mandou-me sentar e em vão procurei um sofá ou banquinho. Percebi que deveria sentar na outra cadeira em frente ao espelho. Sentei e abri a Tribuna. A manchete principal do jornal alardeava para o empilhamento de corpos no IML de Curitiba. Logo chegou minha vez, troquei de cadeira e já fui explicando que queria manter o mesmo penteado, cortar apenas as pontas porque caso contrário o cabelo arrepia atrás e… percebi que não estava sendo ouvido, o profissional já havia começado seu trabalho. Conversamos sobre o IML, o campeonato paranaense, o trânsito, a região metropolitana. Chegou alguém e perguntou:
– Quanto é só para passar a máquina?
– Vinte reais.
– Vinte reais só para passar a máquina? Tá bom.
Sentou na cadeira ao lado, abriu a Tribuna e esperou. Enquanto isso, o cabeleireiro logo largou a tesoura e pegou o espelho, mostrando-me a nuca sob diversos ângulos: a parte do ritual que indica que o evento chegara ao fim. Paguei, agradeci. Mas o cara acabou com o meu cabelo. Ficou curto, arrepiado, um barbeiro do exército deixaria o milico com um corte mais apresentável!
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Mês que vem estarei lá novamente.

o maior medo

6, julho 06UTC 2010 às 10:14 pm | Publicado em histórias verídicas que realmente aconteceram | 3 Comentários

Qual é o seu maior medo? Não me refiro a  um medo generalizado ou alguma fobia sem causa racional (aparente) para existir.  Pergunto sobre o seu Medo, com nome, sobrenome e data de origem.

O meu maior medo sempre foi ser enterrado vivo. Começou quando eu tinha uns cinco ou seis anos de idade. Na festa de ano novo pude ficar acordado até mais tarde e topei com uma cena em um filme da madrugada (talvez fosse até o Super Cine, mas para mim era madrugada). Em tons verde-escuro e cinza, uma mulher tenta sair do caixão em que está presa. E em vão.  Aquilo me angustiou muito e foi potencializado pelo desenho da cortina da sala (que lembrava muito alguém de boca aberta pedindo socorro) onde tive que dormir, pois provavelmente meu quarto estava emprestado para algum parente.

Mais ou menos uma semana depois resolvi pedir ajuda. Depois de muito pensar, perguntei:

– Mãe, se eu morrer… a mãe escuta meu coração antes de me colocar no caixão pra ver se eu não estou vivo?

A mãe acalmou o pobre menininho por hora.  Mas cresci e o medo cresceu junto (provavelmente alimentado pelas histórias de meu avô que, já tendo trabalhado de coveiro,  encontrou muito cadáver de bruços). As estratégias de enfrentamento do perigo  felizmente cresceram também. Mas precisavam ser testadas. Nada melhor do que um primo mais velho (e, portanto, mais experiente) para avaliar a eficácia da nova técnica:

– Quando eu morrer quero ser enterrado com uma marreta…

– Ué, mas por quê?

– Porque caso eu seja enterrado vivo, eu posso destruir o caixão e os tijolos em volta e me salvar.

– Ah, mas eu quero ser enterrado com dois baldes de água!

– Hein?!

– É, porque se eu morrer e for pro inferno, eu jogo a água e não me queimo.

Cada um com seus medos.

o Arthurzinho já sabe falar

21, abril 21UTC 2010 às 1:05 pm | Publicado em educação, histórias verídicas que realmente aconteceram | 1 Comentário

Sala de espera de uma clínica de pediatria. Uma jovem mãe segura no colo seu filho de aproximadamente dois anos e meio. Chegam carregadas duas bebês gêmeas. A mãe aponta as bebês e diz para seu filho:

Mamãe: – Olha, Arthurzinho, dois nenéns!

Arthurzinho: – Neném!

Mamãe: – Viu só que lindas? Que pequenininhas… Sabia que você também foi pequenininho assim, Arthur?

Arthurzinho: – Neném!

Mamãe:  – As nenéns ainda nem sabem falar, só sabem falar gu-gu, dá-dá.

Arthurzinho: – …

Mamãe: – O Arthurzinho já sabe falar, é muito inteligente, né?

Arthurzinho: – …

Mamãe: – O Arthurzinho já sabe falar, já sabe andar, já dorme sozinho, já vai para escolinha…

Arthurzinho (chorando):  – Não, não! Escolinha, não!

Mamãe: – Calma, calma. O Arthurzinho não vai hoje para a escola não, hoje é sábado. A escolinha é só na segunda-feira.

Arthurzinho: –  Não, não! Escolinha, não! Não!

Mamãe: – Tá bom, segunda-feira a gente conversa.

Arthurzinho: –  Não!

Mamãe: – Tá bom, então não precisa ir pra escola.

e a vida nunca mais será a mesma 3

5, fevereiro 05UTC 2010 às 7:47 pm | Publicado em bicicleta, desenhos, histórias verídicas que realmente aconteceram | 4 Comentários

Sejam bem-vindas, meninas! (É amanhã, 06/02/10)

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E… tchau, internet!

a primeira vez que me chamaram de pai

5, janeiro 05UTC 2010 às 9:04 am | Publicado em histórias verídicas que realmente aconteceram | 6 Comentários

Com um ano de tentativas sem sucesso algum para engravidar, um casal é tecnicamente chamado de estéril. Estava nesta situação e resolvi procurar um andrologista, já que a causa de infertilidade masculinada é a mais fácil de ser localizada e, teoricamente, de ser tratada também. Como não conheço ninguém que tenha frequentado esta especialidade médica (e se tem não contou pra mim), encontrei um na lista telefônica. Dois critérios foram determinantes para sua escolha: localização (consultório a quatro quadras de casa) e formação (o tal era professor na Federal).

