mire o muro

29, julho 29UTC 2008 às 9:16 pm | Publicado em curitiba | 4 Comentários

Adoro essas barulhentas discussões silenciosas nos muros de Curitiba.

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Sobre o impacto da fome, a dieta livre de crueldades a e a ausência de argumentos palpáveis.

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Sobre a racionalidade e a orientação sexual do governador.

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como é que você vai?

28, julho 28UTC 2008 às 7:48 pm | Publicado em desenhos | 8 Comentários

toda vez que eu viajava

25, julho 25UTC 2008 às 4:37 pm | Publicado em histórias verídicas que realmente aconteceram | 4 Comentários

Era numa dessas viagens de ônibus com mais de 9 horas de duração. Como tem acontecido de uns tempos pra cá, o motorista ligou um DVD para entreter os passageiros.

Isso de colocar televisões nos ônibus eu discordo. Um filme ligado impede (ou quase) uma boa conversa, uma boa leitura ou um bom sono. Descontado a qualidade das obras selecionadas, geralmente os aparelhos são ruins e o áudio (em português e sem legendas) impede a compreensão do filme (além de uma boa conversa, uma boa leitura e um bom sono). Mas a hipnótica atração da tevê captura o olhar em sua luz azul, é muito difícil resistir.

Pois bem, desta vez não era um filme. Era uma série de clipes musicais com o título mais ou menos assim: “O Melhor da Música Sertaneja”. Pronto, conseguiram piorar a situação! Ninguém perguntou o gosto musical dos passageiros e lá estava o menu inicial do DVD com um trecho de “Menino da Porteira” do Sérgio Reis:

“Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino /
de longe eu avistava a figura de um menino /
que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo /
toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo.”

O motorista deu o play e seguiu viagem. O melhor de se criar expectativas ruins é que elas são muito facilmente superadas. O DVD era muito bom! Um dos melhores que já assisti em um ônibus (o que também não é grande coisa). Mesmo que tivesse alguma dupla de qualidade duvidosa com suas músicas de dois minutos, a maioria das faixas contava com músicas caipiras de raiz (diferente do que o “sertanejo” do título sugeria) com interpretações de Tonico e Tinoco, Almir Sater, Renato Teixeira e… Sérgio Reis:

“Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino /
de longe eu avistava a figura de um menino /
que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo /
toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo.”

Mas tudo o que é bom se termina e o DVD voltou a seu menu inicial. Sentado em minha poltrona 14 (é a melhor de todas, pois dificilmente alguém compra a 13 e por isso você sempre viaja mais folgado) decidi que não iria avisar o motorista. Deixei o lado cidadão de lado e vesti a camisa de psicólogo que observa o irreflexivo cotidiano dos meandros do comportamento humano. Vi a hora e esperei quanto tempo demoraria até alguém pedir para o motorista desligar as tevês. Enquanto isso, Sérgio Reis repetia o verso:

“Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino /
de longe eu avistava a figura de um menino /
que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo /
toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo.”

E ninguém fazia nada. Alguns retomavam suas conversas, leituras e sonos. Muitos olhavam para frente, olhando além dos limites do ônibus. E ninguém, absolutamente ninguém, parecia incomodado toda vez que o Sérgio Reis insistia que:

“Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino /
de longe eu avistava a figura de um menino /
que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo /
toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo.”

Eu já perdia a paciência, mas um experimento deve ser conduzido até o seu final. Alguém a qualquer momento deveria levantar, não é possível. Não custava nada.

“Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino /
de longe eu avistava a figura de um menino /
que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo /
toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo.”

Vinte e dois minutos depois do início da cantoria em repetição deixei meu lado científico na poltrona 14 e levantei eu mesmo para falar com o motorista. Será que era só eu que não aguentava mais? Avisei o motorista, ele fez uma cara de “Ah, obrigado, eu tinha esquecido do filme!” e desligou a voz do Sérgio Reis. Mas o incrível foi que, na medida em que voltava para o meu lugar no meio do ônibus todos os passageiros me olhavam com um olhar brilhante de gratidão. Alguns fizeram questão de manifestar seu agradecimento verbalmente. E eu desfilava tal qual um herói até a poltrona 14.

É por isso que nunca gostei de televisão em ônibus… e agora nem do Sérgio Reis.

aquário de água mineral sem gás

24, julho 24UTC 2008 às 2:47 pm | Publicado em sem categoria melhor | 7 Comentários

Querida leitora, você seguiu as dicas deste blogue, parou de tomar água mineral e não sabe mais o que fazer com o antigo galão de água? Pois o post de hoje trás uma excelente idéia para você reciclar esse material parado e criar uma modernosa e bem humorada peça de decoração para o seu lar, além de lhe propocionar mais um querido animalzinho de estimação!

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1. A inspiração

O aquário que vamos montar é explicitamente inspirado no game Sam & Max, bastante popular no PC durante os anos 90 e que tem ganhado novas roupagens nesta nova década. Um modelo muito similar decora o escritório destes dois detetives aloprados!

Repare na alegria que um aquário pode proporcionar!

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Em menor proporção, também contribuiu a capa do disco “Carne Crua”, do Barão Vermelho de 1994. Mas na nossa versão o humor negro e o sacrifício de animais são deixados de lado.

Crianças, não façam isso em casa!

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2. O material

Pesquise bem para encontrar os melhores preços dos materiais.

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Você vai precisar de:

  • 1 (um) galão de água mineral de 10 litros;*
  • 10 (dez) litros de água;
  • 1 (uma) serrinha;
  • 1 (um) filtro de água para aquários;
  • 1 (um) aquecedor pequeno;
  • 1 (um) peixe.

* Galões de 20 litros também podem ser usados, mas serão necessários 20 litros de água.

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3. A preparação

Corte com a serrinha o topo do galão de água. Não é necessário cortar até o final, o importante é que o galão possa ser aberto por cima para facilitar a introdução do peixe, de alimento e de futuras limpezas. Corte com cuidado em uma área de relevo do galão para que o corte, depois do aquário terminado, não apareça facilmente e dê a impressão de ser uma peça única.

Um furo com a furadeira pode ajudar no começo…

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Vede a parte de baixo do galão para que a água não escorra.

Experimente outra coisa, porque com Durepoxi não funcionou…

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Instale o filtro na parede do galão e posicione também o aquecedor. Devagar coloque o peixinho. (Ah, cuidado na escolha da espécie pois se ele crescer vai sofrer muito com o espaço exíguo. Embora o Kinguio seja considerada uma espécie forte e resistente, não é aconselhada para viver em galões pois torna-se muito grande com o tempo e você vai precisar encontrar um galão de 60 litros!)

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4. O resultado

E, pronto, eis o seu novo aquário!

O quadro é opcional.

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Espero que tenha se divertido com a confecção! Um grande abraço e aguarde a próxima edição onde aprenderemos a montar uma estante de livros com seus velhos disquetes. Até lá!

igualmente diferente

21, julho 21UTC 2008 às 7:18 pm | Publicado em educação | 3 Comentários

Se já estivemos outrora preocupados com moral e os bons costumes, estamos agora em uma época do politicamente correto. Ou em parecer politicamente correto. Ou ambientalmente, socialmente, espiritualmente, enfim, o importante é mostrar o quanto estamos rigorosamente em dia com o carnê do Baú.

Por isso parece que esta atividade nas empresas está mais voltada para o setor de marketing do que para os Recursos Humanos (ou melhor, Gestão de Pessoas, para ficar politicamente correto), produção ou vendas. O problema é que, como a propaganda é a alma do negócio, depois de Descartes todo mundo sabe que a alma separou-se do corpo e, por isso, o marketing não precisa ser coerente com o que o corpo da empresa faz; basta parecer coerente.

Só assim eu posso entender a campanha que vi neste outdoor:

Esse é o típico pensamento de quem quer parecer politicamente correto e, muito provavelmente, foi pensado por publicitários e não por professores da faculdade em questão. Afinal, as pessoas, sim, são diferentes! O importante é reconhecer a diferença, aceitá-la e conviver com ela. O que não é lá das coisas mais fáceis, mas está na base da alteridade. O contrário de imaginar todos iguais, que lembra muito ideologias totalitárias e eugênicas.

(Se não fosse assim, a famosa “Parada da Diversidade” seria chamada de “Parada da Igualdade”, não seria?)

Esses publicitários deveriam dar uma passada na sala dos professores…

breves impressões do Paraguai

14, julho 14UTC 2008 às 5:40 pm | Publicado em sem categoria melhor | 5 Comentários

Ouvi de alguns paraguaios em sua própria terra que seu país estaria 100 anos (ou 50) atrasado em relação ao Brasil, tentando mensurar o nível de seu desenvolvimento e citando supostos especialistas. A placa do Banestado no ponto de táxi da praça Uruguaia em pleno centro de Assunção está seguramente, ao menos, 10 anos atrasada.

Em que pese (ainda muito forte) o estrago feito pela guerra de mais de um século, dá para sentir uma tentativa de fortificação da identidade do país ao ver bandeiras por toda parte, a renovação da esperança com o novo presidente e muitos prédios históricos restaurados ou em processo de restauração.

Não sei se é uma questão de atraso. O contrário: o Paraguai é um país que poderia ter sido, mas não foi. Não foi andando mais devagar e ficou pra trás; passaram a rasteira. Uma espécie de futuro alternativo que mostra a realidade destruída. Lástima.

(Dica: as melhores informações sobre este país e sua relação com o Brasil estão na sopa brasiguaia!)

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