O professor doutor solicitou uma série de exames e deu ênfase para o espermograma, que deveria ser realizado de preferência em uma determinada clínica nova, que possuía uma maneira muito mais atual e precisa de apresentar os resultados. Fiz tudo conforme solicitado e, embora seja um exame um pouco constragedor, não vou dizer que o espermograma seja desagradável.

De posse do laudo, o médico bateu o olhos nas porcentagens e índices do papel e me disse que seria praticamente impossível que eu tivesse um filho. Eu poderia fazer uma cirurgia (a especialidade dele!), mas que isso não adiantaria nada (heim?, então pra que fazer a cirurgia?!) e foi falando em fertilização em vitro outras técnicas modernas de reprodução assistida e bláblálá.

Voltei desolado pelas quatro quadras até em casa. Um misto de tristeza, raiva, frustração e culpa por um crime que nunca cometi. No fim no dia chega um casal amigo, trazendo a feliz notícia de que estavam grávidos do menino que se tornaria nosso afilhado. Foi bonito, ele puxou o violão e cantou uma música com sua esposa, em uma cena inesquecível que transbordava emoção. Não me era permitido sentir inveja, ao máximo compartilhei a alegria com eles.

Poucos dias se passaram, eu ainda naquela imprecisão emocional a flor da pele.

Toca o telefone.

– Alou?

– Alô, pai?!

Pai? O suposto filho continua em voz trêmula e chorosa.

– Alô, pai? Socorro, estou sendo sequestrado!

– Ah, então você é meu filho?

– É, pai, eu sou o seu filho… Socorro, pai, por favor, socorro!

– Meu filho?

– É pai… me ajuda, pai….

Automático, sem pensar em nada e com toda a força de meus pulmões:

– AH, MAS EU QUERIA TANTO TER UM FILHO… VAI TOMAR NO %$, SEU FILHO DA &#$@!!!

E descarreguei todo meu repertório de palavrões, mesmo quando o bandido que tentava me aplicar o golpe do sequestro relâmpago já havia desligado faz tempo. Parei. Respirei e caí na gargalhada junto com minha esposa.

Sem dúvida aquela ligação telefônica foi catártica.

Uma visita a outro médico revelou que não havia nada de errado comigo. O especialista anterior na verdade não sabia interpretar os dados do “novo método”. Uma cirurgia (cujo objetivo era funcional) desobstruiu em minha esposa a dificuldade existente  e uma medicação para estimular a ovulação nos propiciou duas meninas que estão para chegar a qualquer momento.

Espero apenas que a próxima vez que alguém me chamar de pai seja de um jeito bem mais tranquilo.

muito além da monitoria

10, novembro 10UTC 2009 às 11:24 am | Publicado em histórias verídicas que realmente aconteceram | 14 Comentários

rodrigo

– Ô professor, tem vaga para monitoria em Estatística?

– Vaga tem, mas não estava pensando em abrir seleção este ano… ué, por quê? Você quer ser monitor?

– Isso.

– Ô Rodrigo, mas por que você inventou de querer ser monitor, ainda mais de Estatística?

– Ah, porque eu acho que vai ser legal!

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Fiz uma seleção proforme cujo único candidato era o Rodrigo. Obviamente ele passou  e assumiu seu papel de monitor no mesmo dia. Incrível ver o seu prazer em auxiliar os colegas no laboratório ou em ajudar a corrigir as provas. Ou como tornava as coisas ainda mais divertidas: durante a execução da prova, foi ele que tomou a iniciativa de, entre uma olhada e outra nos probandos, jogar na internet comigo o “Roda a Roda” do Silvio Santos no computador do fundo do laboratório.

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– Ô professor, eu falo pra todo mundo e é verdade. Eu queria ser como você.

– Ah, pare, Rodrigo.

– Sim, você é engraçado, sabe muita coisa, é gente boa. Se fosse professor, queria ser igual você.

– Você também é gente boa.. mas sem viadagem, né?

– Hehe, claro. Mas eu gosto de você.

– Legal, Rodrigo, mas sem a parte da viadagem, então…

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É difícil receber um elogio tão direto e, na defesa, fica fácil recorrer para uma brincadeira. Ainda mais com alguém que está sempre sorrindo e o clima de bom humor predomina. Lembro bem da última aula onde o Rodrigo estava verdadeiramente feliz por ter encontrado dados relevantes na pesquisa sobre a influência do Sudoku na inteligência de universitários e da alegria na corrida em dar justificativa à namorada que ficava de olho nas outras meninas que ele auxiliava no laboratório. Aliás, dava para sentir a felicidade do casal, o quanto um estava fazendo bem para o outro.

Rodrigo foi atropelado no domingo e faleceu hoje pela manhã. Tão cedo não vou encontrar monitor que tenha tanto prazer um axiliar alguém a calcular uma correlação, tão cedo a faculdade não vai encontrar aluno tão envolvido, tão cedo os amigos não vão encontrar alguém tão popular.

Rodrigo, também gosto muito de você!

Mas sem a parte da viadagem, claro.

 

e a vida nunca mais será a mesma 2

15, julho 15UTC 2009 às 6:15 pm | Publicado em desenhos, histórias verídicas que realmente aconteceram | 3 Comentários

gemelar

e a vida nunca mais será a mesma

1, julho 01UTC 2009 às 6:55 pm | Publicado em desenhos, histórias verídicas que realmente aconteceram | 6 Comentários
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